sábado, 15 de dezembro de 2012

AS NEUROSES "PRÓ-ARMAS" DOS ATIRADORES DOS EUA


Por Alexandre Figueiredo

O que faz os atiradores surgirem assim, nas ruas, nos locais públicos e nas escolas dos EUA, atirando furiosamente contra um grupo de pessoas e fazendo várias vítimas fatais? Não se sabe. Mas as inúmeras tragédias mostram o quanto um país como os Estados Unidos nem de longe representam um elevado padrão de qualidade de vida, pois o país, apesar de um dos mais ricos do mundo, é muito problemático.

Ontem ocorreu mais um massacre em uma escola, em mais um episódio traumático para muitas crianças. Foi na cidade de Newtown, da região metropolitana de Hartford, capital do Estado de Connecticut, principal local de um plano de vários atentados do jovem identificado depois como Adam Lanza.

Ele havia matado, entre outras pessoas, os próprios pais (a mãe era professora da escola), nos diversos locais onde cometeu os crimes. Foram 26 vítimas fatais, entre elas 18 crianças. Terminando o massacre, o atirador se matou.

Outros massacres também causaram preocupação na sociedade estadunidense, como um atentado em um shopping center no Oregon, que causou dois mortos mais o suicídio do atirador, meses atrás. E houve também o massacre ocorrido em julho passado em Aurora, cidade do Estado de Colorado, onde um atirador invadiu uma sessão do filme da série Batman e matou 12 pessoas.

Neste caso, o atirador, James Holmes, foi preso, numa das exceções raras de episódios assim, onde os atiradores geralmente são mortos pela polícia ou se suicidam, e o criminoso afirmou à polícia que cometeu os crimes "influenciado" pelo personagem Coringa, vilão da série Batman.

Num desses "lampejos" dignos de um News Of The World, o "divertido" jornal carioca Meia Hora, sabendo disso, lançou uma manchete com um trocadilho maldoso com o falecido ator Heath Ledger, que interpretou o Coringa num outro filme da atual franquia, dizendo que ele teria "assombrado" o local do atentado. Grande maldade com o ator, que no fundo era bastante simpático, além de muito talentoso.

Havíamos publicado um texto a respeito, numa clara crítica ao sensacionalismo midiático, que causou uma boa repercussão nas rodas esquerdistas, tendo sido um dos textos mais lidos deste blogue. E que mostra muito que o News Of The World também encontra similares aqui, não mais inocentes do que o extinto tablóide de Rupert Murdoch.

Quanto ao atentado de Connecticut - com raros similares ocorrendo fora dos EUA, tendo ocorrido um na Noruega e outro aqui no Brasil, na Zona Oeste do Rio de Janeiro - , ele mostra o quanto é perigosa a liberação do porte de armas para qualquer pessoa, mas infelizmente ela é defendida por importantes setores da extrema-direita dos EUA.

O porte de armas contou com propagandistas do porte do falecido ator Charlton Heston, que havia sido presidente da National Rifle Association, principal organização defensora do porte de armas, e do músico de rock Ted Nugent.

Estranhamente, no Brasil, dentro das esquizofrenias ideológicas que travam os reais progressos sociais, chegou-se a um ponto em que o porte de armas virou uma causa "de esquerda", em completa falta de lógica e de noção dos esquerdistas médios sobre a realidade de muitos jovens pobres e trabalhadores serem mortos pelas armas de fogo, deixando "órfãos" muitas mães e pais que os criaram com tanto sacrifício.

Nos EUA, há a ascensão da extrema-direita, reunida na divisão estadunidense da Opus Dei, no Tea Party, na National Rifle Association, entre outras organizações. A Klu Klux Klan ainda continua ativa, apesar de não ter causado aparentemente graves incidentes.

A "cultura dos extermínios" fez até mesmo com que um fracassado roqueiro, Charles Manson, fechasse a Era da Contracultura norte-americana com uma chacina promovida pela sua "seita", a Família Manson, em agosto de 1969. O pior é que Manson chegou a ser visto como "ídolo admirável" durante a banalização do modismo grunge que, fugindo da cena de Seattle, sucumbiu à escatologia barata e ao culto de psicopatas.

E os EUA guardam um dramático histórico de massacres e ações de psicopatas e neuróticos de guerra. E, em 1999, o massacre de Columbine, no Colorado, também se tornou uma das principais tragédias do gênero em escolas do país.

É necessário estabelecer restrições à ideologia da violência e ao porte de armas. A liberdade de comprar armas faz qualquer um descontar suas raivas exterminando os outros. Alguns podem até terem sido vítimas de bullying, mas isso não justifica tais carnificinas. E a violência pela violência gera um ciclo vicioso, onde o uso das armas não previne a violência, antes faz agravá-la assustadoramente.

Independente de quem seja, a restrição do porte de armas e o estabelecimento de campanhas que desestimulem a violência poderiam ser uma solução possível para a prevenção de tamanhas tragédias que causam tanta dor no povo estadunidense.

São traumas que só reafirmam a crise social que vive os EUA, que pode ser uma grande potência mundial, mas enfrenta problemas sociais tão graves e imensos quanto aos de qualquer país sub-desenvolvido.

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