sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

A SENSUALIDADE E O VALOR DA MULHER

NATHÁLIA RODRIGUES - Sensualidade sem vulgaridade e com inteligência.

Por Alexandre Figueiredo

Os ensaios fotográficos mostravam mulheres sensuais, mas de alguma forma vestidas. Elas eram vistas ao mesmo tempo como símbolos do desejo masculino, mas também se sobressaíam pelo seu valor, já que eram atrizes, escritoras, musicistas, modelos de grife. Elas tinham um valor a mais que não se limitava ao corpo. Seu valor estava na capacidade de fazerem outras atividades e até em expressar ideias e opiniões.

Quem lê o parágrafo anterior deve imaginar que estamos falando de algum ensaio fotográfico da semana passada com alguma musa do nível de Natalie Portman, Jessica Alba ou Emma Watson. Mas estamos falando da antiga revista Senhor, que entre 1959 e 1964 revolucionou o mercado editorial brasileiro.

Só para sentir a coisa, a revista mostrava essa sensualidade feminina num tempo em que as musas mais populares eram as vedetes do teatro de revista. E o mais próximo da cultura clubber estava nos órgãos inseridos nas músicas de Del Shannon e do inglês The Tornados. E o mais próximo de um DJ hoje era visto em maestros eruditos do concretismo musical, como Karlheinz Stockhausen.

Isso é grave, se percebemos que a mídia machista ainda empurra, na marra, as chamadas musas "populares" para o público masculino. Musas cujo único valor está na exibição corporal. A mídia machista impõe, porque tem dinheiro para enviar notas pagas na imprensa do país inteiro, tentando manter o gosto popular atrelado a essas musas sem a menor inteligência.

Dei uma passeada, há alguns dias atrás, no portal R7 e uma das notas ainda falava do tamanho dos glúteos de certas musas "populares". "Elas poderiam ser Miss Bumbum! Veja os centímetros dos popozões das famosas", diz, cinicamente, a chamada.

A mídia machista tenta assim evitar que as conquistas femininas se estendam às classes populares. Ou, quando muito, apenas permite que aquelas relacionadas somente à sobrevivência financeira sejam adotadas pelas moças pobres, que são obrigadas a ver nas musas vulgares um modelo de "sucesso" e "afirmação pessoal".

Essas musas, estrelas de um espetáculo retrógrado de uma sensualidade feita como um fim em si mesma, não possuem valor algum. Não são capazes de ir além das exibições corporais, e isso é muito atraso numa época em que a mulher hoje precisa aprimorar sua inteligência. Quando vão para a faculdade, as musas vulgares se tornam apenas dondocas a esnobar dos colegas e nada aproveitam desse ensino.

A sensualidade das mulheres de verdade é uma sensualidade que só mostra o corpo de acordo com o contexto. Mulheres assim podem se vestir de forma elegante e discreta, usar vestidos que valham pela beleza, sem precisar mostrar a forma física a toda hora. E são capazes de falar sobre política, artes, economia, sociedade, com uma inteligência que pode até ser modesta, mas é expressiva.

Já as musas vulgares são narcisistas, se apropriam de outros contextos para associá-los à sua "sensualidade" cansativa, repetitiva e irritante. É só comparar essas musas "populares" com uma atriz tipo Nathália Rodrigues (foto acima) para ver a gritante diferença.

Nathália aparece num evento de artes plásticas, vestindo-se de forma levemente sensual, mas discreta. Se ela quisesse usar um blazer, podia, não faria feio com isso. Imagine se fosse uma Geisy Arruda, uma "mulher-fruta", uma Miss Bumbum, uma "peladona" disso e daquilo. Elas não seriam capazes disso.

A ditadura midiática tenta, com essa enxurrada de musas "populares", evitar que as conquistas femininas avancem para as classes populares. E ainda tenta cinicamente empurrar essas musas vulgares para os homens de personalidade mais diferenciada. Só que eles não querem as musas vulgares, até sentem repugnância delas. Homens legais também querem mulheres legais.

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