domingo, 2 de dezembro de 2012

A MÍDIA MACHISTA IGNORA MUDANÇAS NO PAÍS E NO MUNDO


Por Alexandre Figueiredo

A mídia machista e suas "musas" ignoram as mudanças e as transformações que acontecem no mundo inteiro. A mídia "popular", por exemplo, nem está aí para as pressões pela regulação da mídia ou se as manifestações contra a crise europeia irão se refletir no Brasil e como isso poderá ocorrer.

Infelizmente, o Brasil tem um mercado brega-popularesco bastante narcisista, bairrista, provinciano, atrasado, e ainda se atreve a forjar uma "modernidade" com isso. E ainda há gente que acredita e afirma, por A mais B que o país, mesmo 39º no ranking dos países que investem em Educação no mundo, irá ser a potência máxima da humanidade, acima até mesmo dos Estados Unidos.

É sonhar demais, convenhamos. E isso é o outro lado da velha grande mídia, famosa por seus "urubólogos" ou por humoristas reaças como o Marcelo Tas e Marcelo Madureira, que mostra seu "lado mais gostoso" através da mídia "popular" e sobretudo através das "popozudas".

Vendo o portal R7, ontem, nota-se que o mercadão está a todo vapor, vendendo tudo quanto é "musa" e ignorando a necessidade de divulgar melhor os novos valores da mulher brasileira. É um verdadeiro "rodízio de carne", com "musas" que só mostram o corpo mas nada têm a nos dizer.

Mesmo quando tentam explicar, as ditas "musas populares" mais expressam um narcisismo sutil do que uma autocrítica. Pelo contrário, ainda se atrevem a dizer que não se arrependeram de cometer erros, subestimando as gafes cometidas.

Só um exemplo: numa época em que Nana Gouvea repercutiu negativamente na imprensa com fotos "sensuais" tiradas nas áreas atingidas pelo furacão Sandy, em Nova York, a ex-BBB Maíra Cardi havia escrito um texto nos seguintes termos, dentro daquela linha "eu não me preocupo com as críticas e ligo menos para os riscos que elas representam". Eis o texto:

"Nunca me arrependo do que faço... Mas do que deixei de fazer! Porque sou intensa, verdadeira, realista... Se erro é sempre tentando acertar, mas ninguém é perfeito, 'não que eu saiba' quando decido por algo, não tenho meio termo! Decido mesmo, sem olhar para trás, e movo montanhas por isso! Porque eu acredito no que quero... Mesmo que esteja longe, seja difícil, que o mundo discorde, que o mundo critique, que me custe tempo, que me custe saúde, que me dê trabalho, que eu me desdobre, que me tire o ar, que me tire o sono... Mas que minha motivação não me faça chorar e que me faça feliz! Se for capaz de fazer apenas esse item! Eu quero que o mundo se fo... Que qualquer loucura, todo sacrifício, qualquer briga com mundo, qualquer desdobramento , todos os vôos do mundo... tudo será nada se eu estiver feliz! É pedir muito em troca?".

Mas se José Serra se disse "fortalecido" com suas derrotas eleitorais e Merval Pereira e Reinaldo Azevedo se julgam "com a consciência tranquila" mesmo sendo considerados os piores jornalistas do Brasil, faz sentido Maíra Cardi usar essa linguagem típica das celebridades popularescas, que justificam seu narcisismo provinciano cheio de desculpas.

Pois é esse o texto de uma moça que não conseguiu se comportar de forma discreta quando ia para um aeroporto, que só posa em fotos "sensuais" e não consegue falar temas além de "curtição", "sexo" e outras banalidades. No entanto, uma moça que escreve uma mensagem politicamente correta como essa, ao menos, tem noção exata de quem são Juliana Paes e Deborah Secco, só para citar duas musas brasileiras.

Elas não precisam tirar satisfações escrevendo mensagens que confundem liberdade de decisão com imprudência e teimosia ou que ficam desculpando seus erros e expressando seu total desprezo às críticas, mandando o mundo "se fo...". E Juliana e Deborah, se necessário, deixam a sensualidade de lado quando a situação recomenda, e podem até fazer papéis de moças recatadas, quando há oportunidade.

Além dessa falta de autocrítica de Maíra Cardi, que até escreveu um texto muito longo para justificar o comportamento dela e a desculpa que "só quer ser feliz", o mercadão machista, do qual ela se serve com gosto, também despeja um cem número de "musas populares" que nada dizem e "mostram demais".

São mais "mulheres-frutas", a nova dançarina do Tchan, mais Miss Bumbum que surge do nada e nem participa da competição com esse título, e mais, mais "popozudas", sem chance de aposentar as que viraram "titias". E seus empresários estão com o dinheiro no bolso, e, se necessário, deve aparecer alguma nova "peladona" por aí para "aquecer o mercado".

No entanto, a coisa, repetimos, está cada vez mais repetitiva. E não há chance delas usarem roupas discretas, falar sobre política, dar entrevistas que não sejam sobre lero-leros amorosos, ou coisa parecida. Só corpo, só corpo, só corpo. Só curtição, só curtição, só curtição. "Mostrar demais", esculpir o corpo em clínicas, botar silicones, ir a eventos com breganejos, sambregas e funqueiros, e engatar namoros-relâmpago.

Enquanto isso, o mundo lá fora muda e até mesmo atrizes juvenis como Chloe Moretz e as irmãs Fanning (Dakota e Elle) mostram substância. Elas têm muito o que dizer e, mesmo na adolescência (Dakota Fanning hoje tem 18), as atrizes teen estrangeiras são capazes de dar entrevistas que deixariam as "musas populares" brasileiras envergonhadas de si mesmas.

E talvez Maíra Cardi, vendo uma Chloe Moretz dando entrevistas, pensasse duas vezes antes de escrever sua mensagem nas redes sociais. Ela teria que admitir uma autocrítica, tal qual as outras "musas" que só "mostram demais".

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