sábado, 15 de dezembro de 2012

A MÍDIA MACHISTA E SUAS PRESSÕES


Por Alexandre Figueiredo

A mídia machista insiste, conforme sabemos. Imaginam seus barões que podem vencer os críticos pelo cansaço, empurrando o maior número possível de musas vulgares, impostas como meros objetos sexuais para um público de baixo nível intelectual.

Essas moças tentam dar a impressão de que não vivem sob a sombra de homens, mas vivem, sim. São os empresários delas, que sempre agenciam "compromissos" que variam de participação em eventos brega-popularescos (como Geisy Arruda, na foto acima, com uma dupla breganeja) e jogam muita grana para evitar qualquer desgaste.

Criam factoides dos mais diversos, mas nada que possa dar alguma "substância" a essas pretensas musas. Recentemente, uma conhecida funqueira, uma das falsas solteiras do gênero, afirmou em um jornal que quer ser a "Beyoncé do Brasil". Em outras "afirmações", ela já disse que gostaria de cantar com Ivete Sangalo e Roberto Carlos, e recentemente até foi cortejar um ator de TV num aeroporto.

Mais conhecida pelos factoides e pelos glúteos "avantajados" do que pelo terrível som de seu grupo, a funqueira tenta parecer "autêntica", dizendo que "contará tudo" em documentário e livro, a exemplo de outra funqueira que "contou tudo" numa entrevista, menos que passou a esconder o marido dos holofotes. A "solteirice" de ambas seria um truque de marketing para deixar suas vidas de casadas na privacidade em troca do sucesso pessoal na mídia.

Há também o caso de Geisy Arruda, que se autopromove com sua imagem de falsa sensual. Passou-se por "libertária" sofrendo gozações numa faculdade, em fato que depois provou ter sido uma "pegadinha" pessoal, pois Geisy nada tem de libertária e mostra estar muito confortável seguindo os valores machistas da grande mídia.

A insistência desesperada e obsessiva da mídia machista em empurrar essas "musas", sem sequer aposentar as veteranas, é uma maneira dos empresários de "boazudas", aliados convictos dos barões da grande mídia, de dificultar as reações negativas com uma "avalanche" de musas vulgares.

Esnobes, esses ricos empresários usam a palavra "popular" como escudo, aproveitando que até a intelectualidade mais badalada se apoia nessa palavra para acobertar seus terríveis preconceitos elitistas, permitindo que eles critiquem o "preconceito" e o "elitismo" dos outros em suas retóricas sofisticadas, mas bastante hipócritas.

Como todo empresário de brega-popularesco, o que esses empresários sabem fazer é rir das críticas. E tentam dar a falsa impressão de que estão promovendo o "moderno feminismo brasileiro", quando na verdade apenas exercem parte das pressões que a mídia machista faz na sociedade brasileira, barrando o avanço das conquistas feministas.

INVERSÃO DE VALORES

Já escrevemos isso aqui, mas vale a pena destacar de novo, porque o assunto é pouco debatido. É sobre o fato da mídia machista tentar inverter a imagem da mulher emancipada, como forma de pressionar e aprisionar as mulheres de alguma forma aos valores do machismo.

Assim, se a mulher é intelectualmente emancipada, é capaz de transmitir ideias e opiniões próprias, é capaz de uma boa conversa e tem uma personalidade minimamente interessante, a mídia machista faz o possível para que ela viva sua vida sob a sombra conjugal de um homem, quase sempre empurrando-a para um casamento quase sempre com algum homem ligado a uma posição de liderança ou comando.

Pode ser um empresário, um médico, um engenheiro, ou um homem bem mais velho e poderoso, ou ao menos algum produtor ou diretor de cinema e TV mais influente, homens que não necessariamente possuem personalidade admirável, sendo até mesmo ocos e superficiais fora de sua dedicada reputação profissional.

A mídia machista tenta, com isso, "castigar" as mulheres que se tornam independentes com uma estrutura familiar a mais conservadora possível, dando a impressão, também, de que está trabalhando a "nova imagem" da "esposa brasileira".

Enquanto isso, mulheres que servem aos valores lúdicos do machismo, relacionados sobretudo à tara sexual de homens mais grosseiros, acabam, pelo contrário, sendo quase sempre desprovidas de qualquer relação amorosa, aparentemente premiadas pelo serviço que elas fazem na defesa de uma imagem machista da mulher "desejável".

Só que, enquanto as mulheres independentes são obrigadas a viver com um homem, por mais "chato" e "careta" que ele seja por trás do "admirável profissional" que se tornou, as mulheres que dependem de valores machistas são, pelo contrário, até proibidas de arrumar namorados, chegando a abortar relações amorosas bastante promissoras.

Isso ocorreu muito até com ex-dançarinas do É O Tchan, paniquetes e ex-BBBs. Normalmente a "musa" conhece um homem, os dois trocam carícias, beijos e palavras de amor, e depois que corre o boato de início de namoro, a relação morre aí e a moça em questão diz coisas como "somos apenas grandes amigos", "o cara é tudo de bom, mas não deu, né:" ou "estou sem tempo para namorar".

Há até o caso de funqueiras que escondem suas vidas de casadas para não atrapalhar carreiras. Seus maridos são jogados para bem longe, em locais ignorados. E eles até recebem até presentes importados, toda vez que suas mulheres beijam seus fãs ou são apalpadas por eles. Ciumentos, eles são bem pagos pelos empresários delas e precisam saber que suas mulheres apenas interpretam "personagens".

Na prática, a relação não difere muito de uma atriz do nível de uma Totia Meirelles, que por razões profissionais mora longe do marido, mas vive um casamento estável. Só que as funqueiras precisam fazer sucesso como objetos sexuais, mostrar seus maridos pode afastar seus fãs.

PREJUÍZOS

Os prejuízos causados por isso fazem com que, por um lado, as mulheres emancipadas se tornem mais conservadoras ou extravagantes, enquanto o celibato forçado, ou por vezes falso, das musas vulgares acaba causando o efeito contrário do estímulo ao desejo por parte de seus fãs.

Afinal, as musas vulgares, com suas relações amorosas natimortas, não dão chance aos fãs de saberem que tipo de homem elas querem. Elas acabam rejeitando homens considerados "bem sucedidos" no meio popularesco, ou seja, homens considerados padrão para o machismo "popular", o que impede os fãs de sonharem plenamente com suas "musas".

Em outras palavras, elas acabam sendo indecisas, passando uma imagem de que não sabem o que querem de um homem, que não define direito se elas são exigentes ou flexíveis, na medida em que não sabem se querem homens "durões" ou "legais".

Só essa solteirice que passa mais insegurança e medo do que qualquer gosto pela vida de solteira - até a palavra "solteiríssima", dita por uma funqueira, soa muito forçada, falsa e esnobe, escondendo na verdade uma momentânea briga com seu namorado ou amigo - e faz com que as ditas "mais desejadas" sejam cada vez menos desejadas.

Não é à toa que atrizes teen e jornalistas de televisão no mundo inteiro estão, mesmo no Brasil, passando a perna em muitas "musas populares", no que se diz à admiração pelo público masculino. E não adiantou empurrar as mulheres emancipadas para a vida conjugal, pois elas mantém uma legião fiel e entusiasmada de futuros pretendentes.

A mídia machista, por enquanto, continua empurrando as musas vulgares. Até quando, não se sabe. O que se sabe é que esses empresários querem dinheiro e não estão aí para as transformações sociais que ocorrem em nosso país e que transformam as "popozudas" em verdadeiras hasbeen. O machismo é cego.

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