segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A "DANUZINHA" MAÍRA CARDI E SUA RESISTÊNCIA ÀS MUDANÇAS NO MUNDO


Por Alexandre Figueiredo


"Para os muito exigentes, passa a existir uma única solução: trancar-se em casa com um livro, uma enorme caixa de chocolates --sem medo de engordar--, o ar-condicionado ligado, a televisão desligada, e sozinha". Essa frase de Danuza Leão mostra a resistência de certas pessoas, comprometidas com o status quo midiático, em relação às mudanças que acontecem no mundo afora.

Danuza, expressão das elites "desiludidas" do país, mostrou-se preocupada por que agora o povo tem mais acesso aos bens culturais e de consumo do que antes. Evidentemente essa conquista não é muito bem conduzida pela mídia brasileira, mas se alguém mostrar um disco de Sílvia Telles para uma jovem favelada, são grandes as chances dela sair fascinada diante de tão distinta intérprete.

Pois uma declaração não menos "preocupada" foi publicada recentemente na Internet. Nas redes sociais, a ex-Big Brother Brasil, Maíra Cardi, sentiu-se revoltada com as críticas que recebeu, num texto já reproduzido em artigo deste blog. Desprezando as críticas e as transformações no mundo inteiro, ela chegou a mandar o mundo "se fo..." e dizer que seu objetivo é "ser feliz".

No texto, ela havia dito ainda que não se arrepende de seus atos, que erra "querendo acertar" e que ignora todas as consequências que as críticas que recebe façam com ela. Foi um desabafo muito narcisista, com um quê de politicamente correto, onde ela confunde imprudência e teimosia com liberdade de decisão.

Indiferente às mudanças que ocorrem no mundo inteiro, quando o valor da mulher moderna não se limita ao culto do corpo, mas se estende à expressão de ideias e a uma conversa interessante, Maíra expressa o desgaste das chamadas "musas populares", embora outras como Nicole Bahls, Geisy Arruda e as pseudo-solteiras do "funk carioca" também expressem bastante esse desgaste.

São gafes, falsas polêmicas, em certos casos relações amorosas natimortas, em outros casamentos escondidos "para não atrapalhar a carreira", além da abusiva expressão corporal. Tudo isso alimentando todo um mercado da mídia machista, um processo de manipulação ideológica do inconsciente sexual dos homens pobres, impedindo-os de pensar na necessidade de melhorias de vida.

A situação está crônica, muito grave, e se Maíra Cardi escreveu este artigo, é porque foi duramente criticada. E mostra o quanto ela se sente incomodada com as pressões da sociedade. E, narcisista, ela poderia pelo menos evitar tanto palavreado e escrever um texto mais conciso que diga apenas: "Estou pouco me lixando para as mudanças e estou feliz assim".

Se ela tivesse que escrever seu "manifesto" no Twitter, a pequena frase citada no parágrafo anterior teria mesmo que ser escrita com todas as suas letras. Nota-se uma certa irritação, de um lado, e uma tristeza mal disfarçada, em outro, enquanto Maíra tenta "ser feliz" por nada. Qualquer internauta anônimo nas redes sociais, para justificar sua mediocridade, escreveria um "manifesto" assim, politicamente correto.

Um texto que tenta justificar "nobremente" sua alienação, entendida como "liberdade de ser eu mesmo", sua teimosia, entendida como "liberdade de decisão", mostra a confusão que as pessoas têm entre ser original e estar isolado do que ocorre no mundo. Maíra justificou, em seu texto, o provincianismo que ela tem num mundo onde as Natalie Portman e Olivia Wilde têm mais lugar que Maíra Cardi e Geisy Arruda.

E isso é porque Natalie e Olivia são famosas no mundo inteiro? Não necessariamente. Elas fazem por onde, não sendo meros corpos bonitos. Elas expressam ideias, dão ótimas entrevistas, sabem falar e não fazem feio nas conversas com os amigos. São sensuais e formosas (até de forma natural, sem o silicone das "gostosonas" brasileiras), mas também são capazes de vestir roupas discretas e se comportar discretamente.

Isso é o que incomoda Maíra Cardi. Ela deve achar "chato" ir para um aeroporto com roupas discretas e se comportando como pessoa comum. Logo ela, que não é necessariamente uma famosa importante, mas uma cria de um reality show. E logo quando moças bem mais famosas como Juliana Paes preferem a máxima discrição com toda a naturalidade a que têm direito.

Quem nunca comeu doce, quando come, se lambuza. Quem é realmente famoso sabe o momento que deve se tornar discreto. A fama não é um privilégio, mas muito antes uma responsabilidade social. Mas quem não é necessariamente famoso torna-se exibicionista à primeira oportunidade de fama, mostrando até fotos de banheiro no Instagram, sem medir contextos nem consequências.

Dessa feita, talvez Maíra Cardi, a "danuzinha" protegida pelo rótulo de "popular", e que se acha "muito especial", possa se trancar em casa lendo um livro de auto-ajuda, comendo muitos chocolates sob o vento artificial do ar condicionado e, sozinha, com a televisão apenas ligada nas emissoras "abertas", "feliz" enquanto os ares mudam em todo o mundo.

O mundo está pouco se lixando com os desabafos de uma ex-BBB. A caravana segue, a despeito dos brados desesperados de quem segue os valores "estabelecidos" pela mídia e pela política.

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