domingo, 4 de novembro de 2012

WILLIAM BONNER NÃO É UM ADIDO CULTURAL DA GRANDE MÍDIA


Por Alexandre Figueiredo

Um grande cacoete dos analistas de esquerda é limitar a análise da manipulação midiática ao jornalismo político e, quando muito, ao humorismo. É certo que tais processos ocorrem e são bastante influentes, mas seria ingenuidade dizer que eles são os únicos e que o "povão" é diretamente manipulado por eles.

O "povão" não conhece Merval Pereira. Nem Reinaldo Azevedo, e olha que os exemplares de Veja são espalhados nas barbearias, nos consultórios médicos, ou em outros estabelecimentos onde a demanda popular é certa.

O "povão" não tem paciência para ver Arnaldo Jabor no fim da noite condenando os movimentos sociais. E mesmo a "gatonet" não os estimula a ver o Manhattan Connection vendo Lucas Mendes e companhia - Diogo Mainardi incluído - falando de um Estados Unidos de contos de fadas.

Mesmo o foco provável de manipulação da opinião pública pelo noticiário político, o âncora do Jornal Nacional da Rede Globo, William Bonner, não é necessariamente o principal ou o maior meio de manipulação do inconsciente popular.

Insistentes na tese de que a cultura popular está isolada numa bolha de plástico, intocável pelas politicagens midiáticas - apesar da farra de concessões políticas de ACM e Sarney ter resultado nessas rádios "populares" e em Aécio Neves ser donos de rádios de "sertanejo" - e entranhado apenas na vontade popular.

Grande engano. É na cultura, como foi escrito aqui, que existe o grosso da manipulação ideológica da opinião pública. Solange Gomes é capaz de "urubologias" piores do que Eliane Cantanhede e Miriam Leitão. O cantor Belo faz com o "povão" o que Reinaldo Azevedo sonharia fazer e não pode.

No entanto, o rótulo "popular" soa como um hipnotismo bastante eficaz e, de repente, há quem ache que a revolução social virá de um núcleo pobre de uma novela da Globo. Houve quem apostasse nisso vendo o final da novela Avenida Brasil.

O "popular" santifica qualquer veiculação de valores machistas, de degradação moral, de exploração racista através da caricatura do povo negro pelo "funk carioca" e pelo "pagodão" baiano, pelas gafes e pela burrice das "popozudas", pela violência dos programas policialescos, pelo grotesco nos tabloides "populares".

Todos esses pecados são absolvidos pelo rótulo "popular" que deslumbra muitos intelectuais médios. Eles precisam ter algum contato com o povo que naturalmente não possuem. Daí esse populismo vesgo, torto e associado à mesma grande mídia que esses mesmos intelectuais reprovam. E essa associação é ignorada às vezes por boa-fé, mas em outras é fruto da má-fé mesmo.

Enquanto isso, William Bonner é tratado como se fosse um adido cultural da grande mídia. Não é. E o pior é que até Fausto Silva é poupado pelos analistas midiáticos medianos. É preciso que se mude essa postura. Antes que, por exemplo, os "tão queridos" militantes funqueiros, já integrados ao Instituto Millenium, aprontem coisas piores para as esquerdas que os apoiam.

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