terça-feira, 6 de novembro de 2012

VEJA E SUA DOENTIA OBSESSÃO CONTRA O PT


Por Alexandre Figueiredo

A revista Veja, rancorosa e reacionária, continua brincando daquilo que sua cúpula define como "jornalismo investigativo", que ainda consegue ludibriar leitores "independentes" que ainda dão seus olhos para ler o rol de mentiras e inverdades difundidos pela lamentável publicação da Abril.

Dispensada de mandar representantes para a CPI de Carlinhos Cachoeira, apesar das fortes ligações de Policarpo Júnior com o bicheiro goiano, a Veja se vangloria e pensa ser a dona da opinião pública, mesmo cometendo métodos nada honestos nem éticos para "plantar" notícias ("plantar" é um jargão do jornalismo para criar notícias ou reportagens sem fundamento real, embora bem construídas no discurso).

Veja, na sua neurótica condenação aos movimentos sociais, talvez nem digamos neurótica, mas psicótica, condena até mesmo as populações indígenas, e o próprio direito da sociedade de se organizar em grupos (sindicatos, entidades estudantis etc). Mas quem viu o que Veja foi capaz, não imaginou agora o que ela aprontou recentemente.

Utilizando como fonte, e como única fonte, uma figura sem a menor confiabilidade, que é o publicitário Marcos Valério - como a revista recorreria, quando necessário, ao banqueiro Daniel Dantas - , Veja agora quer trabalhar a "denúncia" de que o ex-presidente Lula teria participado do assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, ocorrido há dez anos.

Segundo a "denúncia", o Partido dos Trabalhadores teria pedido para Marcos Valério enviar dinheiro ao partido para subornar um empresário para que ele não divulgasse informações relacionadas ao crime contra o prefeito de uma das cidades do ABC paulista.

Sem querer defender o PT e admitindo que o partido teria cometido erros e praticado corrupção, dificilmente é possível acreditar nesse depoimento de Marcos Valério. Verdadeiro chefe do mensalão, a mídia subestima esse papel, reduzindo-o a "mero operador". José Dirceu e José Genoíno teriam participado do esquema, mas não são os maiores chefões, nem eles, nem o Lula.

Tentando se apoiar nas declarações duvidosas de Marcos Valério - que, evidentemente, quer se livrar da culpa de piores acusações - , o colunista Reinaldo Azevedo, que em muitas vezes escreve com ódio, mas sem qualquer elegância que em outros tempos expressava o falecido Carlos Lacerda (que era reacionário, mas pelo menos tinha uma inteligência refinada), chamou Lula de "Lula Lelé".

O que preocupa em Veja não é sua discordância com os partidos de esquerda, que em si é aceitável dentro da sociedade democrática em que vivemos. O problema é seu rancor, sua intolerância, que a leva a cometer os meios mais rabugentos e trapaceiros para buscar notícias, e como ela desmoraliza e calunia os desafetos, da maneira mais irresponsável.

O pior é que Veja, mesmo decadente, mesmo rabugenta, antiquada, paranoica e anti-social, ainda é considerada "formadora de opinião" para uma parcela da sociedade. Não deveria, mesmo num contexto ultraconservador em que se encontra a revista. Isso porque a revista é irresponsável, mentirosa e se apoia, quando preciso, em fontes extremamente suspeitas, para forjar suas "reportagens".

Por exemplo. Se for preciso, a Veja entrevista até mesmo um traficante ou miliciano do Rio de Janeiro, ou um membro do PCC, a organização criminosa de São Paulo - que estaria por trás dos muitos assassinatos de policiais e cidadãos comuns na Grande SP - , se ele disser que tem "qualquer coisa contra o PT". Pode ser uma mentira descarada, Veja publica como se fosse uma "revelação".

Isso é muito diferente do que apontar erros que o PT realmente cometeu, ou provavelmente teria cometido. O PT pode ser um partido politicamente fisiológico, admite-se. Mas nem de longe é uma quadrilha mafiosa, como Veja tenta pintar. A Veja lembra aquelas campanhas macartistas que mostravam comunistas caricatos, parecendo mafiosos caricatos mais próximos do vilão Pinguim, das estórias de Batman.

Por isso, a doentia obsessão contra o PT da revista Veja não merece respaldo algum. Mesmo de anti-petistas, direitistas em geral, cimistas ou coisa parecida. Porque a questão já não é mais a discordância ou o questionamento do que o PT fez de bom ou de ruim, mas a doentia obsessão anti-democrática, altamente golpista, de derrubar um partido.

Além disso, o PT não tem só pessoas corruptas. Há muita gente honesta no partido. É bom deixar claro que o próprio PT, nos seus quadros interiores, é uma verdadeira "torre de Babel" no qual saíram as mais diversas dissidências, à esquerda ou à direita do partido. Na Bahia, por exemplo, já perguntam se o apoio do corrupto baronete da mídia Mário Kertèsz não teria abalado a campanha petista em Salvador.

Portanto, a revista Veja mostra-se tão somente uma deformadora de opinião, sendo, de longe, a mais reacionária do que já existe de reacionário na nossa imprensa. Veja não merece confiança alguma, mesmo da sociedade mais conservadora, pela desonestidade e intolerância que a revista representa.

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