sábado, 24 de novembro de 2012

OUVIR MÚSICA É HÁBITO QUASE INEXISTENTE NO BRASIL


Por Alexandre Figueiredo

Quem é que ouve música mesmo no Brasil? Quase ninguém. A constatação parece ofensiva, mas é a mais dura realidade. A maioria das pessoas prefere usar a música como trilha sonora de outros afazeres, em vez de estabelecer um contato pessoal com a mesma.

Vivemos numa realidade frenética, é verdade, e a correria cotidiana impede que as pessoas tenham a serenidade necessária para prestar atenção numa música e avaliar sua qualidade melódica, vocal, harmônica, instrumental etc.

A pressa cotidiana faz as pessoas ao mesmo tempo cansadas e com um pique psicológico que os impede de parar para ouvir um CD com a atenção necessária. Daí que acabam preferindo usar a música como mera trilha sonora para outras atividades.

Por isso é que soa muito falso alguém dizer que "gosta de funk, axé e sertanejo". Ou qualquer um dos três e outras breguices similares. Na verdade ninguém gosta da música brega-popularesca, cuja qualidade é no mínimo sofrível, seria constrangedor para alguém que tem o hábito de apreciar uma música ouvir essas verdadeiras barbaridades.

Afinal, são vozes desafinadas, arranjos medíocres, melodias e letras que não se encontram, músicas iguais umas às outras, letras mal escritas. Só mesmo o marketing para tornar as músicas "palatáveis", além da intelectualidade que cria seus "coitadinhos" a partir desses ídolos de sucesso.

O que as pessoas realmente gostam é do que a imagem publicitária dessas músicas representa. Se "gosta" do "funk", gosta, na verdade, daquela visão de favelas glamourizadas transformadas em paisagem de consumo pela mídia. Ou então gosta dos ambientes escuros e de luzes coloridas das casas noturnas que tocam esse tipo de som.

Se o caso é "forró eletrônico", ninguém gosta da música, o que gosta mesmo é do movimento dos bares, quermesses e boates associados a esse ritmo, e dos rodízios de cerveja oferecidos nesses ambientes de pura curtição. Se for para ir para casa e parar para ouvir um CD do Calcinha Preta e Aviões do Forró, vai achar tudo naturalmente horrível.

A mesma coisa com o brega dos anos 70, o "sertanejo", a axé-music, o tecnobrega e outros. Tudo isso é insuportável para mentes sóbrias e insubmissas à ditadura midiática. O próprio brega nasceu e cresceu num contexto de bebedeira, já que naturalmente suas músicas são insuportáveis, sendo preciso algum "gancho" para aguentá-las e talvez "gostar" delas.

Aliás, a cerveja e os entorpecentes manipulam os instintos e facilitam a pessoa a não só "aguentar" as músicas brega-popularescas, naturalmente insuportáveis, mas tornadas "digestíveis" pela publicidade midiática. Eles favorecem os instintos para que as pessoas se sintam "agradadas" e "confortáveis" com esse tipo de som.

Desse modo, junta-se o ritmo frenético da vida cotidiana, com a publicidade midiática que associa a música brega-popularesca a uma situação "bacana" e a bebedeira e as drogas que eventualmente vêm junto, e temos uma multidão que pensa que está gostando desse tipo de música, quando apenas tem os sentidos manipulados para isso.

Sóbrias e deixadas no sossego e alheias à persuasão da grande mídia, essas mesmas pessoas iriam ouvir esses CDs de brega-popularesco e acharem horrível. Nem a aparência "simpática" de Michel Teló teria feito ele um grande sucesso. Ninguém quer ouvi-lo de verdade.

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