quinta-feira, 15 de novembro de 2012

O "FEMINISMO" QUE A MÍDIA MACHISTA QUER


Por Alexandre Figueiredo

Infelizmente, como sabemos, a mídia machista insiste em "vender" suas "musas" como se fossem grande coisa. E tentam compensar o vazio intelectual dessas mulheres com o máximo de exibição de seus "dotes físicos".

O problema não está numa mulher ser sensual ou mostrar seu corpo, suas formas, usar biquíni etc. Ou nem mesmo de "pagar calcinha" ou "pagar cofrinho". O problema é que essas "musas populares" só fazem isso. E não são capazes de fugir a esse contexto.

O que a mídia ignora é que os homens simples ficam na fossa quando veem que uma Vanessa Giácomo se torna comprometida com um executivo da Fifa. Imagine então o impacto que uma Natalie Portman causou quando se tornou uma mulher casada. Ou então imaginemos alguém se lembrando da atriz Patrícia França, atualmente casada com um empresário.

Infelizmente no Brasil funciona assim: o SEBRAE é uma espécie de "santo casamenteiro". Se alguém quer uma mulher com personalidade, capaz de participar das conversas com amigos e saber de política e cultura, tem que montar empresa ou se tornar profissional liberal.

Se um homem é economista, tudo bem, pode escolher aquela moça culta que, além de entender de política e falar muito bem, tem um gosto musical voltado para a vanguarda. Mas se ele é apenas um servidor público que ainda mora com os pais, não existe esta sorte, terá que pegar, quando muito, uma moça "atraente" que no entanto não tem opiniões próprias e gosta tanto de brega-popularesco que seu toca-CD é podre de tão sujo.

A mídia machista põe lenha na fogueira. Até os troleiros na Internet pressionam para que rapazes comuns, ao menos, "respeitem" as "musas populares". Tudo porque a mídia machista as "vende" como se fossem supostas expressões de um feminismo moderno.

A intelectualidade etnocêntrica - sempre ela - dá seu aval e cria verdadeiros malabarismos retóricos e metodológicos para definir a vulgaridade feminina como se fossem "feminista". Criam associações delirantes com as militantes feministas dos tempos da Contracultura, enquanto a mídia reforça esse simulacro empurrando certas "musas" para eventos GLS dos mais diversos.

Só que isso é muito fácil, pela imagem estereotipada que o público GLS (gays, lésbicas e simpatizantes) têm na grande mídia, como algo próximo de uma festa clubber e distante da verdadeira luta pelo direito de diversidade sexual, sendo mais próxima de Ru Paul do que de Jean Wyllys, ou, na melhor das hipóteses, mais próxima de George Michael.

Isso é fácil porque jogar uma paniquete, uma "mulher-fruta" ou outras do tipo Solange Gomes e Geisy Arruda, numa festa, é muito fácil. São ambientes em que elas expressam seu narcisismo, além da própria vaidade corporal. Elas não têm atitude, são apenas produtos sexuais para agradar os punheteiros de plantão.

Há uma grande diferença entre o verdadeiro movimento feminista e essa pasmaceira "sensual" que se vê na televisão e nos sítios da Internet. Isso porque as feministas não precisam mostrar seus corpos a toda hora, e nem todas elas fazem o tipo "bonita" ou "gostosa". A exibição do corpo não é um fim em si mesmo, mas apenas um detalhe, um recurso menor dentro de outros recursos discursivos e de atitude expostos.

Uma mulher pode ser sensual e no entanto aparecer de vez em quando com roupas discretas. Pode até deixar de mostrar sua formosura física e, numa entrevista, falar apenas de trabalho ou de suas atividades na vida. A verdadeira musa sabe guardar a sensualidade de vez em quando, para não cansar, em vez de mostrá-la a qualquer preço e submeter a realidade a ela.

Daí as críticas violentas que Nana Gouveia recebeu quando posou com roupas sensuais em áreas atingidas pelo furacão Sandy, em Nova York. As críticas foram tantas que Nana depois tentou desmentir que as fotos sejam "sensuais", tal a repercussão negativa que isso causou, gerando até mesmo um blogue com foto-montagens de suas poses inseridas em fotos de tragédias históricas.

Ultimamente, o que se vê nas "musas populares", são gafes, muitas gafes. De Nicole Bahls à Mulher Melancia, passando por Geisy Arruda e Maíra Cardi, tudo o que se vê são atitudes constrangedoras, o que faz afugentar os tais "caras legais" que elas tanto dizem querer namorar.

Daí o problema. Uma feminista não faria gafes desse tipo, e nem mesmo com a frequência com que essas gafes são feitas. A mulher de verdade não vive de factoides, e sabe que uma gafe causa uma repercussão negativa tão forte que não adianta sorrir e se passar por polêmica, porque a gafe causa estragos na vida social, sim.

E a mídia machista não consegue enganar com esse falso feminismo, porque a alegação de "liberdade do corpo" e de "desejo do prazer sexual" não convencem, porque do jeito que o sexo é exposto por essas "musas", elas se tornam escravas desse comércio "sensual", e não livres representantes de uma liberdade sexual que já foi efetivada faz tempo, e que hoje soa banal demais.

Assim como a "liberdade de imprensa" da mídia golpista, a mídia machista não consegue enganar com sua "liberdade do corpo". Ambos são meras "liberdades de mercado" que escravizam a cidadania, desprovida esta da verdadeira liberdade.

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