domingo, 11 de novembro de 2012

O DESPREZO DE SÉRGIO CABRAL FILHO AOS INTERESSES SOCIAIS


Por Alexandre Figueiredo

Na semana passada, durante uma audiência sobre a demolição do antigo prédio do Museu do Índio, ao lado do estádio do Maracanã, houve um grande protesto de tribos indígenas e ativistas sociais. O episódio, que culminou numa tentativa de um índio revoltado jogar um saco de fezes para as autoridades, mostra o quanto o grupo político de Sérgio Cabral Filho despreza o interesse público nas suas medidas.

Esse desprezo passa até mesmo pelo desconhecimento das leis, como se vê no decadente sistema de ônibus implantado há dois anos, e que só trouxe desastres, com ônibus mal conservados, padronização visual que confunde os passageiros e vai contra a Lei de Licitações (que nunca previu que diferentes empresas de ônibus tenham que adotar um mesmo visual) e sobrecarga profissional dos rodoviários.


O grupo político de Sérgio Cabral Filho é um grupo que atua pelo fisiologismo político e que governa para tecnocratas e para as elites. O prefeito Eduardo Paes voltou à ideia absurda de fechar a Av. Rio Branco para fazer um parquinho para burgueses passearem com seus filhinhos, ignorando todo o impacto que isso causará para o trânsito.

Mas, do jeito que estão as coisas, se a Av. Rio Branco ficar fechada, ela virará inevitavelmente uma cracolândia, como "ponto de encontro" dos marginais da Cinelândia, do Passeio e do entorno da Gloria. O "passeio das famílias", além de causar engarrafamentos, trará insegurança.

O desconhecimento de Sérgio Cabral Filho, Eduardo Paes e companhia a respeito do contexto sócio político de suas medidas é tanto que Sérgio, teimoso, só soube na última hora que a demolição do entorno do antigo Museu do Índio, onde vivem várias tribos indígenas, não era exigência da Fifa.

Apesar da Fifa recomendar a preservação da área como um dos princípios de valorização turística do Rio de Janeiro, Sérgio insistiu na demolição da área para construir um novo acesso de saída de torcedores do Estádio Mário Filho (como é oficialmente conhecido o "Maraca"), prometendo transferir os índios residentes para outro lugar.

A mentalidade tecnocrática de Sérgio e Eduardo causam sérios problemas e não resolvem os problemas da Cidade Maravilhosa nem do Grande Rio. O caos na saúde pública, no transporte, na segurança - com a "cracolândia" se deslocando toda vez que a polícia acaba com os antigos redutos - , os desastres nos prédios antigos do Centro carioca etc. fazem a má fama desse grupo político que parece governar para os espanhóis e não para os cariocas.

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