quarta-feira, 21 de novembro de 2012

NINGUÉM GOSTA REALMENTE DE MÚSICA BREGA NO BRASIL


Por Alexandre Figueiredo

Ninguém gosta da música brega e seus derivados. O hábito de ouvir música, para apreciá-la por si mesma é muito raro no Brasil, e em outra oportunidade iremos explicar isso. O que se sabe é que música, para a maioria esmagadora dos brasileiros, é apenas uma trilha sonora para outras tarefas, a apreciação da música em si praticamente é muito rara, para não dizer inexistente.

A mediocrização cultural, no caso da música brasileira, é aceita mais por outros aspectos senão a música. A música é "qualquer nota", quando muito um gancho para desabafos emocionais. Mas a catarse não põe a música em primeiro plano, antes submetesse a música para determinados contextos.

Por isso é fácil transformar qualquer ídolo da mediocridade musical em "gênio". "Tadinho, ele sofreu, seu sucesso é merecido", dizem muitos. A indústria de coitadinhos tenta converter a posição vitoriosa dos ídolos comerciais, promovendo-os como "vítimas de preconceito" para que eles, buscando conquistar novos mercados, sejam levados a sério (e a sério demais).

Além disso, o gosto musical da maioria das pessoas é decidido pela persuasão da mídia. A publicidade em volta dos ditos "sucessos do povão" tenta associações diversas com festas e outras ocasiões que praticamente anulam a necessidade da fruição musical, ou, melhor dizendo, do ato de ouvir música em si, sem qualquer outra ocupação.

Se o povo parar para ouvir as músicas que diz gostar, vai se enjoar de quase tudo. Isso, em se falando de pessoas em estado sóbrio, porque existe também o artifício do uso de drogas lícitas e ilícitas para fazer a pessoa não só aguentar uma música ruim como sentir algum agrado a ela.

As pessoas apenas consomem música. Independente da qualidade, a grande mídia é responsável por 98% da influência nesse gosto. E as pessoas "gostam" de música brasileira - sobretudo a ruim - da mesma forma que "gostam" de automóvel e sabão em pó.

O automóvel também não é considerado necessidade real das pessoas. Ele se torna "necessário" porque há campanhas maciças na televisão que associam o automóvel às festas, ao conforto, à ascensão social, à economia de tempo e por aí vai.

O brega-popularesco, do brega dos anos 70 ao "funk carioca", tudo vira sucesso pela persuasão, além do evidente processo de jabaculê, porque sem ele os "ídolos populares", sem força própria, nada seriam. Tudo é marketing, queiram ou não queiram, e o processo de ouvir música em si é anulado, embora muitos tenham vergonha de assumir tal constatação.

A grande mídia tenta, portanto, associar os milhares de ídolos brega-popularescos surgidos a cada ano a diversos contextos tendenciosos. Mostram desde o novo apartamento de luxo de um ídolo breganejo até o barraco onde o ídolo sambrega passou sua infância. Cria-se até um simulacro de "ativismo social", se for preciso, como no caso do "funk carioca".

Já quando o ídolo brega tornou-se esquecido e à beira do ostracismo, como por exemplo um Odair José, Amado Batista ou Leandro Lehart, a grande mídia retrabalha a imagem deles como "coitadinhos" e os relança ao sucesso. Nada de verdadeiro valor artístico, é apenas um truque publicitário.

A manobra foi tão fácil que a grande mídia até finge que abandona certos ídolos brega-popularescos, deixa-os na "geladeira" durante uns dois anos, e depois os relança como "coitadinhos discriminados". Fica muito fácil, o público se engana fácil com essa campanha e fica com peninha deles. Até do Peninha.

A axé-music, o "sertanejo universitário", o "forró eletrônico", o "pagode romântico" e o "funk carioca", só para citar os ritmos brega-popularescos mais associados a festas e bebedeira, artisticamente valem menos do que nada. Culturalmente, são ocos, sua popularidade se deve mais à associação a ambientes sociais onde esses ritmos são tocados.

Até a bebedeira e o "pó" acabam ajudando para afrouxar e entorpecer os níveis de percepção, fazendo com que as músicas de qualidade duvidosa sejam mais "digeríveis". Junte-se a isso com a persuasão midiática e a verborragia dos intelectuais associados e o sucesso está feito.

Com isso, o "mau gosto" acaba prevalecendo, porque há um comércio por trás, há um esquema publicitário por trás, e com isso o "gosto popular" acaba se submetendo aos interesses e mecanismos de controle do poder midiático.

Isso faz com que aquela música brasileira de qualidade, que tanto constituiu o rico patrimônio cultural que ameaça se perder na memória e é impedido de se renovar, corra o risco de desaparecer. A degradação cultural que atinge a música brasileira não pode ser vista senão como um processo de persuasão midiática, que atendem aos interesses do mercado que enriquece as classes dominantes envolvidas.

Os "sucessos do povão", dessa maneira, tornam-se extensão segura da ditadura midiática, porque sua qualidade duvidosa é dissimulada pelo marketing que, em si, já estabelece a manipulação ideológica que os barões da mídia tanto querem fazer com o povo pobre. E o pior que até a classe média e por vezes de formação universitária vai junto. São as leis do mercado, estúpido!!

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