segunda-feira, 5 de novembro de 2012

MUITA GENTE PARECE VIVER NA ERA COLLOR


Por Alexandre Figueiredo

Junte-se os "urubólogos" da grande imprensa, os troleiros na Internet, a "sede de sangue" da mídia policialesca, a vulgaridade feminina mais grosseira, as gafes de celebridades sem ter o que dizer, a supremacia dos tecnocratas, a violência feminicida, as teimosias de algumas pessoas em jogar lixo no chão e queimar matos.

Toda essa desordem social, de alguma forma descendente de períodos "democráticos, mas nem tanto" da Era Geisel e que eram confirmados sobretudo na Era Collor, pasmem, ainda causam saudade em muitos privilegiados, saudosos de tempos em que não havia a Internet e que as elites detinham o poder decisório em quase tudo na vida.

Os valores se transformam no Brasil, embora longe do ideal, e muitíssimo distante do que os "modernos profetas" de certos movimentos religiosos anunciam como o "novo Eldorado". O Brasil não se tornará potência mundial, diga-se de passagem. Mas é inegável porém que muitos totens vigentes nos anos de chumbo e nas eras Collor e FHC estão sendo derrubados aos poucos.

Muita gente não quer aceitar isso. A fúria troleira na Internet, em primeira instância, investe na desmoralização de textos que contestem valores "estabelecidos" pelo poder político-midiático, mas depois a trolagem é que sofre com a contrarreação da opinião pública, que com o tempo corrobora questionamentos que os troleiros tanto se empenharam em combater com seus comentários jocosos ou violentos.

As eras Médici e Collor - e, por complemento, as eras Geisel e FHC, respectivamente - , representaram a supremacia das tecnocracias (não só da Economia, mas também da Tecnologia, das Comunicações, dos Transportes, da Cultura) na decisão pelas transformações sociais. A supremacia era justificada porque nossos doutores "pensavam o melhor para nós", e que nós devíamos, "ignorantes" a tudo, aplaudi-los.

Era uma espécie de poder civil que tentou prevalecer com a redemocratização. Sobretudo por conta de uma geração de intelectuais e jornalistas que se ascendeu nos anos 70, 80 e 90 a partir de uma linhagem que havia florescido nas pregações ideológicas conservadoras do IPES, o "instituto" que contribuiu para a queda do presidente João Goulart em 1964, patrocinado pelas multinacionais e pela CIA.

O que os analistas de esquerda não conseguem entender, salvo exceções, é que parte dessa tecnocracia, que no seu todo faz deslumbrar os incautos e cria uma legião de fanáticos, tenta se camuflar em "progressista", como se suas promessas mirabolantes estivessem acima dos tempos e das ideologias, mesmo apresentando elas seu caráter excludente, restritivo e paliativo.

 De forma direta ou indireta, a tecnocracia que se ascendeu entre 1970 e 1974 - já respaldada pelos antigos militantes do IPES - e que, fantasiada de "progressista", passou a adestrar uma nova geração que se ascendeu a partir dos anos 90, contribui para os descaminhos que se vê em todos os aspectos da vida humana.

Da Economia à Cultura, passando até mesmo pela mobilidade urbana ou pelas "musas populares", vemos esses descaminhos acontecerem, com gafes, desastres, conflitos entre quem defende o "estabelecido" e quem os contesta, criando um clima péssimo para o país.

Isso contribui para o Brasil ser mais provinciano, com muitas irregularidades, desigualdades, injustiças, complicações. A supremacia dos "donos" da opinião pública, do interesse público, mostram a crise de representatividade em que setores da intelectualidade, da política, da imprensa, do urbanismo e do entretenimento "popular" colocam os interesses particulares em detrimento do verdadeiro interesse público.

Seu paternalismo ocasional não convence. Convém questioná-los sem medo. A trolagem é como um furacão passageiro, que vira brisa fraca quando se questionam também os troleiros. O Brasil precisa progredir. Não será pelas mentes de tecnocratas e sua "cidadania de escritório". Será pelo amplo debate que, felizmente, anda ocorrendo na Internet.

Esse debate pode não fazer o Brasil virar potência mundial, mas pode fazer a diferença na redução das injustiças que o país vive há muito tempo.

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