terça-feira, 20 de novembro de 2012

GRANDE MÍDIA E SEUS INTELECTUAIS MANOBRAM A CULTURA DO POVO POBRE


Por Alexandre Figueiredo

A estratégia, dos barões da mídia e seus intelectuais (não-assumidamente) associados, é de restringir o debate público ao mais privativo possível, quando muito aos sindicatos, organizações sociais, partidos políticos e alguns jornalistas especializados.

O que incomoda os barões da mídia é quando o debate público em torno dos problemas resultantes do capitalismo e as diversas desigualdades sociais deles resultantes vem à tona ao debate das famílias populares, aos botequins, às salas de aula.

Por isso, os barões da grande mídia tentam limitar o debate público ao mais privado possível, enquanto tentam manobrar o povo pobre através de um modelo de entretenimento e de "cultura popular" que transforme as classes populares numa multidão infantilizada, conformista e apenas preocupada com o consumismo e alguns aspectos genéricos de qualidade de vida.

E, para assinar embaixo sobre o que os barões da mídia decidem, sem que no entanto possam confessar a associação a eles, temos uma intelectualidade dominante com seu engenhoso discurso feito para dizer que a "cultura de massa" é a "legítima expressão das periferias".

Defendem a mediocrização cultural achando que essa é a "nova genialidade" das classes populares. Manobradas pelo empresariado do entretenimento "popular", associado a rádios, TVs e jornais controlados por oligarquias regionais, as classes populares são tidas como "autossuficientes" nesse processo mal disfarçado de dominação.

No entanto, nota-se que os problemas de ordem política e midiática ocorrem, e o povo pobre, segundo os barões da mídia, precisa continuar "brincando" na sua "infância feliz" da miséria ideologicamente glamourizada e parcialmente resolvida apenas com medidas genéricas de qualidade de vida, como saneamento e, sobretudo, energia elétrica.

O resto fica por conta da intelectualidade que, com suas monografias, documentários, artigos, colunas, reportagens, entrevistas etc, tenta manipular a opinião pública em geral, tentando neutralizar os questionamentos acerca da mediocridade e degradação sócio-cultural trazidas pela breguice dominante no país.

Vemos os debates sobre o julgamento do "mensalão", a violência ocorrendo em São Paulo, as chuvas ocorrendo em Belo Horizonte e Nova Friburgo, os atos de vandalismo ocorridos em Florianópolis. A tragédia que atinge a sociedade precisa da breguice água-com-açúcar, que desvia as atenções para o debate por melhorias sociais e pela verdadeira cultura popular que escapa aos interesses do paternalismo intelectualoide.

Que justiça social queremos? Para a intelectualidade, que se limitem os movimentos sociais ao consumismo do entretenimento, ou à espetacularização das passeatas. Que diferença tem a "Marcha Deus e Liberdade" de 1964 com a "Marcha da Liberdade" do Coletivo Fora do Eixo, a não ser um certo ranço supostamente contracultural desta última?

Por isso existe a preocupação, um tanto hipócrita, de pensadores de muita visibilidade e, pasmem, de alta reputação entre seus pares, que ficam com medo quando se fala que o povo pobre deveria abandonar a breguice e retomar os antigos sambas, baiões, modinhas, maracatus, cocos, catiras, xaxados etc.

O medo é, pasmem, justificado pela suposta incapacidade do povo pobre de reassumir sua antiga herança, usando alegações de "gosto" e "hábitos" que não podem ser encarados como naturalmente assimilados pelas classes populares, mas estimulados pelo poder persuasivo da grande mídia e seu baronato. Mas são encarados dessa forma.

Isso cria um grande impasse, na medida em que pontos de vista "empurrados" para a mídia esquerdista, induzida e seduzida a aceitar aberrações como o "funk carioca" e o tecnobrega, ou a acreditar que as "popozudas" são "feministas" só porque falam mal dos homens e querem mais sexo, são tranquilamente reproduzidos nos mais reacionários veículos da grande mídia golpista.

O Gilberto Dimenstein que ataca os professores é o mesmo que pensa igual à APAFUNK. O Jornal da Globo de William Waack, Merval Pereira e Arnaldo Jabor é o mesmo que acha o "funk carioca" o máximo. O CQC que humilha os movimentos sociais é o mesmo que exalta as tais "feministas" do "funk carioca".

Pedro Alexandre Sanches continua escrevendo para os leitores da Folha de São Paulo e pensando igual ao seu mestre Fernando Henrique Cardoso, que o colunista-alienígena da Caros Amigos e Fórum diz abominar. E Paulo César Araújo, com seu jeitão "revista Veja" de analisar o folclore popular, continua no seu casulo neoliberal enquanto as esquerdas médias, ingênuas, o elegem como deus-herói de suas causas "populares".

Desse modo, a intelectualidade cultural dominante é uma extensão da ditadura midiática que tenta sobreviver ao seu naufrágio, às vezes embarcando em navios inimigos para dominar suas tripulações com seu proselitismo. Tudo sob as generosas mesadas de George Soros e dos herdeiros de Henry Ford e Nelson Rockefeller.

Enquanto isso, ao povo pobre só se recomenda o consumismo e uma cidadania parcial e passiva, decidida de cima. Nada do ativismo social com a força que se vê nos países da Europa. Tudo dos simulacros de manifestações sociais que os "fora do eixo" querem fazer, com o espetáculo ofuscando e talvez até sufocando as reivindicações sociais.

Esses intelectuais juram que não estão ligados à grande mídia. Mas, na prática, são cúmplices fiéis do baronato midiático. Eles tentam influenciar a opinião pública de que o folclore brasileiro já era e o que deve prevalecer é essa "cultura de massa" que está aí, que, do contrário que se imagina, não é livre como o ar puro, mas é fruto de um esquema engenhoso que envolve politicagem e marketing.

Dessa feita, a grande mídia e seus seguidores querem substituir a cidadania plena pela "cidadania de mercado", com mais consumismo do que qualidade de vida.

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