quarta-feira, 14 de novembro de 2012

DEFENSORES DA MEDIOCRIDADE CULTURAL GRACEJAM QUANDO ACUSADOS DE LIGAÇÃO COM A GRANDE MÍDIA


Por Alexandre Figueiredo

Na "urubologia", as crias não vivem longe do ninho. Mas a intelectualidade badalada no Brasil insiste que sim, que o entretenimento "popular" da grande mídia nada tem a ver com a grande mídia e que é até "discriminada" por ela. Onde essa "discriminação" ocorre é um grande mistério, mas a omissão é muitas vezes é a resposta dos cínicos diante de muitos impasses.

Mas é bastante comum ver na Internet ou mesmo nos meios intelectuais e acadêmicos os "militantes" das atrações brega-popularescas gracejarem quando são acusados de vínculo com a grande mídia. Acham que isso "nada tem a ver", que a "cultura" (sic) que defendem está acima das ideologias, quando na verdade se vê que ela é vinculada aos interesses da grande mídia, sim.

Eles não desmentem, ao menos com a firmeza que se espera, a ligação com a grande mídia, preferindo ir com indiretas como "isso é coincidência" ou "você está desinformado das coisas". Isso quando tentam desmentir com argumentos, porque a reação mais comum é dar risadas ou fazer qualquer gracinha. Tais risadas tentam disfarçar o medo deles serem desmascarados.

Eles tentam, com isso, parecer "ecumênicos" ideologicamente. Sobretudo os homens que estão por trás no "respaldo" empresarial das "popozudas", ou nos "humildes produtores culturais" que controlam a Música de Cabresto Brasileira, que para quem ainda não sabe, é a dita "música do povão" do mercado e da mídia.

Eles usam o rótulo "popular" como escudo. Podem ser neoliberais, mas graças a esse rótulo, podem se passar por "progressistas", anunciando os grandes ídolos de sucesso na mídia como "coitadinhos em busca de um lugar ao Sol da cultura de qualidade".

No "funk carioca", por exemplo, seus "militantes" tentam fazer jogo duplo com sua causa. Quando vão para a grande mídia, eles aparecem como "vencedores", esbanjando narcisismo e o mais aberto estrelismo. Quando vão para a mídia alternativa, posam de "coitadinhos" e "perdedores", se julgando vítimas de uma discriminação que não existe.

Eles simplesmente não desmentem quando vaza alguma associação deles com a grande mídia, ou mesmo com entidades como o Instituto Millenium. Como não é alguém que faça frente ao privilégio de visibilidade que pessoas como Hermano Vianna, MC Leonardo e Pedro Alexandre Sanches possuem, praticamente monopolizando os microfones das palestras, ninguém se sente incomodado com tais associações.

Eles apenas não afirmam nem desmentem. Usam a omissão como única resposta possível. "Se eu detenho a visibilidade, nada me incomoda", dizem. "Falem o que querem, mas falem de nós", acrescentam. Acham que estão felizes só porque "são falados", alimentam a falsa reputação de "polêmicos" através dessa omissão.

No entanto, os "militantes" funqueiros, assim como outros com métodos parecidos, como os empresários do entretenimento popularesco em geral, se associam à velha grande mídia com muito gosto. Para eles, questões como a campanha pela regulação da mídia e o problema do reacionarismo da revista Veja são coisas puramente inúteis.

Os defensores da mediocridade cultural são gente de "duas caras", que se passam por "progressistas" enquanto nos bastidores eles andam de mãos dadas com os barões da grande mídia, num apaixonado namoro escondido. Se acham protegidos pelo rótulo "popular" e pelo mito de que não existe politicagem na "cultura de massa" brasileira.

Se eles vão divulgar seus "produtos" em Veja ou compactuam com a Rede Globo, com as "mulheres-frutas" abraçando até o humorista Marcelo Madureira, eles pouco importam. Eles "lavam as suas mãos". E ainda cometem o cinismo de se dirigirem às mídias progressistas para se passarem por "vítimas" ou bancarem os "defensores do povo".

Mas suas sutilezas têm limites. O discurso é bastante parecido com os "urubólogos" da mídia. Se os reacionários comentaristas da grande imprensa dizem defender a "liberdade de imprensa", eufemismo para o poder dos barões da grande mídia, os empresários do entretenimento dizem defender a "liberdade do corpo" que serve de pretexto para a exploração da imagem da mulher como um objeto sexual.

É bom tomar cuidado com essas pessoas. Elas não estão aí para a verdadeira defesa da cultura popular nem com a regulação democrática da grande mídia. Para eles, é melhor que a velha grande mídia fique como está, porque o que eles querem é tão somente ganhar muito, muito dinheiro. Para eles, "cidadania" se escreve com cifrão.

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