domingo, 25 de novembro de 2012

AS MUSAS "POPULARES" E SEU "CELIBATO" NUM PAÍS DE MULHERES COMPROMETIDAS


Por Alexandre Figueiredo

Num país onde as mulheres com alguma personalidade mais expressiva se comprometem com maior facilidade, é estranho o aparente celibato das musas "populares" e as relações que parecem se dissolver com maior facilidade.

É como se, àquelas mulheres cultuadas pelo "povão" - ou pelo menos este é o interesse da mídia mais popularesca - , houvesse a proibição de se casarem, ou, quando muito, se permitem aberrações como namoros de três semanas ou casamentos de três meses. Ou então relações-relâmpago com pretendentes que tais mulheres acham "tudo de bom", mas mesmo assim acabam lhes dando o fora.

Isso repercute mal e, quando alguém tenta acusá-las de "garotas de programa", elas se irritam e ameaçam fazer processos judiciais. Mas o "mercado" das chamadas "boazudas", alimentadas pela mídia machista, se alimentam dessas situações constrangedoras.

Elas cometem gafes intermináveis. Só vivem para mostrar seus corpos na mídia. Jogam fora oportunidades de relações amorosas estáveis. Só dão entrevistas para falar de sexo, vida amorosa e culto ao corpo, isso quando não dizem bobagens. E, tidas como "as mais desejadas do país", parecem demonstrar o contrário disso tudo.

Isso poderia ser normal, se não fosse um detalhe: a maioria esmagadora de atrizes, modelos e jornalistas consideradas atraentes e com uma personalidade minimamente interessante, são quase sempre comprometidas e boa parte delas é muito bem casada.

São mulheres que se destacam no mundo das celebridades, como Juliana Paes, Deborah Secco, Ticiana Villas-Boas, Mariana Ximenes, Luana Piovani, Alessandra Ambrósio, Patrícia Poeta, entre outras. Todas marcadas pela beleza e charme, sem sucumbir à vulgaridade.

Elas são comprometidas, mas, em contrapartida, as musas "populares" tipo Geisy Arruda, Maíra Cardi, Nicole Bahls e outras, ou sofrem "carências amorosas", ou engatam relações-relâmpago que no máximo não vão além de uns poucos meses de casamento. Para não dizer as paquerinhas de duas horas feitas para "plantar" notícias.

A mídia jura que estas mulheres são "as mais desejadas do país", mas elas, estranhamente, passam uma imagem de "encalhadas", mas quando se envolvem com possíveis pretendentes, há sempre aquela conversa dada por cada uma: "Ele é muito legal, ele é tudo de bom, mas decidimos que só somos grandes amigos".

O CASO VIVIANE VICTORETTE E O DAS FALSAS SOLTEIRAS DO "FUNK"

A atriz Viviane Victorette é uma dessas musas que havia sumido da mídia por causa do casamento com um jovem empresário. Embora ela não fosse tão famosa quanto Deborah Secco, por exemplo, ela se enquadra no perfil dessas musas de verdade que facilmente se estabelecem em relações amorosas.

Pois ela havia se retirado dos holofotes por duas razões. Uma, para ficar próxima à filha e, outra, por ciúmes do marido, que não a queria ver contracenando com outros homens. Recentemente, ela teve que negociar com ele a volta à televisão, para a nova novela das seis da Rede Globo.

Esse caso ocorre poucos dias após um outro, quando uma conhecida dançarina do "funk carioca", uma dessas "mulheres-frutas" que tinha "nome de carne", havia anunciado que "estava solteira". Famosa por ter um marido encrenqueiro, a funqueira, na sua reformulação da carreira, aparentemente teve que se separar dele, para não comprometer sua carreira profissional e evitar a frustração de seus fãs.

Só que, no "funk carioca", onde há muita farsa, muita fraude e muito jabaculê, suas musas adotam essa "separação" como um golpe publicitário. Na verdade, elas continuam tão comprometidas quanto uma Ticiana Villas-Boas, mas o contrato estabelece uma distância entre elas e seus namorados e maridos que, pelo porte físico "durão", são ameaça potencial ao sucesso que elas têm entre seus fãs.

Até mesmo a expressão "está solteiríssima" não é mais do que uma maneira de dizer. Primeiro, porque a suposta solteirice não é dita por convicção, mas com arrogância e um estranho alarde que mais parece um ato de forçar a barra. Segundo, porque é um eufemismo para dizer que a funqueira geralmente "brigou" com seu cônjuge e foi aparecer desacompanhada no dia seguinte.

Para entender a situação, vamos fazer uma comparação. Digamos que o marido de Patrícia Poeta, o jornalista Amaury Soares, tenha que passar um ano inteiro nos Estados Unidos. Ele não chegou a esse tempo, mas já ficou longe da esposa por seu trabalho como executivo da Globo Internacional. Mas digamos que ele passe um ano comprometido com esses negócios.

Aí, de repente, a mídia diz que Patrícia Poeta "está soltinha" ou coisa parecida, só porque o marido passa uns dias distante dela. E a jornalista e co-apresentadora do Jornal Nacional da Rede Globo é fotografada desacompanhada de outro homem adulto, apenas acompanhando, de vez em quando, seu filho.

É isso que acontece com pelo menos duas funqueiras, essa que havia anunciado que "está soltinha, soltinha" e outra que havia recebido uma moto importada depois de ter beijado um fã. E que os espertos empresários do "funk carioca" fazem para evitar que os maridos dessas duas tenham algum ciúme doentio, e isso depois que um ex-namorado de uma dançarina do MC Créu havia assassinado, por ciúmes, outro namorado dela.

Esse celibato contratual é uma coisa muito estranha e sem motivo, mas que rende um bom dinheiro para os homens que controlam a mídia machista e precisam "vender" suas "musas" para o grande público, às custas sobretudo de "generosas" notas publicadas diariamente em portais como Ego, das Organizações Globo, e R7, da Rede Record.

DESIGUALDADES SOCIAIS

Esse mercado, que ainda tem o cinismo de forjar um falso feminismo para suas "musas" - principalmente pela imagem forçada de "solteiríssimas" que elas têm que apresentar para o público, que entende isso como sinal de "independência" - , é alimentado pelo mais absoluto sensacionalismo, pela vulgaridade explícita e pela falta de escrúpulos em produzir factoides e criar falsas polêmicas com as inúmeras gafes cometidas.

Além de avacalhar com a imagem da mulher solteira no Brasil, explorada pela mídia "popular" como se fosse uma vadia ou como uma mulher que "valoriza o seu corpo", mas se torna uma completa inútil em outros aspectos, a mídia machista contribui para o aumento das desigualdades até mesmo no universo das mulheres famosas.

Isso porque a grande mídia acaba criando um contraste que desequilibra as conquistas feministas. Ela define a mulher de personalidade, independente e inteligente, como aquela que precisa necessariamente viver uma relação estável com algum marido, geralmente de poder aquisitivo e decisivo maior. Neutraliza a figura da mulher independente do feminismo com a adesão a uma estrutura conjugal típica do machismo.

Em compensação, a mídia empurra as "mulheres-objeto" a uma imagem associada a uma solteirice fácil, ainda que seja uma falsa imagem, para contrabalançar a submissão delas a uma ideologia lúdica machista com uma falsa independência sócio-afetiva, trabalhada até mesmo por cientistas sociais "de nome" como se fosse uma independência sócio-econômica.

Essas desigualdades sociais acabam travando o avanço das conquistas femininas, na medida em que, por dois caminhos, prolonga também as condições machistas, já que, por um lado, submete a imagem da mulher emancipada ao controle "racional" dos homens "poderosos", e, por outro, "libera" as mulheres comprometidas com o lazer machista de viverem diretamente sob a sombra dos homens.

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