sábado, 3 de novembro de 2012

A "MPB DE MENTIRINHA" E SEU ELITISMO


Por Alexandre Figueiredo

A pseudo-MPB feita por ídolos vinculados à música brega - como vários ídolos do "sertanejo", do "pagode romântico" e da axé-music - , sabemos, não resolveu quaisquer dos problemas associados aos vícios da MPB pasteurizada pela indústria fonográfica nos anos 80.

A única coisa que realmente mudou foi que a indústria fonográfica substituiu os artistas de MPB que, descontentes com as regras impostas e com a obrigação de gravar às pressas discos de carreira, saíram das grandes gravadoras, pelos ídolos neo-bregas que começaram a fazer grande sucesso em 1990.

De acordo com o ditado "quem não tem cão, caça com gato", os executivos da indústria fonográfica, em aliança com a Rede Globo de Televisão, resolveu dar um tratamento cosmético aos ídolos neo-bregas que surgiram no bojo da pseudo-sofisticação de Sullivan & Massadas. Michael Sullivan, por sinal, havia sido o "Ali Kamel" da música brasileira nos anos 80, de mãos dadas com a Rede Globo.

Pois os "filhos" de Michael Sullivan - que hoje posa de coitadinho para iludir as esquerdas e entrar nos redutos da MPB autêntica - passaram a fazer tributos tendenciosos à MPB organizados pela grande mídia e pelas grandes gravadoras.

PRÓPRIA MANEIRA DE VER A MPB É "ELITISTA"

A geração neo-brega que passou a fazer esse "simulacro de MPB", como Alexandre Pires, Chitãozinho & Xororó, Ivete Sangalo, Zezé di Camargo & Luciano, Leonardo, Daniel, Belo e Exaltasamba (inclui Thiaguinho e Péricles) e, num contexto pseudo-tropicalista, nomes como Latino, Banda Calypso, É O Tchan e Michel Teló, em nada romperam com os vícios que os queixosos faziam contra a MPB oitentista.

Pelo contrário, mudam-se os jogadores, mas o jogo é completamente o mesmo. E os atuais jogadores jogam com muito mais gosto do que os anteriores. Portanto, é a mesma fórmula de muita pompa, muito luxo, sofisticação forçada, elegância em excesso, mas criatividade zero.

Os neo-bregas que passaram a fazer a "MPB de mentirinha" são até mais submissos às imposições do mercado. E são cercados de diretores de TV, arranjadores, produtores, empresários e assessores de imprensa que dão apenas um aparato "mais sofisticado", camuflando a mediocridade artística deles da melhor maneira para fazê-los parecer convincentes.

A intelectualidade associada até tentou defini-los como "verdadeira MPB", uma denominação com um quê de cínica, demagógica e provocativa. No entanto, a "MPB de mentirinha" é o termo mais coerente, pelo fato de que nenhum desses ídolos neo-bregas conseguiu resgatar a criatividade original dos grandes artistas populares.

Pelo contrário, o que se via era uma alternância entre covers de sucessos manjados da MPB e um repertório autoral que repetia a mesma breguice dos anos 90, apenas com a intervenção pseudo-sofisticada do arranjador de plantão. Nenhuma criatividade, e os ídolos envolvidos, em vez de se tornarem mais artistas, se tornaram apenas fetiches do mercado da fama e do entretenimento.

A própria visão de MPB desses ídolos é um tanto elitista. A MPB não é algo que se encontra nas classes populares e mesmo os bregas mais pretensiosos pensam assim. A MPB, para eles, é como um pico alto a ser atingido pelo seu alpinismo artístico, algo próprio das elites sofisticadas.

Na visão deles, eles só se "tornam MPB" quando passam a vestir roupas melhores, adotam melhor tecnologia, maior técnica e melhor publicidade. Ou seja, a chamada "MPB burguesa", nos seus piores conceitos, não está na turma sofisticada da gravadora Biscoito Fino, mas nos neo-bregas que brincam de "fazer MPB" nos estúdios das grandes gravadoras.

Tudo fica elitista, os ídolos "populares" apenas atingem novos espaços de mercado, cantando ou tocando para plateias mais abastadas. Isso não faz um ídolo "sertanejo", "pagodeiro romântico" ou axézeiro mais artista, nem seu reconhecimento na cultura popular é sequer efetivado. O que eles se tornam apenas são celebridades se apresentando para plateias mais ricas, mas não necessariamente melhor aculturadas.

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