segunda-feira, 26 de novembro de 2012

A INDÚSTRIA DE CERVEJA E O BREGA-POPULARESCO


Por Alexandre Figueiredo

A institucionalização do jabaculê musical como o "novo folclore brasileiro" não conta somente com um poderoso lobby de barões da grande mídia e de intelectuais associados. Ela conta também com um poderoso rol de patrocinadores, e aqui podemos destacar a indústria de bebidas alcoólicas, sobretudo cerveja, que se beneficia com várias tendências musicais "populares".

Desde os primeiros ídolos cafonas, a propaganda subliminar do alcoolismo era feita, para favorecer os lucros exorbitantes que a bebedeira traz para os fabricantes. A "cena" brega, já nos anos 60 e 70, evocava, nos subúrbios e cidades do interior em todo o Brasil, ambientes de grande consumo de bebidas alcoólicas.

A propaganda recente sobre o brega também exalta esses ambientes que, pasmem, são definidos como "progresso social" ou como "o prazeroso lazer das classes populares". Evidentemente, intelectuais não são santos e sabemos que há muito intelectual de nome que "enche a cara" e "consome pó".

A maior parte dos estilos brega-popularescos vai nesse caminho. Do brega original dos anos 60-70 - que chamamos de brega setentista, por causa da época de seu maior sucesso comercial - ao "sertanejo universitário", passando pelo "funk carioca" e pela axé-music, a ênfase da cerveja ou mesmo da bebedeira em geral é muito grande.

A ideologia brega original já definia o alcoolismo como o "lazer definitivo" de homens pobres de meia-idade e sobretudo idosos, "confortavelmente" acomodados nas mesas de bar ao som da mais escancarada breguice musical. A desculpa dos intelectuais é que isso é uma "tradução moderna" das antigas boemias populares do Brasil do século XIX ou da Europa de tempos ainda mais antigos.

Nos últimos tempos, o que se via, em todos os estilos brega-popularescos, em várias regiões do país, era a associação dessas músicas com eventos que se destacavam pelo estímulo ao alto consumo de cerveja, que além de transformarem suas próprias empresas em impérios industriais, também enriqueciam os "humildes" empresários do entretenimento brega-popularesco.

Vários ritmos como "sertanejo universitário" e "forró eletrônico" apresentam músicas que exaltam a bebedeira, com títulos ou frases tipo "eu bebo mesmo" e "vou beber e vou zuar". Mas mesmo a "sofisticada" dupla Leandro & Leonardo, da qual sobrou este último (prestes a se aposentar), também cantou uma música, em arranjo brega "country", intitulada "Cerveja".

A axé-music tem um bloco chamado Cerveja & Cia.. Os eventos "populares" de "pagodão", tecnobrega, "forró eletrônico", chegam mesmo a promover rodízio de cerveja ou generosos descontos, tudo feito para atrair a já alta demanda para essa bebida.

A bebedeira é, para os executivos envolvidos, um meio ótimo, porque entorpece os sentidos, diminui o senso de discernimento e faz com que músicas completamente medíocres sejam assimiladas com maior facilidade.

A bebedeira e a associação publicitária dos sucessos brega-popularescos com festa e reunião de jovens considerados atraentes faz com que a popularização se torne certa, mandando qualquer "abominável" avaliação estética às favas, porque a música ruim acaba parecendo "boa" depois de um pileque.

Isso garante tanto os lucros exorbitantes dos fabricantes de cerveja quanto o enriquecimento financeiro dos empresários da música brega-popularesca. O mercado se alimenta pela bebedeira reinante, prolonga modismos, fortalece um mercado onde o povo não é o maior beneficiado e, não raramente, é prejudicado porque a bebedeira traz sérias doenças no futuro.

E os intelectuais ainda insistem que os empresários da música brega-popularesca são "pobrezinhos" e que o mercado que a alimenta é "muito modesto". Vá entender...

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