sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A DIREITA CAMUFLADA NO ESQUERDISMO CULTURAL


Por Alexandre Figueiredo

Enquanto se discute as artimanhas da direita no âmbito político, no âmbito cultural intelectuais comprometidos com a visão neoliberal aplicada à cultura populartentam se passar por progressistas, insistindo em fazer proselitismo na mídia e nos círculos de esquerda no país, em busca de pessoas com senso crítico mais frágil que possam aderir a eles.

É um grande lobby intelectual que este blogue analisa há tempos, e que raramente se vê em outros meios, mesmo na mídia esquerdista. E são visões que, no exterior, possuem análises equivalentes e urgentes. Lá se discutem as artimanhas da indústria cultural. Aqui não. Aqui qualquer mediocridade é exaltada, e as baixarias são postas na conta do falecido poeta Gregório de Matos.

Trata-se de uma estranha intelectualidade respaldada pelos esquerdistas mais débeis. Uma intelectualidade que se apoia no termo "popular" como uma muleta para suas visões neoliberais sobre cultura terem trânsito e respaldo nos círculos esquerdistas.

Seus nomes são fartamente descritos aqui, como em outros textos sobre o brega-popularesco podem mostrar. E todos eles defendendo tendências musicais, televisivas ou comportamentais que reafirmam valores retrógrados, mas se apoiam no termo "popular" para terem sua validade assinalada.

Eles bajulam a cultura brasileira autêntica, elogiam os grandes mestres da nossa música, exaltam os grandes personagens do ativismo social. Um discurso bastante sedutor, mas falso. Por debaixo dos panos, eles querem empurrar os ídolos musicais postiços da "MPB de mentirinha" do brega engomado, os cafonas "coitadinhos" querendo retomar a carreira, as "musas" vulgares com seu celibato forçado etc.

EVITAR A REBELIÃO SOCIAL, "PRIVATIZANDO" O DEBATE PÚBLICO

A intenção é distrair as classes populares contra os privilégios das elites. Distrai-se com uma pseudo-cultura cuja mediocridade é associada pela grande mídia à ideia do "popular". Um povo caricato, estereotipado, mas "feliz", uma imagem trabalhada para que até mesmo as esquerdas mais vulneráveis apoiem, na medida em que a retórica do "popular" e seus clichês adotam um verniz otimista e sonhador.

A cultura de verdade há muito não está mais ao acesso das classes populares. A baixa escolaridade é resultante de um processo educacional viciado, mas até mesmo as propostas educacionais são esvaziadas pelo discurso midiático, que reduz a Educação apenas ao aprendizado rudimentar e "instrumental" de leitura e escrita.

A cultura de verdade está nas mãos das elites, "sequestrada" por uma classe média alta que prefere ver o povo pobre consumindo engodos radiofônicos e lixo televisivo e jornalístico - inclui até mesmo a "divertida" imprensa "popular" - do que lutando por melhorias.

Desse modo, os neoliberais infiltrados na esquerda intelectual média querem neutralizar o debate público, "privatizando-o" numa polaridade entre uns poucos ativistas sociais, sindicais e midiáticos de esquerda e a direita jornalística e política.

Com isso, evita-se, ou pelo menos diminui o potencial de rebeliões sociais e revoltas populares, reduzindo os debates públicos a "especialistas" enquanto o "povão" é marginalizado na sua sina infantilizada do entretenimento mais cafona e pelo consumismo dele resultante. Tudo dentro dos clichês de "cidadania", "diversidade cultural" e "liberdade" que aos barões da grande mídia interessa permitir ao povo pobre.

E agora, de forma a perpetuar todo o mercado e toda a "lavagem cerebral" ideológica, o brega-popularesco promovido pela grande mídia agora tenta ser empurrado para o público de classe média e, talvez, o mais abastado possível, para evitar a retomada do antigo folclore que poderia despertar o povo pobre para ir às ruas em maior quantidade.

O povo pobre não pode mais ter a cultura de seus antepassados, é melhor jogar a pseudo-MPB de Thiaguinho, Belo, Alexandre Pires, Latino, MC Buchecha, Leonardo e Daniel, ou então a pseudo-sofisticação "plena" de Ivete Sangalo do que recuperar para o gosto popular os sambas, maracatus, baiões, modinhas, afoxés, lundus e maxixes há muito arrancados do seio de seus criadores.

As moças pobres não podem lutar por melhoria de vida, têm que remexer os glúteos primeiro ou então, quando não muito atraentes para os homens, choramingar diante das cafonices do "pagode romântico" e do "sertanejo". Os rapazes pobres precisam se "distrair" com a supervalorização do sexo, do futebol e de outros supérfluos, para evitar a conscientização de seus próprios problemas.

Enquanto isso, simula-se toda a "perfeição", até o ativismo social é simulado pelo discurso intelectualoide. Tudo para dar a impressão de que a manipulação das classes populares não existe e que somente os comentaristas políticos da imprensa é que manipulam o povo que nem sequer sabe quem são e o que pensam esses jornalistas.

Desse modo, as melhorias não aparecem. Apenas cria-se um paliativo de "progressismo", conversa para boi dormir, enquanto exportamos o que há de pior de nossa cultura, seja Michel Teló ou Nana Gouvea. E muitos ainda acreditam que é com isso que o Brasil vai virar potência mundial. Quanta ingenuidade...

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