terça-feira, 30 de outubro de 2012

TURISMO SEXUAL E EXPLORAÇÃO ERÓTICA DAS MOÇAS POBRES


Por Alexandre Figueiredo

Uma investigação policial apontou que a Rocinha, bairro da cidade do Rio de Janeiro localizado no trajeto entre o Leblon e a Barra da Tijuca, tornou-se um polo de turismo sexual e de tráfico de mulheres. Muitas mulheres pobres são exploradas e vendidas por suas próprias mães para o mercado erótico clandestino, um drama cujos casos similares revelou tragédias e miséria.

O turismo sexual na Rocinha virou um mercado ilegal potencial depois que o tráfico de drogas foi expulso da favela para a instalação da chamada Unidade de Polícia Pacificadora. E o esquema de prostituição inclui sobretudo menores de idade. Mas o turismo sexual é um assunto muito mais complexo do que se pode imaginar.

Afinal, a exploração sexual das jovens pobres, apesar das denúncias divulgadas fartamente pela grande mídia, são estimuladas pelo próprio entretenimento "popular" dessa mesma mídia. Certamente há uma diferença, até de gente envolvida, entre as equipes de telejornais que denunciam a prostituição de menores e os programas de entretenimento que incitam a "sensualidade juvenil" no "povão".

As jovens pobres acabam sendo ideologicamente induzidas para a sexualidade. E, num contexto de mediocridade e vulgaridade do brega-popularesco, elas, na sua escolaridade precária, acabam até mesmo sendo estimuladas a "se oferecerem" para os homens. As próprias rádios, TVs e jornais "populares" estimulam isso.

Elas classificam como "modelos de mulheres bem-sucedidas" aquelas que só são famosas pelos dotes físicos, e mostram uma "sensualidade" um tanto grotesca e fácil. Com isso, as moças pobres acabam se identificando com elas, algumas associadas, direta ou indiretamente, à trilha sonora dessa "liberdade do corpo" sem alma: o "funk carioca", o forró-brega e o "pagodão" baiano, entre outros ritmos.

A mídia insere nas moças um "mundo de mil possibilidades" e a ideologia apologética do brega-popularesco as empurra para assediar até mesmo homens de classe média, mas com perfil mais modesto. As moças pobres tornam-se vulneráveis a qualquer galanteio, qualquer homem que pergunte a uma delas que horas são já as faz sexualmente excitadas e prontas para o assédio.

Em Salvador, isso é levado ao extremo. As moças pobres não medem qualquer cautela na escolha dos homens. Não medem afinidade nem segurança, olham para qualquer um como se acreditassem ver neste um príncipe encantado. Mergulham em fantasias sem fim. Esse "mundo de sonho" é armadilha certa para várias dessas moças se venderem para redes de prostituição no exterior.

Isso porque elas não foram estimuladas, seja pela escola ou pela mídia, ou mesmo numa estrutura familiar onde até os pais são sub-escolarizados, a tomar qualquer cautela na escolha de um homem. Se cismam com rapazes de classe média da vizinhança, pouco importa se eles não as desejam, elas os assediam como se fosse certo que viessem a se casar com eles. Elas não medem afinidades e pensam que são desejadas por todos os homens.

Mas se aparece um traficante de mulheres vestindo bermudão e tênis e parecendo galã de novela e este se chega a elas amistosamente, essas moças se empolgam achando que todas as portas da felicidade estão neste homem. Não sabem o quanto um homem desses pode ser perigoso.

O CASO DO NEW HIT

As moças acabam sendo induzidas, pelos valores transmitidos pela mídia popularesca, a seguir o ditado "a formiga, quando quer se perder, cria asas". Esnobam os homens de seu meio só porque eles querem jogar pelada nas manhãs de domingo. E, o que é pior, a afinidade acaba se tornando um fator repulsivo e não atrativo, como deveria ser.

Seja nos "bailes funk" do subúrbio carioca e da Baixada Fluminense, seja no "pagodão" da Região Metropolitana de Salvador, as moças pobres acabam aderindo a uma "sensualidade" grosseira sem limites. E se tornam "oferecidas" porque a mídia achou que isso era "romper com o preconceito" e "estimular a auto-estima das moças da periferia".

Só que isso dá em prejuízo. Primeiro, porque entrega as moças pobres ao cenário machista de sexo libertino e fácil. Segundo, porque isso as torna vulneráveis diante do risco de serem estupradas, como ocorreu no caso das fãs do grupo de pagodão New Hit, numa cidade do interior da Bahia.

Aproveitando o assédio fácil das fãs, os membros do New Hit acabaram forçando elas a fazerem sexo com eles. Eles foram denunciados pelas vítimas e o laudo confirmou que eles cometeram o estupro. Mas, nas redes sociais, muitos internautas acabaram também criticando as moças, alegando que elas primeiro se ofereciam, para depois recusarem.

EDUCAÇÃO E PREVENÇÃO

Seria muito melhor que a sociedade, além de possibilitar a punição a quem estabelece qualquer exploração erótica, pressionasse a mídia a tomar cautela na divulgação da sensualidade feminina, evitando qualquer tipo de vulgaridade.

É necessário sobretudo repudiar a mídia machista, mesmo que sejamos acusados de "moralistas" ou coisa parecida. A mídia machista vai alegar que a "sensualidade" que promove através das mulheres vulgares é um "tipo diferente", ou que isso é "liberdade do corpo" (à maneira que os "urubólogos" falam em "liberdade de expressão").

Além do mais, a educação escolar ou familiar seriam formas de prevenção das mulheres pobres quanto a seus impulsos sexuais. Nem todos os homens as desejam e também nem todos os homens são confiáveis. Além disso, nem sempre sonhar alto demais garante a felicidade esperada. A qualidade de vida se dá com luta e trabalho, e não com privilégios dados de bandeja.

É necessário instruir as moças pobres a repensar a vida sexual e amorosa, ver os riscos e as vulnerabilidades, para evitar uma libertinagem que pode ser arriscada e fatal e pensar na afinidade como critério maior de vida amorosa.

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