terça-feira, 16 de outubro de 2012

QUANDO O CORPO SE SOBREPÕE À PERSONALIDADE


Por Alexandre Figueiredo

Maíra Cardi de biquíni. Geisy Arruda de camisolinha. Miss Bumbum de shortinho. Ex-BBB Fabiana na banheira. Ainda tem a Maysa Abusada "mostrando demais".

Não há coisa mais irritante, para muitos homens, do que mulheres que se reduzem a ser meros corpos em mostra, feito carnes de rua. Mas a mídia machista tem um lobby fortíssimo e, como se aproxima o Carnaval, que será em fevereiro do ano que vem, mas publicitariamente começa a ser trabalhado este mês, as "musas populares" insistem em mostrar seu espetáculo da mesmice.

Sem ter o que dizer, sem mostrar ideias, sem falar de outras coisas, elas ainda são defendidas pelos seus fãs que, pasmem, gostam que elas não sejam inteligentes. Para eles, é "melhor" que elas mostrem apenas o corpo, enquanto eventualmente quebram a rotina com suas gafes intermináveis.

No entanto, elas começam a ser ofuscadas por outras musas, que mostram uma formosura física mais natural e menos siliconada, e que começam a se tornar até mais desejadas. Débora Falabella, aparentemente magrinha, ganhou destaque na mídia pela paixão declarada do colega Murilo Benício, mas também é conhecida pela sua beleza, charme e inteligência.

A concorrência das musas não-vulgares - outras que se destacam, no momento, são Nathália Rodrigues, Ísis Valverde e Mariana Ximenes - também tira o sono das chamadas "musas populares", embora nada influa para que estas deixem de ser reles corpos à mostra.

Mesmo leves associações a alguns eventos de lazer, como uma "boazuda" pegando onda e outra "boazuda" mostrando foto no Instagram, conseguem melhorar a situação. A "liberdade de corpo" se reduz a uma desculpa para uma farsa em que mulheres incapazes de ter opinião própria ou referenciais culturais relevantes se limitam apenas a se servir de objetos sexuais para um público de machistas mais grosseiros.

O corpo se sobrepõe à personalidade, e o pior é que a mídia empurra essas musas para homens de perfil mais diferenciado. Em vão. Elas declaram que querem "homens mais simples" ou "caras legais", às vezes recusam até pretendentes considerados "galãs" no meio popularesco, como ex-BBBs ou músicos de "sertanejo universitário", para reforçar esse ponto de vista.

No entanto, elas perdem, e acabam ficando menos no seu fã-clube mais grosseiro, de machistas obsessivos mas enrustidos, envergonhados com as transformações sociais do Brasil. São machistas que não se dizem machistas, até gracejam quando são assim acusados, mas dificilmente conseguem desmentir isso com segurança.

Essas "musas populares", todavia, acabam trilhando por um caminho perigoso, em que antigas "popozudas" como Cristina Mortágua, Gretchen ou mesmo a ainda insistente Solange Gomes já não conseguem fazer tanto sucesso. A sociedade muda e exige da mulher brasileira em geral um tanto mais de substância.

As "boazudas", que depreciam a imagem da mulher brasileira, reduzida a um mero e banalizado objeto sexual, são o retrato de uma mídia ainda velha e desgastada mas que usa do rótulo "popular" para seduzir a opinião pública. Mas esse espetáculo repetitivo já está perdendo completamente a graça.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...