sábado, 13 de outubro de 2012

O MACHISMO E O LOBBY CARNAVALESCO


Por Alexandre Figueiredo

O Carnaval é a vitrine das chamadas "boazudas", que disputam algum lugar de destaque como "madrinhas de bateria".

Trata-se de um artifício decisivo para fortalecer o lobby que essas "musas populares" têm no imaginário machista trabalhado sob o patrocínio dos barões midiáticos.

Da mesma forma que o Big Brother Brasil é uma fábrica de "celebridades" que mostram suas nulidades nas noitadas do resto do ano, o Carnaval faz com que as suas "musas" sejam estimuladas a "mostrar demais" também no restante dos meses.

Como a vulgaridade feminina está em crise e as chamadas "popozudas" estão sendo pejorativamente chamadas de "roliças", conforme comentários diversos que pesquisamos nas redes sociais e nos fóruns da Internet, várias delas já anunciam que "estão emagrecendo" para "não fazer feio" nos desfiles das escolas de samba em 2013.

Viviane Araújo, campeã da edição mais recente do reality show A Fazenda, da Rede Record, e Geisy Arruda, a "celebridade" que hoje participa de um humorístico na mesma emissora, já anunciaram a "recauchutagem". A ex-BBB Maíra Cardi também se prepara para encarar os desfiles carnavalescos.

O motivo teria sido a concorrência que as "boazudas" estão tendo, a cada dia, com musas de verdade, como as atrizes de televisão que a cada dia se destacam para o público masculino. Atrizes como Alinne Moraes, Paola Oliveira e Ísis Valverde, além de outras como Sheron Menezes, Leandra Leal e Deborah Secco.

Criticadas pelo físico "muito volumoso", geralmente reforçado por doses de silicone e anabolizantes, as "boazudas" tentam "mudar" sua imagem para não serem ofuscadas. As críticas fizeram com que os sítios sobre celebridades reduzissem as notas sobre tais "musas". Mas, se aproximando o carnaval, essas notas voltaram a ser publicadas com a frequência de antes.

É o mercado. Se essas "musas", quase todas "celibatárias" - mesmo as funqueiras casadas precisam fazer o papel de supostas "solteiras" - , precisam desempenhar o papel de "namoradas de seus fãs", para garantir a venda de revistas, o fato delas não trabalharem sua fama sob a sombra de homens não significa que elas estejam independente deles.

Pelo contrário, há muitos homens por trás delas, controlando o mercado editorial e estabelecendo parcerias com redes de televisão, sítios na Internet, times de futebol e escolas de samba. E que alimentam o entretenimento machista que, sob o rótulo de "popular", é poupado pelos analistas médios da mídia golpista, enquanto suas "musas", "solteiras", são tidas como "feministas" por alguns analistas mais incautos.

A "guinada" dessas "musas" - que pode ter a adesão das paniquetes (musas do Pânico na Band) e ex-paniquetes, mas será difícil receber o apoio das "mulheres-frutas", que mais se destacam pelos físicos mais "inflados" - também acontece quando, no exterior, musas associadas ao imaginário adolescente, como Dakota Fanning e Emma Watson, passam a ser mais admiradas pela beleza e sensualidade.

No entanto, até agora a promessa de uns quilos a menos para o Carnaval não traz qualquer diferencial para essas "musas". E isso é resultado da pressão recebida pela crise em que o mercado de "popozudas" vive na mídia. As transformações sociais no Brasil, que exigem das mulheres em geral mais inteligência e sobriedade, faz as "boazudas" parecerem caricatas e ultrapassadas, pelo seu superficialismo e baixo nível intelectual.

No entanto, o poderoso mercado brega-popularesco insiste em se manter forte. Do contrário que seus ideólogos da intelectualidade dominante dizem, seus empresários nada têm a ver com a pobreza a eles atribuída, eles são muitíssimo ricos, tão ricos que apenas riem de orgulho e esnobismo. Possuem um poderoso e gigantesco lobby no qual camuflam seu poderio de toda forma possível.

O "popular" para eles é a senha para tentarem se passar por "pobrezinhos". E, no mercado de "musas populares", eles são capazes até mesmo de inverter o sentido real machista para um suposto "feminismo" expresso pela aparente solteirice de suas "criadas".

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