quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O "FUNK" E SUA CRISE DE REPUTAÇÃO


Por Alexandre Figueiredo

Em artigo na revista Caros Amigos deste mês, MC Leonardo, presidente da APAFUNK e um dos mais articulados dirigentes funqueiros do país, tenta reafirmar sua "luta" para manter o ritmo em alta, sob o rótulo de "movimento cultural".

No entanto, ele expressa sua preocupação ante o que ele define como "a falta do espírito de reação do povo favelado". Ele também está perplexo com a rejeição que o ritmo anda sofrendo.

Essa situação é evidente. Afinal, o ritmo tem suas limitações ideológicas sérias. E, mesmo com toda a blindagem dada por intelectuais e educadores cooptados para o gênero, o "funk", em vez de se aproximar da cidadania, se aproximou cada vez mais da criminalidade.

O próprio MC Leonardo contradisse que o "funk carioca" possui responsabilidade para promover a cidadania - coisa que ele defendeu na famosa reunião da ALERJ em 2009 - , três anos depois, quando o veto da polícia aos "proibidões" causou indignação entre os defensores do ritmo, que preferiam a liberação dessa facção do "funk" porque ela atraía mais gente para os "bailes funk".

As críticas ao "funk carioca" se tornaram tão grandes que o ritmo, derivado do fenômeno do É O Tchan e da "boquinha da garrafa" - dança assimilada pela "coreografia" funqueira - , passou a sofrer a reputação negativa que atingiu por definitivo o grupo baiano.

Quanto a certas declarações de MC Leonardo, como a de que "o Funk mais precisa que lhe defenda é justamente os moradores das favelas, pois são eles quem produzem, compõem, vendem, divulgam e compram sua própria cultura", é um contrasenso, porque sabemos que quem faz o "funk carioca" são seus empresários, gente muito rica, e quem divulga e vende é o esquema jabazeiro das rádios.

Além disso, o próprio perfil ideológico do "funk carioca" promove o conformismo do povo pobre. Daí a falta de uma reação forte. O que os funqueiros querem não é melhoria de vida, nem regulação da mídia, nem promoção da cidadania, causas que derrubariam quase todos os valores que o "funk" acredita. O que eles querem é apenas mercado, mercado e mercado. Querem apenas ganhar dinheiro, e só.

Esse discurso de "cultura" é muito lindo, para muitos, mas ele é irreal. O "funk carioca" aprisiona o povo pobre, vicia o gosto musical já precário dos jovens pobres, que adorariam ouvir coisas melhores. E a demagogia de certos DJs funqueiros, de que "é só melhorar as favelas que o 'funk' melhora", soam duvidosas, porque eles mesmos poderiam ter ajudado na melhoria dos podres. Nada fizeram.

O que esses "ativistas" do "funk carioca" querem é demagogia, promovendo o discurso que encaixa conforme o contexto. Querem fazer proselitismo na mídia de esquerda, enquanto falam mal dos esquerdistas pelas costas. E tranquilamente estabelecem parcerias com os barões da grande mídia, enquanto tentam dizer nas palestras que a grande mídia os "discrimina".

Por isso é que o "funk carioca" sofre sua crise de reputação. E certamente seus defensores preparam para fazer mais uma choradeira. Só que a sociedade está se esclarecendo melhor sobre o ritmo e não vai cair outra vez nessa cilada retórica.

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