sábado, 20 de outubro de 2012

O BAIXO ASTRAL DO BREGA-POPULARESCO REGIONAL


Por Alexandre Figueiredo

Um mercado perverso está por trás do brega-popularesco regional. Definido por seus ideólogos como uma "maravilhosa cultura da periferia", ela na verdade consiste num mercado onde há não somente disputas internas para vagas em conjuntos musicais como há também verdadeiras violações quanto aos valores morais e éticos da sociedade.

Deixemos o politicamente correto e o deslumbramento com a visibilidade fácil de certos cientistas sociais e críticos musicais associados, que com seu discurso altamente sedutor tentam nos convencer do "grande (?!) valor" dessa pseudo-cultura para vermos o que está por trás dela. E não é coisa boa.

Se entre os grandes nomes da axé-music - Chiclete Com Banana, Asa de Águia e Ivete Sangalo - existem denúncias de exploração profissional não muito diferentes de um McDonalds, nos grupos mais obscuros - Pedro Alexandre Sanches diria "alternativos" - a situação chega a ser até mais sombria.

É o caso do "funk carioca", que acumula casos relacionados à pedofilia e à defesa da violência, da pornografia e da criminalidade, principalmente na vertente conhecida como "proibidão". A blindagem midiática, além disso, faz com que os intérpretes de "proibidão" se reabilitam facilmente, principalmente quando passam a "cantar" temas sobre futebol.

E qualquer baixaria do "funk carioca" é seguramente atribuída, pelo discurso mirabolante de historiadores, antropólogos e críticos musicais, à poesia escandalosa de Gregório de Matos e às festas de quilombos ou de casas populares no período do Segundo Império.

Esquece-se contextos e outros detalhes, em nome de uma "cultura de massa" que, recente, nunca teria existido antes de 1915 e, da forma que hoje se dá, nem mesmo antes de 1964. Mas fica fácil mentir quando a visibilidade de quem mente é muito grande. Latino vira "pesquisador cultural" nas lábias da grande mídia, sobretudo as Organizações Globo. O mesmo com Michel Teló, nas lábias de Pedro Sanches, ou o Psirico, nas lábias de Milton Moura. O status quo absolve certos pecados.

Nos bastidores dessa "alegria" transformada em mercadoria para o entretenimento, nota-se que a coisa é pior do que se imagina. Já citamos o "funk carioca". Mas o forró-brega e o "pagodão" baiano já mostram casos bastante sombrios, tão sérios que não dá para botar tudo na conta do poeta da Boca do Inferno falecido há 317 anos.

No "pagodão" baiano, não bastasse o machismo existente em grupos "conceituados" como Pagodart, Parangolé, Uisminoufay, Guig Ghetto e Saiddy Bamba, com suas letras tipo "toma, toma", "só na pancadinha", "é tapa na cara, mamãe" e "é na madeirada" que aludem à violência contra a mulher, ou então na baixaria pornográfica tipo "tira e bota" (pronunciada tão rapidamente que vira "tiribó"), dois grupos foram associados a episódios recentes que comprometem o cenário pós-Tchan em Salvador.

O próprio É O Tchan já foi conhecido pelo seu maior sucesso, "Segura o Tchan", com uma estrofe que aludia ao estupro, e pela defesa aberta, mas não declarada, da pedofilia, uma vez que o rebolado de Carla Perez e das Sheilas do Tchan era difundido escancaradamente para o público infantil, a pretexto das cores alegres de suas roupas e da falsa inocência de seus sorrisos.

Mas Mônica Neves Leme, historiadora protegida de Hermano Vianna, botou todas as baixarias na conta de Gregório de Matos e dos antigos populares que celebraram o lundu e o maxixe há 100, 150 anos atrás, através de sua "provocativa" monografia que deu com os burros n'água, sem conseguir reabilitar um grupo claramente repudiado pela intelectualidade mais séria, mas não necessariamente com grande visibilidade.

Os grupos Black Style e New Hit haviam causado problemas em ocasiões diferentes. O primeiro, com a música "Me Dá a Patinha", que trata a mulher baiana como se fosse uma cadela. O segundo, por sua vez, foi por uma acusação grave, de que teria estuprado fãs menores de idade.

No forró-brega, não bastasse a exploração profissional ditada pelos seus "humildes" empresários - que até se vestem mal e possuem escritórios modestos, mas detém fortuna, tecnologia de ponta e possuem até grandes fazendas - , houve até mesmo um caso de um crime envolvendo disputas de dançarinas.

No dia 21 de setembro passado, uma dançarina de um conjunto de forró-brega, o Trio Chapahall, de Cariacica, Espírito Santo, a jovem Alini Gama, foi assassinada pelo ex-namorado caminhoneiro a mando de uma outra dançarina e um namorado desta, que queriam assassinar outras dançarinas. Os motivos do crime envolveriam disputas de postos de dançarinas no conjunto.

Mais recentemente, o grupo paulista Forró Konsiderado, também de forró-brega, foi acusado de explorar sexualmente uma menor de idade, obrigando a adolescente, contratada como dançarina, a vestir top e short bem curto. A acusação também envolve, além de um casal líder do grupo, donos do bar onde se apresentavam, na capital paulista.

A triste lição disso tudo é que aquilo que a intelectualidade mais badalada e, infelizmente, ainda prestigiada por muitos, entende como "saudável liberação dos costumes", representa na verdade uma violação de qualquer princípio ético e moral na sociedade. E que as classes populares, que mais necessitariam desenvolver valores éticos e sociais relevantes, são as que mais sofrem com isso.

Porque isso também humilha, constrange e até mesmo prejudica, até mesmo com tragédias, as classes populares. Explorada pelo mercado brega-popularesco, que atende aos interesses dos barões da mídia, essa suposta "cultura das periferias", comandada pelos empresários do entretenimento, atua mais contra os princípios morais do próprio povo pobre que a "boa sociedade" tão esnobadas pela intelectualidade "divinizada".

Quantas mães ficam preocupadas quando veem suas filhas perdidas no "pagodão", no forró-brega e nos "bailes funk", paquerando qualquer um a esmo, se perdendo na libertinagem da curtição popularesca para, em certos casos, nunca mais voltarem para seus lares. É um drama tão sério quanto perder um filho para a violência da criminalidade.

E o coitado do Gregório de Matos é que fica com o recibo da conta.




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