quinta-feira, 18 de outubro de 2012

MICHEL TELÓ TENTA REAFIRMAR "SUCESSO MUNDIAL"


Por Alexandre Figueiredo

O hype de Michel Teló continua rendendo, alimentando a vaidade de muitos num país provinciano como o Brasil.

Desta vez é a reação revoltada da grande mídia e do próprio Teló às críticas que um jornalista do jornal britânico The Guardian, Joe Bishop, havia feito ao sucesso "Ai Se Eu Te Pego", numa resenha de rapidinhas do último dia 13.

Segue o texto completo de Bishop, aqui traduzido:

"Esta faixa é essencialmente a razão por que europeus e sul-americanos não são confiáveis em qualquer coisa relacionada ao pop. É algo próximo de 500 milhões de vistas no YouTube, algo parecido com o que Justin Bieber recebe de respostas no Twitter por dizer "Bom Dia", e isso vem da cortesia de Michel Teló, um músico brasileiro que pensa que está em cima para colocar acordeões em suas canções. Deixe me dizer algo, Michel: acordeões não têm lugar na música pop. É um instrumento antiquado que faz toda música soar como um jingle de uma rádio local da Romênia, e é o que "Ai Se Eu Te Pego" acaba lembrando exatamente. Isso é Nº 1 em qualquer lugar, menos aqui (Reino Unido) e na América (EUA), onde as pessoas são normais e sabem pensar, e não podem falar português. Deus salve a rainha e tudo isso".

Quanto ao uso do acordeon, creio que Joe Bishop pode ser discordado, embora esse termo "popular music", que no contexto da crítica estrangeira, corresponde à música pop, não seja lá muito confiável de minha parte. No entanto, eu mesmo gosto de "Wellcome to the Cheap Seats", do Wonder Stuff, uma banda de rock alternativo, com leves influências dos Beatles, e essa música tem acordeon.

Mas não faço isso em defesa de Michel Teló. Afinal, o contexto dele é outro, o brega-popularesco, tão extremamente oposto à cultura alternativa quanto o DEM é para o PCO (Partido da Causa Operária). Mas se temos uma intelectualidade que, no âmbito político, quer juntar o DEM ao PSOL (espécie de "genérico" mais domesticado do PCO, no que se diz ao trotskismo), há quem queira juntar, pelo menos, o brega-popularesco com alguns "performáticos alternativos" menos ousados.

Aqui a crítica de Joe Bishop - não muito diferente do que se faz na imprensa britânica, vide o New Musical Express e o extinto semanário Melody Maker - foi vista como "ofensa" pela grande mídia, principalmente a mais escancarada mídia popularesca.

Não bastasse isso, Michel Teló foi desafogar suas mágoas em entrevistas ao portal R7 (da Rede Record) e a revista Caras, acusando o jornalista de "preconceituoso", como habitualmente se fazem os pretensos coitados do entretenimento brasileiro.

Vaidoso, mas tomado de falsa modéstia, Teló tentou reafirmar seu suposto sucesso mundial declarando que seu sucesso é "indiscutível". E mais, Teló achou que o jornalista "pegou pesado" e disse que o "preconceito" não é só contra o Brasil, mas contra outras nações. Teló acrescenta dizendo que não se sentiu magoado, mas o desabafo deixou claro que ele sentiu mágoa, sim.

Quanto ao sucesso dele no exterior, convenhamos, o preconceito está do lado de quem o defende. O sucesso de Michel Teló não é tanto assim, é fruto de um esquema de jabaculê e nem de longe essa música representa o que o Brasil possui de melhor.

Quando muito, o sucesso de Teló só se compara aos nomes da Europa ou dos EUA de pop dançante de terceira categoria, que no entanto são lançados no mercado brasileiro como se fossem "grandes nomes da música mundial". Um Double You da vida, por exemplo, não tem sequer reputação de terceira categoria numa Itália receptiva à cafonice musical, mas no Brasil causa rebuliço e atrai o apoio de fanáticos.

Não dá para ser um "Bono Vox brasileiro" ou um "novo João Gilberto" com breganejo. A megalomania brega-popularesca foi longe demais. Seria melhor que Teló e outros ídolos da Música de Cabresto Brasileira se contentem com seus inúmeros espaços que têm num mercado dito "popular".

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