quinta-feira, 11 de outubro de 2012

MAIS UM CASO DE APROPRIAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS


Por Alexandre Figueiredo

Não confio na ideologia pop e vejo nela uma forma de totalitarismo, que esvazia mensagens e se apropria de todas as coisas para transformá-las em nada.

No Brasil, esse totalitarismo está sendo implantado de forma voraz por um bem articulado movimento de intelectuais e filantropos, patrocinados por George Soros e companhia, que faz com que o país passe a ser o último refúgio de expressões desgastadas da cultura de massa.

Recentemente, a "ídala" pop Lady Gaga, símbolo de uma sucessão de factoides feitos puramente para fazer notícia na mídia, visitou o fundador do Wikileaks, Julian Assange, na embaixada do Equador. Aparentemente, ela conversou durante cinco horas com o ativista.

Não se está aqui para julgar se a pessoa Stefani Germanotta, nome de batismo da cantora, está ou não interessada pelas causas sociais, mas em tempos que Madonna demonstrou aparente solidariedade ao grupo punk Pussy Riot, cujas integrantes poderão receber liberdade condicional depois de meses presas por protestarem contra o presidente russo Vladimir Putin, é bom evitar deslumbramentos.

Afinal, os movimentos sociais, no contexto atual em que vivemos, estão cada vez mais apropriados por ícones pop cujo pretenso ativismo soa superficial e tendencioso. Recentemente, o rapper Emicida, associado ao Coletivo Fora do Eixo (espécie de Instituto Millenium pós-tropicalista), havia se apropriado de uma bandeira do Movimento dos Sem-Terra, durante o MTV Vídeo Music Brasil 2012.

Neste sentido, até mesmo as controversas filantropias de Bono Vox, do U2, e do casal Angelina Jolie e Brad Pitt parecem mais espontâneas e sinceras, embora a apropriação de ícones das esquerdas pela chamada indústria cultural - já denunciadas pelo francês François Derivery - deslumbrem aqueles que, no Brasil, vivem na busca da visibilidade para a promoção de causas e movimentos sociais.

Mas essas apropriações, tal qual pensa Derivery, não anulam seu potencial neoliberal de submeter qualquer sentido da arte e da cultura às leis de mercado. Pelo contrário, a apropriação de ícones esquerdistas anula seu sentido real e banaliza sua rede de apoio. Além disso, a associação desses ícones por ídolos pop, em vez de valorizá-los, pode desvalorizá-los pela banalização e frivolidade que isso significa.

O pop não tolera ativismos. O pop é um monstro que assimila tudo, engole tudo, para depois devolver todos os fenômenos sem o sentido original que eles representam. O pop reprime sem reprimir, esvazia mensagens ao difundi-las, desfaz imagens ao expô-las, destrói os movimentos sociais apenas pela simples apropriação dos mesmos.

Para uma intelectualidade que acredita numa problemática sem problemas, em provocações que não provocam, debates que não debatem, inquietações que não inquietam, o pop é maravilhoso. Além disso, o Brasil tornou-se propício para vender ideias velhas ou desgastadas sob novas embalagens.

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