sexta-feira, 12 de outubro de 2012

BREGA É SER LIVRE... "LIVRE-MERCADO"


Por Alexandre Figueiredo

O brega e seus derivados são o hit-parade brasileiro. Mas, num país como o Brasil, paraíso astral do pretensiosismo, o "irrit-pareide" à brasileira é defendido não pelo seu comercialismo mais evidente e escancarado, mas pelo discurso, um tanto farsante, de pretensa "rebelião sócio-cultural".

Todo mundo quer posar de "libertário" com o brega-popularesco. O discurso seduz, comove e arranca aplausos. Mas no fundo esse discurso é conversa para boi dormir.

Recentemente, a "pérola" dessa campanha toda foi dada pela banda goiana Banda Uó, influenciada pelo tecnobrega. É um daqueles grupos "pós-modernos" que, como o Felipe Cordeiro do Kitsch Pop Cult, juntam uma postura "performática" com a cafonice cultural. É um daqueles grupos comerciais que tentam se passar por "alternativos" para se autopromoverem.

Há muito tempo não existe uma vanguarda cultural brasileira. Depois do último sopro do mangue bit, movimento que depois sucumbiu ao perder seu mentor maior, Chico Science - em que pese a alta competência dos remanescentes da Nação Zumbi - , não houve um grande movimento que pudesse trazer uma relevância artística e renovação para nossa cultura.

O que nos últimos dez anos é rotulado, sobretudo pela velha grande mídia, de "renovação cultural", são apenas "movimentos" que se valem mais pelo marketing do que pelo valor artístico. E se tivemos, nos anos 90, o crossover entre a música brega dos anos 70 e a MPB pasteurizada dos anos 80, que constituiu nos neo-bregas que hoje fazem uma "MPB de mentirinha" (Alexandre Pires, Chitãozinho & Xororó, Ivete Sangalo, Belo, Daniel etc), hoje temos os pós-bregas, que artisticamente nada trazem sequer de novo.

Isso porque a pseudo-MPB dos neo-bregas ainda consegue enganar, porque alia os elementos pomposos da MPB pasteurizada a um "maior apelo popular". Ela não difere do pior da MPB pasteurizada, sobretudo pelos cantores cheios de luxo, palcos iluminados demais, superprodução ao extremo etc, mas tem a vantagem, de cunho comercial, de lotar plateias com maior facilidade.

O pós-brega é apenas uma revisita de tendências brega-popularescas já feitas. Você mistura o brega setentista e o breganejo dos anos 90 com batidas eletrônicas, dá no arrocha. Você mistura o brega pós-Jovem Guarda de Odair José e companhia com dance music e qualquer pop comercial estrangeiro e dá no tecnobrega. Você mistura o breganejo com a axé-music e o sambrega e dá na tchê music. E por aí vai.

Agora surgem ídolos "performáticos" que posam com roupas hipercoloridas, com trajes mal combinados, às vezes diante de quartos desarrumados cheios de vinis pelo chão, e que adoram "cultura" brega. Eles são a vanguarda cultural? Não. Eles apenas têm a sorte de que a mediocridade cultural brasileira hoje é de forma tão dominante que faz o Brasil parecer uma terra de cego em que qualquer medíocre um pouco mais pretensioso é visto como o "salvador da lavoura".

Tudo é lindo quando representa um sucesso de marketing. Mas até nesses "performáticos" bregas e pós-modernos a mesmice começa a cansar. Que diferença tem a Banda Uó da Gang da Eletro ou do Kitsch Pop Cult de Felipe Cordeiro? Nenhuma. Artisticamente são ocos, superficiais, só valem pela aparente "atitude" que, no fundo, não quer dizer grande coisa, a não ser para seus fãs incondicionais.

Eles são apenas aspirantes futuros ao que Lady Gaga representa hoje. São apenas nomes que se alimentam pela ideologia do espetáculo, não o espetáculo como se via antes, como a celebração da arte, mas o espetáculo midiático do marketing pelo marketing, do comercialismo da fama, da mercantilização da polêmica e do "mau gosto".

Infelizmente a cultura brasileira, nas mãos da mídia e seus seguidores associados ao brega-popularesco, está caminhando para o precipício, na medida em que se submete aos ditames do mercado. Pois é, se o brega é livre, só se for o "livre-mercado" do neoliberalismo, do comercialismo e do marketing.

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