quarta-feira, 19 de setembro de 2012

VEJA NÃO INSPIRA A MENOR CREDIBILIDADE


Por Alexandre Figueiredo

Ainda existe um cacoete, não só entre os leitores mais conservadores mas aqueles que possuem alguma indignação contra a corrupção política, de dar ouvidos, ou melhor, olhos, para a revista Veja e seu simulacro grotesco de jornalismo investigativo.

"Pescam" entrevistas e reportagens, ou melhor, supostas entrevistas e supostas reportagens, achando que Veja irá trazer de volta a moralidade perdida e a confiança desperdiçada na coisa pública.

Mas, nos últimos tempos, Veja exagera no seu reacionarismo, levando-o até as últimas consequências. De repente, muita gente boa passou a confundir corrupção de pessoas com corrupção de instituições.

E, aí, muita gente dotada de alguma consciência crítica passou a adotar, sem saber, visões ultraconservadoras, muitas vezes por boa-fé, porque leu na Veja.

Aí o ódio da corrupção se volta cegamente para o ódio aos movimentos sociais, como se eles fossem, em si, corruptos. Daí para acreditar que as classes trabalhadoras não podem se organizar politicamente é um pulo. Em contrapartida, há o endeusamento da classe empresarial, indo para outro exagero generalizado.

Tanto na esquerda quanto na direita, existem posições bastante débeis. Se temos uma esquerda ingênua que acaba defendendo valores do neoliberalismo, sobretudo aplicados à cultura popular, temos uma direita paranoica que defende um golpismo institucional, impedindo a ação autônoma das classes populares e defendendo a burocratização, o arrocho salarial e o elitismo decisório pelas autoridades e pelos tecnocratas.

Nesse cabo de guerra, os cidadãos comuns ficam igualmente prejudicados. Se, no âmbito da esquerda, temos a credulidade em torno de Rosenthal Calmon Alves, o "porteiro de Tio Sam" no Jornalismo nas Américas, no âmbito da direita, temos o "exército da moralidade" de Reinaldo Azevedo, Eurípedes Alcântara, André Petry, Policarpo Júnior e o chefão Roberto Civita.

Só que "titio" Rosenthal, que para certos esquerdistas medianos vai garantir a implantação da Revolução Socialista na imprensa e na informática no Brasil, veio da mesma revista Veja de Policarpo Júnior. Mas pode ser que seja num período anterior, e Rosenthal teria sido um artífice da fase conservadora, mas minimamente profissional, da revista.

Só que essa fase conservadora era mais tranquila quando o cenário político era comandado por políticos conservadores como Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso. Quando veio o governo progressista com Lula, em que pese seus defeitos, omissões e limitações - pois Lula tornou-se vitorioso a partir de alianças conservadoras que romperam com FHC - , a velha grande mídia reagiu com uma fúria antes inimaginada.

Não que essa fúria tivesse sido novidade, afinal, desde o período de Getúlio Vargas a imprensa mais conservadora sempre reagiu de forma furiosa, fazendo campanhas pela derrubada do governante e tudo o mais. Só que nenhuma com a intensidade e a estupidez de Veja, que se tornou, aliás, a velha grande mídia de mau humor.

DESONESTIDADE

Levando ao extremo o reacionarismo eventual da mídia conservadora atual, Veja chega ao ponto de burlar as regras do jornalismo profissional, mesmo nos limites do profissionalismo mais correto. Veja invade a privacidade de seus desafetos, publica verdadeiros "panfletos" travestidos de artigos, realiza um verdadeiro bullying articulista - o que custou a reputação de Diogo Mainardi -  usa gente criminosa como fontes para suas "reportagens investigativas".

Mas, para piorar, recentemente um editor de Veja, Eurípides Alcântara, da cúpula da revista e um dos principais integrantes do Instituto Millenium, admitiu que Veja não entrevistou Marcos Valério e que este nunca quis dar entrevista à publicação.

Só isso derruba todo e qualquer crédito da revista, que assinala sua decadência de forma irreversível, por mais que, nas redes sociais, algum "revoltado" deposite suas derradeiras - e vãs - esperanças no denuncismo de Veja como maneira de salvar a vida sócio-política do país.

Veja não vai salvar mesmo. Isso porque a própria revista está mergulhada não apenas na corrupção mais atroz, na violação de princípios éticos e no descumprimento de normas profissionais, mas também pela associação com o crime organizado, uma vez que Policarpo Júnior, o editor da sucursal de Veja em Brasília, provou não ser mais que um "garoto de recados" de Carlinhos Cachoeira.

Mas Veja também está encrencada por causa do PSDB. A defesa intransigente de José Serra, Fernando Henrique Cardoso, da truculência do governador Geraldo Alckmin contra a população de Pinheirinho, em São José dos Campos, custou muito à reputação de Veja, porque diversas denúncias envolvendo o demotucanato (PSDB e DEM) acabam repercutindo mal na direita político-midiática.

A força da blogosfera, assim, repercute direta ou indiretamente no desgaste de figuras como Demóstenes Torres, o ex-senador e fundador do DEM, o governador goiano Marconi Perillo, o jornalista Diogo Mainardi e, agora, o candidato à prefeitura de São Paulo José Serra, já caindo para o terceiro lugar nas pesquisas.

Isso desgasta todo o aparelho ideológico da extrema direita brasileira. E, nos bastidores, Roberto Civita admitiu que a Editora Abril está em crise e que seus funcionários não podem gastar dinheiro sequer com xerox.

Portanto, a situação está difícil para Veja. Mas ela pagou para ver, afinal o auge do reacionarismo que já mostrava seus primeiros sinais nos anos 80 fez evidenciar a atual fase desastrosa da revista, que pode atgé ser a maior em tiragem, mas nem de longe consegue ser uma das mais confiáveis do país. Veja não inspira a menor credibilidade e não merece a menor confiança.

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