segunda-feira, 17 de setembro de 2012

VEJA E O ESQUEMA DO "MENSALÃO"


Por Alexandre Figueiredo

A revista Veja se aproveita do descontentamento que muitos cidadãos possuem em relação ao Partido dos Trabalhadores e a indignação que eles sentem contra os erros do mesmo para apelar nas suas últimas reservas de "credibilidade" (ou credulidade?) que possui em parte da chamada opinião pública.

Pois a criminosa revista, exagerando na possível participação de Lula e José Dirceu no esquema do mensalão, chama Lula de "chefe" da mesma forma que havia feito com outro.

É bem provável que o PT, sobretudo na pessoa do ex-presidente e de seu ex-chefe da Casa Civil, tenham participado das "festanças" de Marcos Valério. Mas é bom deixar claro que o esquema do "mensalão", na verdade, é comandado pelo publicitáiro mineiro, e envolveu também o PSDB, sobretudo na pessoa do hoje senador mineiro Eduardo Azeredo.

Dá até para perceber que Eduardo Azeredo quer tanto censurar a Internet, como um representante brasileiro dos interesses das entidades SOPA, PIPA e ACTA, no exterior. É porque ele tenta com isso tirar do páreo a blogosfera que o denuncia, porque com mais restrições - sobretudo de ordem financeira - à Internet, só prevalecerão os mais ricos, com seus sítios "assépticos" que não ameaçam os poderes das classes dominantes.

Além disso, o esquema do "mensalão" chegou até mesmo aos pés do "comunicador" baiano Mário Kertèsz - embora, na época de suas primeiras denuncias, o corrupto ex-prefeito baiano, astro-rei da Rádio Metrópole e tentando uma volta à Prefeitura de Salvador com sua atual campanha - , através de seu aliado de "unha e carne", Roberto Pinho, já citado no esquema de Marcos Valério.

Pinho havia ajudado Kertèsz, nos anos 80, a criar um esquema de desvio de verbas federais, destinadas à segunda gestão de Kertèsz na prefeitura soteropolitana (ele havia sido prefeito biônico na sua primeira gestão, vinculado à ARENA), por meio de "empresas fantasmas" que formaram as fortunas pessoais dos dois. A Rádio Metrópole, tão querida pela alta sociedade baiana, nasceu em consequência desse dinheiro podre.

O PT, por sua vez, pode ter se envolvido no esquema de Marcos Valério, até com muito gosto. Afinal, o PT, infelizmente, sucumbiu ao pragmatismo fisiológico, à "política de resultados", à busca fácil de vantagens pessoais para seus envolvidos. Mas acusar Lula e Dirceu de "chefões do mensalão" é um exagero do qual Veja se aproveita para bancar a "valentona" na sociedade.

Evidentemente, a Veja, envolvida num esquema não menos criminoso, que é a do banqueiro de bicho Carlinhos Cachoeira, tenta promover sua falsa imagem de defensora da moralidade. Seu jornalismo malfeito, trabalhado de forma irresponsável, atropelando as mais singelas normas de um jornalismo minimamente profissional, Veja quer no entanto bancar a "honesta" com seu denuncismo mais perverso.

Querendo manipular a opinião pública da pior maneira possível, Veja apela para o sensacionalismo mais rasteiro, criando supostos "chefões" que, na verdade, escondem outros aos quais não interessa à revista bater de frente. Marcos Valério é o verdadeiro chefe do "mensalão" e pronto. Não há como arrumar outro "chefão" com o intuito de derrubar, por si só, figuras antipatizadas pela revista.

Para piorar, descobriu-se que a "corajosa" e "investigativa" Veja não entrevistou Marcos Valério, conforme declaração dele mesmo, a revista apenas criou "reporcagens" às custas de boataria e usou supostas frases de Valério para dar a falsa impressão de que ele foi entrevistado pela revista. Até mesmo o editor de Veja, Eurípedes Alcântara, sócio do Instituto Millenium, admitiu que Valério não quis dar entrevista.

Se Lula e José Dirceu cometeram erros, ou admitiram seus equívocos, se arrependeram ou não, cabe uma avaliação mais cuidadosa. O que se sabe é que Veja se aproveita da desconfiança que parte da sociedade brasileira tem com o PT, que há muito já perdeu boa parte do seu esquerdismo original, virando um "satélite" do fisiologismo político do PMDB, para levar suas últimas vantagens.

Talvez seja mais fácil dizer que o empresário Roberto Civita seja um dos chefões do esquema de Cachoeira. Mas, na verdade, Civita apenas é outro cúmplice do bicheiro goiano, pois de fato Cachoeira é o chefe do seu esquema. O que se sabe é que Policarpo Júnior se serve a esses dois senhores, promovendo um esquema de corrupção no qual Veja não é a denunciante, mas sua colaboradora mais entusiasmada.

Portanto, o cidadão que deseja ver o Brasil livre da corrupção, é bom evitar as páginas de Veja. Pouco importa se Veja ataca o PT, se escreve que comer hambúrguer mais vezes diminui o colesterol ou fazer sexo dez vezes ao dia aumenta o desempenho no mercado de trabalho, entre outros sensacionalismos.

Isso porque, se você comprar um exemplar de Veja, você estará dando sua contribuição para a fortuna de Carlinhos Cachoeira e não vai dar qualquer colaboração para o resgate da honestidade na vida política e midiática no Brasil.

E vai que Veja banca todos os custos de uma fuga de Carlinhos Cachoeira para o exterior. Você vai gostar?

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