domingo, 9 de setembro de 2012

OS EUA "ENDIREITAM" NOSSOS INTELECTUAIS?


Por Alexandre Figueiredo

Já observaram que os intelectuais conservadores, no Brasil, geralmente adotam ideias influenciadas pelas impressões que tiveram em relação a algum progresso existente nos Estados Unidos?

Desde que o então presidente norte-americano Franklin Roosevelt enviou uma missão cultural para o Brasil - , os conservadores brasileiros pautam seus valores através das impressões do desenvolvimento do capitalismo norte-americano.

Ignorando peculiaridades existentes no Brasil - várias delas problemáticas - , até com um certo desdém, os deslumbrados de ocasião querem que Rio de Janeiro seja Los Angeles, Brasília seja Washington e São Paulo seja Nova York, e passam a defender teses de "livre mercado" até com certa intransigência.

Desde que os antigos pracinhas, premiados pela colaboração com os Aliados na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) foram convidados a visitar a National War College, em Washington, as elites passaram a se deslumbrar com a aparente superioridade da nação estadunidense.

Muito da ojeriza aos projetos de âmbito nacional no Brasil dos anos 40, 50 e 60, muito da aversão aos movimentos populares, e muito do desdém às expressões culturais que escapam ao "saudável" controle das rádios e TVs, se deve ao fato de que essas elites se decepcionam, de uma forma ou de outra, com a realidade de nosso país.

PROVINCIANISMO - É um círculo vicioso. O Brasil não consegue progredir porque há uma resistência muito grande das elites coronelistas que de diversas formas tornam o país mais provincianista, bairrista, miserável e cafona.

Quando se quer promover algum progresso, as elites resistem, enojadas com o próprio provincianismo resultante da supremacia dos interesses dominantes. Ou seja, não se quer o progresso porque o Brasil é provinciano. Ou seja, o provincianismo continua porque o progresso é inviável, segundo pensam as elites.

No fundo, as elites preferem mesmo é brincar de Primeiro Mundo nos seus redutos "fechados". Que criem bairros, centros urbanos, restaurantes, livrarias, teatros, cinemas etc próprios para elas e a prosperidade social que fique adiada ou resolvida de forma paliativa, precária, apenas relativamente tranquilizadora.

CONSERVADORISMO - Vemos que o pensamento conservador sempre vem quando pessoas assim sonham com Nova York, Los Angeles e outros símbolos dos EUA e os contrastam com o que eles veem no Brasil. E isso, pasmem, faz com que muitos antigos esquerdistas passem para o outro lado, aparentemente desiludidos com os problemas locais e deslumbrados com o "paraíso" das cidades-vitrines neoliberais.

Foi assim que uma geração de militares, depois de conhecer a citada National War College, passaram a afrontar as políticas nacional-populares de Getúlio Vargas e, depois, de João Goulart. Foi através desse processo que antigos esquerdistas dos idos de 1960-1964, como José Serra, Ferreira Gullar, Arnaldo Jabor e o já falecido Paulo Francis migraram, com gosto, para o pensamento direitista.

A grande preocupação é com as futuras "urubologias", já citadas aqui, que a geração intelectual de Paulo César Araújo e companhia expressarão no futuro. E olha que o esquerdismo deles é falso, superficial e movido por conveniências, o que dá para imaginar o quanto os ideólogos do brega-popularesco podem se tornar daqui a uns dez anos.

Eles também sonham com os EUA. Com o Jornalismo nas Américas, com George Soros e a Fundação Ford conduzindo a intelectualidade brasileira, no mesmo processo que as multinacionais faziam com o IPES nos anos 60.

Eles sonham com o folclore brasileiro subtituído pelo hit-parade brasileiro, que nos dê Gaby Amarantos em vez de uma nova Elis Regina, que nos dê Michel Teló em vez de um novo Tom Jobim, e que empurre funqueiros totalmente submissos ao mercado mais feroz a todos os redutos culturais possíveis.

Por isso, devemos tomar cuidado. Esses ideólogos posam de "progressistas", por causa da palavra-chave "popular" que seduz os incautos. Mas depois eles mostrarão o quanto não querem o progresso social das classes populares, querendo apenas uma "cultura de mercado" para distrair o "povão", enquanto as elites continuam, com seus privilégios, brincando de Primeiro Mundo.

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