terça-feira, 25 de setembro de 2012

O CONTROLE EMPRESARIAL DA "CULTURA POPULAR"


Por Alexandre Figueiredo

Em vários textos, já escrevemos sobre o controle empresarial da dita "cultura popular".

Sabe-se que eles não podem ser confundidos com a população das periferias, embora eles tenham que parecer "humildes", com suas empresas dotadas de estruturas "modestas" que disfarçam a ganância mercantil das mesmas.

Infelizmente, tudo é negócio. Nada é arte e cultura. A discurseira intelectual é conversa para boi dormir, afinal esses empresários, responsáveis pelos sucessos de estilos como forró-brega, "funk carioca", arrocha, tecnobrega, breganejo e outros, muitos outros, são empresários mesmo, e não "simples produtores culturais".

Geralmente esses empresários possuem atuação regional, mas estabelecem "parcerias" com redes de supermercados, lojas de materiais de construção e até mesmo com os grandes fazendeiros de sua região. Vale insistir que eles não são "pobrezinhos". Mas eles precisam dar a falsa impressão de que não são tão ricos quanto parecem. Quando muito, se autoproclamam "pobres remediados".

Os negócios que eles fazem com seus "produtos" - os cantores e conjuntos "populares" que estão sob sua tutela - são diversificados. Se eles se "emancipam", eles se tornam patrocinados por empresas maiores, como multinacionais e redes de televisão. É o caso dos ídolos neo-bregas dos anos 90, agora "grandes astros da música" tutelados por empresas como as Organizações Globo e companhias como Philips e Coca-Cola.

Infelizmente, nada na dita "cultura popular" midiática escapa ao controle empresarial. A coisa é tão séria que eles precisam disfarçar de toda forma possível, para não despertar desconfianças. Afinal, muitos dos nomes "populares" mais regionais são verdadeiras "armações", como muitos conjuntos de forró-brega ou mesmo vários nomes do "funk carioca".

Esses empresários precisam, por exemplo, evitar "carregar" visualmente pelo terno e gravata, preferindo roupas das mais informais possíveis. Precisam ser informais o tempo inteiro. Nos eventos de gala, até tentam "quebrar" os paletós com alguns tênis "arrojados" para "manter a jovialidade", mas nos bastidores seu poderio e seu autoritarismo são evidentes.

A situação ficou tão séria que hoje os compositores populares não têm mais vez. Quanto muito, precisam aderir às regras mercadológicas e escrever letras "safadas" e vendê-las para esses empresários. São compositores que nunca vão além de constrangedoras apresentações em pequenos bares.

Aí os empresários jogam as composições para os conjuuntos do momento, que gravam e tornam a música um grande sucesso, sobretudo nacional, se o empresário em questão tiver um dinheiro para comprar espaços nas redes de televisão e até na inclusão da tal música nas trilhas de novelas.

É muita ingenuidade acreditar que esse "negócio da música" é um inocente processo de laços sociais comunitários. O discurso intelectual tenta "mimetizar" os empresários entre o povo pobre da periferia. Tentam inventar que tais empresários do entretenimento "não têm" dinheiro para comprar sítios - embora vários deles tenham latifúndios - , mas estranhamente atribuem a eles um domínio tecnológico impecável.

Afinal, a intelectualidade tenta também criar um discurso "tecnológico", superestimando o poder revolucionário das redes sociais e das novas tecnologias. Esse discurso, bem ao gosto do imaginário neoliberal introduzido nos anos 90, no entanto cria contradições que atribuem erroneamente às classes pobres as conquistas tecnológicas acessíveis tão somente a uma meia-dúzia de "iniciados".

Desse modo, eles não conseguem esconder que os empresários do entretenimento regional são poderosos. Criam um discurso contraditório "qualquer coisa" e, sem desmentir réplicas, deixam para lá. A intelectualidade se beneficia pela visibilidade onde mentiras e meias-verdades viram "verdades absolutas" apenas por causa de quem transmitiu tais ideias.

Enquanto isso, os empresários do entretenimento regional, os grandes barões do entretenimento de cada localidade, são os verdadeiros "donos" da "cultura popular". Eles criam modismos, manipulam ídolos musicais, ditam as normas do mercado, comandam o esquema de jabaculê, muitas vezes com mãos de ferro.

No entanto, oficialmente, eles são apenas "pobrezinhos produtores culturais". Tão "modestos". Enquanto isso, o povo pobre é obrigado a consumir e a viver associado a essa pseudo-cultura altamente mercantilista.

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