terça-feira, 18 de setembro de 2012

INSTITUTO MILLENIUM PUBLICA DEFESA DO "FUNK CARIOCA" E DO SAMBREGA


Por Alexandre Figueiredo

O texto foi publicado há cinco meses. Mas mostra que o Instituto Millenium não está aí para zelar pela boa cultura popular, mas pela "cultura popular" de mercado, a mesma que a esquerda mediana tentou defender.

Nessa época, houve a polêmica do clipe "Kong", música de Alexandre Pires, ídolo do sambrega, com participação do funqueiro Mr. Catra, alvo de uma ação que o Ministério Público moveu por identificar no clipe - que tem a participação do jogador Neymar - elementos que sugerem racismo. O clipe também mostra uma visão machista da mulher.

Pois Nelson Motta, o jornalista, letrista e agitador cultural que integra a "nata" do Instituto Millenium - ao lado de gente como Demétrio Magnoli, Mailson da Nóbrega, Pedro Bial, Armínio Fraga, Eurípedes Alcântara, Carlos Alberto di Franco, Guilherme Fiuza, Gustavo Franco e até mesmo Otávio Frias Filho e Roberto Civita, para citar alguns dos grandes barões da velha mídia - , achou "preconceituosa" a ação do Ministério Público.

Querendo associar os valores machistas e os estereótipos associados aos negros na sociedade brasileira, Nelson Motta acha que manter a cultura popular é manter o "deixa fazer" que está aí. Se a cultura está ao "deus dará", ótimo, como se a "cultura de massa" não fosse negociada nos escritórios, mas fluísse ao sabor dos ventos.

É essa a visão que parte da intelectualidade dominante pseudo-esquerdista - que tenta fazer lobby até na imprensa escrita de esquerda - tenta difundir sobre "o que deve ser" a cultura popular, mais voltada à libertinagem irresponsável da "cultura de massa" do que ao caminho evolutivo do convívio comunitário.

Vale mostrar essas "pérolas" (ou não seriam "paçocas"?) reproduzindo o texto de Nelson Motta que, para quem não sabe, é colega de Merval Pereira e de um Arnaldo Jabor convertido em "urubólogo" no Jornal da Globo, comandado por William Waack, garoto-de-recados de Tio Sam.

Além disso, o jornalista, neste texto politicamente correto, mas que desqualifica uma ação do Judiciário só porque quem move uma ação é um branco - que, talvez, também não possa ter a missão garantida pela Constituição de mover ações em favor dos indígenas, se for pelo raciocínio de Nelson (a revista Veja iria adorar) - , também reforça o "dócil" machismo atual defendendo as "popozudas" que aparecem no clipe como se fosse "o sonho de consumo de milhões de brasileiros".

Ou seja, Nelson Motta acha ótimo que haja um "mercado" de "popozudas" como o existente no Brasil, esse mercado repetitivo, cansativo que só alimenta o vício dos machistas sexualmente impulsivos, os tais "milhões de brasileiros" que o jornalista-letrista do Instituto Millenium tanto fala docemente em seu texto.

Essa machismo "democrático" de Motta condiz com sua noção de "democracia racial" às custas desse "mau gosto" racista que os dois ídolos brega-popularescos musicais e o astro do futebol brasileiro, mesmo sem culpa direta nem propósito, acabaram consentindo em participar. Daí que ele não viu mal algum no grotesco clipe, achando-o maravilhoso até por ser, para ele, um "(legítimo) trash brasileiro".

Nelson acaba citando também o Criolo, nome ligado ao Coletivo Fora do Eixo, em determinada passagem do texto.

Aqui estão:

Macacos, gorilas e micos

Nelson Motta - O Globo, 11 de maio de 2012, publicado no dia seguinte no portal do Instituto Millenium   

Quando um pagodeiro, um jogador de futebol e um funkeiro, fantasiados de gorilas e cercados por popozudas de biquíni à beira de uma piscina, se divertem em um clipe do pagode Kong, e são acusados de racismo e sexismo pelo Ministério Público Federal em Uberlândia por “unir artistas e atletas em um conjunto de estereótipos contra a sociedade, comprometendo o trabalho contra o preconceito”, a coisa tá preta.

Alexandre Pires não é só um pagodeiro, é cantor romântico milionário, com carreira internacional, queridíssimo do público. Funkeiro é só um pouco de Mr. Catra, figuraça da cena musical carioca, rapper famoso nacionalmente por suas letras contundentes e suas paródias. E não é só um jogador de futebol: é Neymar. Não por acaso, uns mais e outros menos, são todos negros, ricos e famosos por seu talento, ídolos das novas gerações do Brasil mestiço. Já o procurador é branco, preocupado em proteger os negros para que não façam mal a eles mesmos.

Assim como a beleza, o preconceito também está nos olhos de quem vê. Quem ousaria associar o genial Neymar, o galã Alexandre e o marrentíssimo Mr. Catra a macacos? Só um racista invejoso. Quem se incomoda com piadas e brincadeiras com jogadores de futebol, pagodeiros, funkeiros e marias-chuteira? Logo vão proibir o Criolo de usar o seu nome artístico.

O procurador ficou especialmente incomodado quando Mr. Catra, vestido de gorila, cercado por gostosonas louras, ruivas e morenas e feliz como pinto no lixo, diz ter “instinto de leão com pegada de gorila”. Seria uma sugestão preconceituosa da potência sexual afrodescendente. Êpa! Elogio não é crime.

O clipe já teve mais de 3 milhões de acessos no YouTube, é muito engraçado e bagaceiro, com produção e fantasias bem vagabundas, trash brasileiro. Dá até para sentir o cheiro de churrasco. As mulheres, com seus peitões e bundões, são o sonho de consumo sexual de milhões de brasileiros e, sem preconceito, de brasileiras.

Freud explica: quando João fala de Pedro, está falando mais de João do que de Pedro. Nas falhas, defeitos e intenções que um atribui ao outro, revela-se mais de si do que do outro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...