quinta-feira, 13 de setembro de 2012

CELSO RUSSOMANO: RELIGIÃO E POPULARESCO MIDIÁTICO


Por Alexandre Figueiredo

O "pódio" das pesquisas eleitorais já mostra três problemáticas figuras.

Há o progressista mas um tanto fisiológico, o ex-ministro da Educação do governo Lula, Fernando Haddad, que ganhou o apoio "insuspeito" de Paulo Maluf. É o terceiro das pesquisas indo para a segunda colocação.

Há o ex-líder estudantil e ex-esquerdista (ou "ex-querdista") José Serra, que em outros tempos participou até do comício de João Goulart na Central do Brasil, mas que ultimamente andava de mãos dadas até com a Opus Dei e o Comando de Caça aos Comunistas.

Serra, o segundo colocado despencando para o terceiro, é o que mais está decaindo como prefeiturável, por sua figura antipática e nada carismática, mas que inspira as mais hilárias piadas que só o fazem declinar ainda mais como político, representando o mais baixo conservadorismo do PSDB.

Mas o primeiro colocado chama a atenção pelo seu currículo midiático. Celso Russomano, do Partido Republicano Brasileiro (PRB), ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, surgiu na midia policialesca, como repórter do telejornal popularesco Aqui Agora.

O Aqui Agora, do SBT (na verdade, uma continuidade do programa O Povo na TV, que só não se chamou Aqui Agora por problemas no copyright, que revelou nomes como Roberto Jefferson, Sérgio Mallandro e Wagner Montes), havia se tornado, nos "saudosos" anos 90, um paradigma do filão policialesco que, infelizmente, tem espaço fixo nas tardes dos dias úteis através de outros programas.

Aparentemente tranquilo na disputa, Celso Russomano, no entanto, se tornou o favorito por causa do engajamento religioso da Igreja Universal. Já não se encontra mais no contexto pseudo-esquerdista de outrora, pois a IURD, segundo alerta Alberto Dines em um artigo, já se desembaraçou de Lula, e até o reino mineral sabe que a Rede Record nem de longe se tornou uma nova TV Excelsior (se nem a antiga TV Record ela consegue ser, com a ressalva de uma boa equipe jornalística que tem), que era o paradigma de televisão progressista nos anos 60.

Portanto, Celso não é o "cavaleiro-mor" do maniqueísmo ideológico que existia antes pelas mentes das esquerdas medianas, onde se polarizava facilmente a mídia mais reacionária e a sociedade mais elitista e o oposto dela, mas dificilmente se discernia quem é que realmente defendia o ideal progressista. "Grandes" tempos do mineiro Eugênio Raggi comendo quieto inquietamente com seu direitismo diogomaynardiano fantasiado de esquerdismo (deve ser para agradar a esposa dele).

Hoje o contexto é outro. Não há mais a obrigação de pegar carona no carisma de Lula e até a presença de Paulo Maluf ao lado do ex-presidente e do prefeiturável Fernando Haddad incomoda até mesmo certas fileiras do esquerdismo petista. E a candidatura de Celso Russomano se dá sem fazer qualquer enérgica avaliação do poderio da grande mídia.

O que existe é apenas a rivalidade entre Record/IURD e Globo/Folha/Veja. Mas fora isso, deixe-se as análises midiáticas mais enérgicas para as figuras de Paulo Henrique Amorim, Luiz Carlos Azenha e Rodrigo Vianna, que não necessariamente correspondem às opiniões do "bispo" Edir Macedo.

Pelo menos também não se obriga os outros astros da Rede Record a viverem da sombra de Paulo Henrique Amorim. Até agora Rodrigo Faro não fez sua imitação de Ernesto Che Guevara. E seria patético, além de equivocado, associar Gugu Liberato ao esquerdismo midiático, com tantas as "contribuições" dele com a baixaria televisiva que os progressistas tentam combater. E não dá para definir Geisy Arruda, com a mais machista vulgaridade de mulher-objeto, como uma "ativista feminista".

Por isso, Celso Russomano está associado hoje a uma religiosidade conservadora, como sempre foi a bandeira da IURD. E a grande mídia, mesmo a Folha de São Paulo, já admite ver em Russomano um "plano B" para derrotar Haddad. Não que Haddad tenha só méritos para ganhar politicamente, vide a sombra do incômodo Paulo Maluf, mas a mídia leva ao extremo da irracionalidade qualquer discordância ou reprovação de erros que a sociedade dá ao PT.

Celso evoca ao mesmo tempo um popularesco mais "saudável", que é o da Rede Record e seu portal R7 e sua "fauna alegre" de breganejos, boazudas e outros cafonas, todos também com cadeira cativa na emissora televisiva - e até na Record News, pouco sutil na glamourização de ídolos bregas do que o "sarau" da Globo News - e o moralismo religioso de sua igreja proprietária.

Assim, São Paulo demonstra ser em grande parte uma sociedade conservadora. Só é, aparentemente, a cidade mais moderna do Brasil. Mas até essa questão de modernidade, num país marcado pelo atraso, é muito discutível em se tratando do nosso país.

Somado a um apelativo moralismo religioso alimentado comercialmente por uma cafonice cultural de sua emissora, o "fenômeno" Celso Russomano pode representar parcialmente o fim do PSDB no comando municipal paulistano. Mas dificilmente representará a tomada da Prefeitura por forças realmente progressistas. Essencialmente, tudo ficará na mesma.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...