terça-feira, 11 de setembro de 2012

BREGANEJO NA INTERNET É SÓ NEGÓCIO


Por Alexandre Figueiredo

Das tendências brega-popularescas, o dito "sertanejo", ou breganejo, é considerado a tendência mais conservadora de todas, embora, no fundo, até o "funk carioca" é conservador e possui um rigor estético medido por baixo.

Mas, de uns cinco anos para cá, o breganejo foi invadido por centenas de milhares de novos rostos que, na prática, fazem uma espécie de leitura "emo" da música caipira (sobre "emo", leia-se Restart), sob o rótulo, tão oportunista quanto falso, de "sertanejo universitário".

É tanta gente que surge, de duplas, cantores ou mesmo casais, que até mesmo nomes como "Victor", "Mariano", "Daniel" e outros já se multiplicam em diferentes duplas, o que pode complicar quando elas se dissolverem para dar origem a cantores solo. E temos João Bosco & Vinícius querendo confundir o público com nomes artísticos - eles juram que são nomes de batismo - "chupados" de duas figuras da MPB autêntica.

Pior, muita gente que nem sabe o que é a vida na roça está vestindo chapéu de caubói e fazendo uma diluição breguíssima do folk rock, em sucessivos discos ao vivo, multiplicando a mesmice e a mais escancarada mediocridade.

E, como essa tendência é dotada de empresários muito ricos - não vamos nos esquecer que os grandes proprietários de terras patrocinam com gosto esses "artistas" - , eles compram espaços inusitados para criar reservas de mercado inimagináveis, como Florianópolis (onde foi gravado um DVD ao vivo da dupla Victor & Léo) e Rio de Janeiro, que já criou seu "representante", João Gabriel.

Mas não é só isso. De repente, espaços foram comprados no exterior, como o caso de Michel Teló e Alex Ferrari, ou a estratégia de evitar divulgar no rádio antes da Internet, para dar a falsa impressão de sucesso espontâneo.

E é esse sucesso na Internet que faz com que o breganejo "universitário" tenha até mesmo uma parada própria, o "webnejo", que registra as mais visitadas nas redes sociais da Internet, como se as redes sociais fossem trincheiras guevarianas. Grande engano.

Tudo é negócio. Até empresas bancam os meios de divulgação desses intérpretes. E nada tem de espontâneo, porque são sucessos bancados pelo poder empresarial que está por trás. Quem tem dinheiro compra espaços de divulgação, divulga e chama a atenção das pessoas.

O que existe apenas é a adoção de alguns ingredientes que despertem os instintos dos jovens ouvintes, como músicas dançantes, que falem gírias da moda, que criem algum divertimento. Mas não são cultura de verdade, nem arte genuína, nem sequer um movimento revolucionário.

Tudo é mercado, é negócio, e não vamos ser ingênuos de achar que o comercialismo "faz parte de nossa vida". Mesmo que faça parte, isso não quer dizer que até nosso ar que respiramos é "comercial". A mercantilização de tudo, aliás, desmascara muitos pseudo-esquerdistas das redes sociais, porque eles acabam deixando vazar uma visão neoliberal digna da "juventude" do PSDB.

E não adiante reagir com "huahuahuahuah" ou "kkkkkkkk". No fundo, é uma forma de dizer "sou mesmo, e daí?", em vez de sugerir alguma ironia diante de tal acusação. Porque o som "sertanejo" é conservador em sua essência, e isso não seria diferente nos seus jovens ou mesmo nos derivados "modernos" e "urbanos".

O "sertanejo universitário" nada tem da cultura espontânea dos caipiras verdadeiros, hoje desaparecidos da mídia e do mercado, e nada tem do engajamento e da criatividade dos antigos universitários, hoje muito raros de se ver. E, além do mais, a coisa chegou ao ridículo de "tchererês", "baraberês", "mimimis" e "parapapás".

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