sábado, 15 de setembro de 2012

BREGA É MUITO FECHADO NO SEU "MUNDO"


Por Alexandre Figueiredo

Não é a MPB que é fechada no seu mundo ou parada no tempo. Não é ela a elitista, a preconceituosa, a isolacionista, a purista, a detentora de um rigor estético.

Essas acusações fazem mais sentido quando associadas ao brega, que sempre foi fechado, quase impermeável a qualquer influência espontânea da MPB. Só recorre a ela quando a conveniência exige.

Além disso, o brega sempre se baseou no seu rigor estético, nivelado para baixo. Péssimos cantores, péssimas melodias, péssimos arranjos, composições e letras. Tudo medíocre, feito até de propósito.

A diferença é que nós éramos convidados pela intelectualidade influente a fingir que o brega é "maravilhoso", que existem "pérolas escondidas", que sua "mediocridade" era a "sabedoria popular" no seu estado mais "puro" (sic), sem o "academicismo" da dita "MPB mais purista".

Enquanto a intelectualidade etnocêntrica ataca a MPB autêntica condenando o "purismo" tanto no folclore de raiz quanto nas expressões mais sofisticadas, quando a linguagem artística aparece em toda sua força, o brega é glamourizado pelos mesmos intelectuais que acham que o Brasil se salvará na cafonice, ignorando que nela se envolvem os valores mais baixos da sociedade brasileira.

Pois no brega há desde valores que glamourizam a miséria, que glorificam o subemprego, que se consentem com a prostituição e o alcoolismo e que promovem a resignação social pela miséria, pela falta de talento, pela mediocrização cultural mais explícita. O povo que "faça o que sabe", querer qualidade de vida para o povo, em forma de cultura, para a intelectualidade etnocêntrica é "frescura".

Eles acham que o brega traz mil possibilidades, desde que socorrido pelo apoio paternalista de uma parte condescendente da MPB, que exibe ídolos bregas ao seu lado feito suas mascotes, tal qual as as madames quando exibem seus animais domésticos.

Mas é um equívoco isso. O brega não está aberto ao mundo. Está fechado na sua redoma de vidro, pois até a influência estrangeira que assimila é trabalhada de forma provinciana, geralmente traduzindo modismos ultrapassados, de forma caricata e grotesca.

O ídolo brega sempre esteve fechado na dele. Recusava-se a ouvir as músicas de sua região. Era marionete do rádio, da televisão, e desenvolvia sua carreira dessa forma. Fazia imitações pálidas do hit-parade radiofônico,  às vezes introduzindo macetes de ritmos brasileiros locais - de maneira tendenciosa, como o breganejo e o sambrega - , mas sempre numa conduta medíocre e numa postura ideológica resignada e socialmente conformista.

O brega é isolacionista, resignado. Sua única esperança é trabalhar as falsas imagens de "genial" e de cult através da vaia e do "pau da crítica". Seu "reconhecimento artístico" só é obtido através da imagem de "coitadinho", e é constrangedor que ídolos que tenham feito sucesso durante anos deem entrevistas como se fossem pedintes de rua, "pedindo" algum lugar nobre na MPB.

Fomos muito enganados com a propaganda pós-tropicalista do brega, difundida quando os dois líderes do Tropicalismo, Caetano Veloso e Gilberto Gil, passaram a comandar o establishment da música brasileira. Ou seja, quando o próprio movimento tropicalista já havia perdido seu potencial revolucionário. E se o tropicalismo agiu assim, não seria o medíocre brega que assumiria o potencial perdido dos tropicalistas.

A glamourização do brega só serviu para realimentar o mercado que se apoiava nesses ídolos, em reciclar o mercado com novos ídolos e tendências "regionais" transgênicas, e fazer com que certos oportunistas da MPB fisiológica abocanhem espaços na mídia cortejando ídolos bregas de qualquer espécie.

Isso nada ajudou na nossa cultura. Não fez a cultura brasileira ficar mais moderna nem diversificada. O brega só fez os envolvidos ficarem mais ricos, e, apesar da vista grossa da intelectualidade dominante, o brega sempre foi de muito agrado aos barões da grande mídia.

O povo pobre ficou na mesma, e até pior, porque é escravizado pelo "mau gosto" ditado pelo coronelismo midiático regional e nacional.

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