sexta-feira, 7 de setembro de 2012

BRASIL ESTÁ LONGE DE SE TORNAR POTÊNCIA MUNDIAL


Por Alexandre Figueiredo

Sabe-se que tal constatação irá indignar muita gente, ainda animada com a ilusão de que as festas de 2014 e 2016 irão colocar o Brasil no Primeiro Mundo.

Todavia, as coisas não são tão fáceis assim e, recentemente, os prometidos avanços dos dois governos Lula já começam a decair diante dos retrocessos no governo Dilma Rousseff.

Mas existem retrocessos de todos os lados. A corrupção política, os reacionários que existem até na Internet, a mídia retrógrada e cafona. Tudo no Brasil parece soar a mofo, como se o país todo parecesse um sótão velho a céu aberto, que no entanto exala um odor de algo velho e apodrecido como se fosse um sótão fechado e abandonado há tempos.

Não é difícil percebermos por que a China, dos chamados BRICs - grupo dos quatro países emergentes, que também inclui a Índia e a Rússia - , tornou-se o primeiro país a ter arrancada econômica. O Brasil, tão festejado, não conseguiu essa proeza. E o tão comemorado "crescimento" econômico mundial se deu mais por um declínio econômico da Grã-Bretanha do que por algum progresso real brasileiro.

O Brasil ainda guarda resíduos fortes da ditadura militar, que influenciam até mesmo gerações de políticos, tecnocratas, intelectuais, celebridades ou mesmo simples internautas que nasceram depois do fim da ditadura militar, pois de uma forma ou de outra eles são herdeiros de toda a degradação social, cultural, política e moral resultantes dos excessos e erros de 1964-1985.

O Brasil parece velho, até mesmo quando tenta ser novo. Na chamada mobilidade urbana, prevalecem projetos para o transporte coletivo dignos do período do governo Emílio Médici (1969-1974), até pela influência do "filhote da ditadura" Jaime Lerner. Projetos que juntam um certo conservadorismo tecnocrático e um fisiologismo político travestidos de "modernos".

A cultura popular é afetada por um sistema ideológico que, glorificando a breguice, atende aos interesses dos chefões da grande mídia e do latifúndio. São valores machistas, além de outros que pregam a degradação sócio-cultural das classes populares, transformando-as em massa de manipulação do mercado, conformista e caricata.

Temos uma intelectualidade neoconservadora associada apenas a teorias relativamente "modernas" de Fernando Henrique Cardoso e seus seguidores, que tenta nortear até mesmo o inconsciente coletivo da população e todos os valores urbanos, culturais, econômicos e políticos a serem seguidos.

Temos uma esquerda majoritariamente esquizofrênica e uma direita paranoica e autoritária. Temos uma corrupção política viciada, temos políticos que preferem realizar projetos grandiloquentes do que projetos funcionais.

Até mesmo a hidrelétrica de Belo Monte é uma herança da ditadura militar, que o governo Dilma quer concluir ignorando os riscos ambientais, biológicos e sociológicos que podem ser causados por uma obra que só atenderá aos interesses de latifundiários da região.

Até nossos modismos são coisas que parecem lançadas com o prazo de validade vencido. Enquanto os jovens brasileiros mais "descolados" acreditavam que DJs e rappers estavam em alta no mundo e por isso o modismo brasileiro colocava o país na vanguarda da modernidade pop, eles viviam uma crise que a imprensa especializada reportava com imparcial perplexidade.

O nosso futebol retrocedeu em relação a 50 anos atrás. Os esportes olímpicos não garantem vitórias expressivas, a não ser entre os deficientes físicos, beneficiados pela força de vontade e pelo interesse dos portadores de limitações físicas de mostrar superação e talento.

E nossa economia e outras políticas sociais não vão além de paliativos. A violência continua nas ruas e até as UPP's implantadas no Rio de Janeiro já começam a sofrer a reação da criminalidade, sem qualquer política real de combate a ele. E os hospitais estão deficitários, deixando morrer mais gente. As favelas continuam sendo um problema que a mídia hiperespetacular tenta vender como "solução", ignorando o sofrimento diário do povo pobre.

Na Internet, a trolagem faz surpreender no nível retrógrado e ultrarreacionário que muitos jovens, desprovidos de senso ético, fazem para defender sempre o "estabelecido" arbitrariamente pela mídia do entretenimento e pela política. Mostram uma juventude que só é moderna na "embalagem", mas no conteúdo tende a desenhar um neoconservadorismo que será danoso para o futuro.

Enfim, o Brasil encontra dentro de si muitos problemas, que o deixam em desvantagem em relação a outras potências emergentes, como a China economicamente mais forte e uma Rússia industrialmente fortalecida. O pretensiosismo festivo do Brasil não garante o progresso em si, mas apenas uma ilusão publicitária de uma fictícia prosperidade.

Talvez fosse melhor assumirmos nossas desilusões do que acreditar em fantasias que só escondem os verdadeiros problemas. Temos que aprender muito com as crises na Europa, ou seremos amanhã a Grécia de hoje, em sério colapso social, político, cultural e econômico.

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