domingo, 9 de setembro de 2012

AS MENSAGENS SUBLIMINARES DE VEJA


Por Alexandre Figueiredo

Veja falando sobre as pessoas de maior estatura que levam vantagem na vida. Veja falando de fórmulas milagrosas para a saúde. Veja falando de justiça política. E, agora, Veja falando sobre a capacidade das pessoas decidirem sobre seu fim.

Manchetes estranhas, um tanto pedantes, outro tanto tendenciosas, da revista do Grupo Abril que nos últimos anos tem sua trajetória marcada pelo reacionarismo extremo.

Além desse reacionarismo, que ia contra até mesmo as mais comezinhas normas até do jornalismo mais conservador, porém o mais profissional possível, a Veja agravou sua situação com a descoberta de que o periódico estava associado ao banqueiro do jogo do bicho goiano, Carlinhos Cachoeira.

Não é preciso refletirmos muito sobre as mensagens subliminares dessa revista travestida em reportagens sobre medicina, comportamento, política e mercado de trabalho. Na verdade, essas reportagens não são mais do que uma forma de Veja mostrar sua egolatria, sua arrogância, seu narcisismo.

Veja sabe que sua linha editorial é da mais sombria rabujice. Mas se apoia no descontentamento de parte da sociedade, sobretudo com a eventual (mas não generalizada) corrupção nos movimentos sociais e políticos de esquerda, para jogar muitas mentiras ou mesmo meias-verdades, ou mesmo verdades exageradas ao nível da caricatura mais grosseira, para arrancar credibilidade.

Assim, Veja tenta manter os bolsões de apoio que ainda possui, apesar do envolvimento de Carlinhos Cachoeira ser gravíssimo, porque o bicheiro goiano atua praticamente como um chefe de redação de um chefe de redação da sucursal de Brasília, Policarpo Júnior.

Policarpo pode ser o chefe para seus jornalistas em Brasília, mas para Carlinhos Cachoeira ele se comporta meramente como um garoto de recados, como um contínuo, como um cumpridor de ordens. Policarpo chega mesmo, em muitos momentos, a agir como se fosse um office-boy de Cachoeira, aceitando as ordens dele para Veja forjar reportagens para poupar aliados e destruir desafetos.

E isso passa pelos mais grosseiros e desonestos processos de busca, ou mesmo de invenção, de notícias. Nem David Nasser teria sido tão desonesto, nem Carlos Lacerda teria sido tão calunioso. Reinaldo Azevedo, frequentemente, escreve com raiva, muita raiva, mas sem a elegância e a habilidade discursiva do falecido jornalista e político da UDN.

Já Diogo Mainardi era um "moleque", escrevendo de forma bastante zombeteira, mas rabugenta o suficiente para puxar encrenca contra si e quase sumir das páginas de Veja (te cuida, busólogo "crítico"). E Veja, no conjunto da obra, tornou-se uma revista tão baixo astral que afastou antigos colunistas mais imparciais, preocupados com os rumos da revista.

Exemplos existem, como o já falecido Millôr Fernandes, enquanto Cláudio de Moura Castro, historiador, e Roberto Pompeu de Toledo, da equipe editorial, ambos de textos mais equilibrados e até admiráveis de certo modo, só aparecem eventualmente, evitando associar seu bom profissionalismo à rabugice predominante nas páginas da revista.

Para Veja, somente ela é que decide seu fim. No entanto, cabe aos leitores reagirem a isso em vez de socorrerem a revista nesta sua fase eticamente agonizante. Rejeitar o petismo e a corrupção nas esquerdas não é desculpa para dar crédito às mentiras e exageros trazidos por Veja sob o signo do denuncismo.

Dar crédito a Veja seria, portanto, dar crédito à corrupção da mídia, e, o que é pior, uma corrupção feita sob o pretexto da falsa moralidade e sob a máscara do jornalismo investigativo. Seria entregar o ouro a bandido, ou melhor, ao crime organizado pelo bicheiro goiano.


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