segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A EUROPA TENTA RESOLVER SUA CRISE. E O BRASIL É "SÓ FESTA"


Por Alexandre Figueiredo

A crise europeia está séria. E, certamente, suas soluções não são as melhores. A Europa vive uma crise econômica que atinge milhares de trabalhadores em vários países, com um índice de cerca de 18 milhões de desempregados nos países que adotam o Euro como moeda.

E a Grécia, a tão famosa potência da Antiguidade clássica, é o país que está em pior situação, cujo índice de desemprego na população ativa está perto de um quarto, com 24,4%, e que atinge 55% dos jovens com idade inferior a 25 anos.

É um índice considerado grave, para os parâmetros da Europa. Mas os "remédios" a serem adotados só beneficiarão um lado, o dos empresários, com políticas fiscais e assistenciais que apenas reduzirão o prejuízo das empresas, saldarão suas dívidas e farão o mercado se movimentar. Mas a população fica prejudicada.

Trata-se da influência da troika, o grupo de tecnocratas que envolve o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia (este um grupo ligado à União Europeia), que com base nos valores do capitalismo mais rígido, propõem soluções amargas para a crise econômica.

Entre os sacrifícios impostos aos trabalhadores gregos, está o aumento da jornada de trabalho de cinco para seis dias e o corte em vários benefícios previdenciários. Talvez até mesmo programas de demissão de trabalhadores sejam feitos para salvar as finanças das empresas.

Mas os ricos também estão destinados, nos países do Euro em geral, a aumentar sua contribuição em impostos, para ajudar na resolução da dívida. Evidentemente, as elites abrirão mão merecidamente de boa parte de seu supérfluo, mas mesmo assim seus indivíduos reagirão com indignação, porque se julgarão humilhados e, constrangidos, irão reclamar da perda de sua "posição importante" na sociedade europeia.

Evidentemente, as populações reagirão com protestos, como se viu várias vezes nos países europeus, nos últimos anos. A influência dos movimentos de ocupação em Nova York são decisivas e mesmo o Reino Unido, que não adota o Euro, também viu muitos protestos contra o neoliberalismo nas ruas.

Por isso, embora as soluções que os tecnocratas da Economia oferecem sejam injustas e excludentes, elas representam alguma solução para a crise europeia. E, com toda a experiência da Europa em desilusões e infortúnios, sobretudo durante as duas grandes guerras, os europeus já possuem impulso suficiente para reagir e protestar, mostrando o outro lado da crise, reivindicando soluções que sejam benéficas para as classes trabalhadoras e a população como um todo.

NÃO TEMOS "BELLE-ÈPOQUE" E MUITOS FICAM SE "ACHANDO"

Enquanto isso, no Brasil, a situação está longe de se tornar uma  "belle-èpoque" local. Estivemos próximos disso, embora bem longe da prosperidade imaginada, entre 1958 e 1961. E olha que os chamados "Anos Dourados" eram apenas uma promessa que nem sequer chegou a ser cumprida, e, quando começávamos a estabelecer um caminho, veio toda a campanha golpista que resultou na ditadura.

Portanto, não há como comparar esse período com a atual fase de nosso país, onde o fisiologismo político mascara a corrupção com uma ideologia asséptica mas pseudo-progressista, com a adoção de paliativos dos mais diversos - da Economia ao Urbanismo, da Saúde à Cultura - que autoridades e celebridades tentam afirmar como "soluções definitivas".

A consciência crítica está se recuperando, mas de "urubólogos" a troleiros, há um reacionarismo violento contra aqueles que pensam os problemas existentes em nosso país. Temos que aceitar, passivamente, os ditames de nossos 'bondosos" tecnocratas, de nossa "imparcial" mídia e de toda uma pseudo-cultura em que o termo "popular", retoricamente enfatizado, anestesia muita gente.

O Brasil está velho, problemático, cafona, inseguro e violento. Será assim que viraremos uma nova potência e um farol para a humanidade planetária? Com toda a certeza, não. Enquanto o país se contentar em ser um mero quintal do mundo, jogando seus problemas por debaixo do tapete - até porque muitos deles beneficiam nossas elites - , ninguém no Brasil poderá colocar o país acima da Europa.

Sejamos realistas. A Europa cai de pé, ameaça se levantar e os erros e sacrifícios do neoliberalismo são fartamente questionados. E o Brasil que mal conseguiu se recuperar de uma crise de 48 anos ainda tem muito a resolver, mas só quer "festa" e "sorrisos".

Mas nosso atraso é tão grande que há muita gente que acha que ainda vivemos no período do "milagre econômico". E que acha que tenhamos que ficar calados para que o Brasil se transforme em potência mundial e social do futuro. No máximo, só vamos nos transformar amanhã na Grécia problemática de hoje.

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