quinta-feira, 13 de setembro de 2012

A DECADÊNCIA RABUGENTA DE JOSÉ SERRA


Por Alexandre Figueiredo

Embora as pesquisas de intenções de voto não sejam em todo confiáveis, às vezes elas acertam no diagnóstico da tendência da opinião pública, como é o caso de José Serra, que atingiu a marca de 46% de rejeição de votos válidos segundo uma das pesquisas.

A decadência de José Serra pode significar o começo de um desgaste ainda mais profundo do PSDB em seu Estado de origem, São Paulo. Um desgaste que não envolve apenas o economista e ex-líder estudantil, com cerca de 52 anos de trajetória política, mas outras figuras do tucanato.

A crise atinge também seu guru Fernando Henrique Cardoso, o governador paulista Geraldo Alckmin e até jornalistas associados, como Merval Pereira e sobretudo o enfezado Reinaldo Azevedo, articulista da mafiosa revista Veja.

Desde que o segundo governo Fernando Henrique Cardoso se encerrou acumulando uma série de crises políticas - que passaram por episódios como a tragédia da plataforma da Petrobrás (que quase se chamou Petrobrax), o "apagão" no fornecimento de energia e até a xingação de FHC aos aposentados, chamados de "vagabundos" - , o PSDB iniciou sua trajetória de queda depois de ter sido o paradigma da "racionalidade brasileira".

A decadência do PSDB é de tal forma tão grande que até a intelectualidade etnocêntrica (Paulo César Araújo, Pedro Alexandre Sanches, Ronaldo Lemos e outros), quase toda, tão exemplarmente seguidora das lições do neoliberalismo de Fernando Henrique Cardoso aplicadas à análise da cultura popular, hoje foge do tucanato como o diabo foge da cruz. Praticamente só Hermano Vianna está com o tucanato, como funcionário da Globo e antigo orientando do falecido antropólogo Gilberto Velho, ligado a FHC.

Como se não bastasse o governador Geraldo Alckmin, antes lançado como o "heroico" seguidor do falecido Mário Covas, autorizar toda a violência policial contra a população de Pinheirinho, extinto bairro popular de São José dos Campos e cujo terreno se encontra hoje em leilão, destinado a um novo parque industrial, José Serra também faz a má fama do tucanato e agrava seu desgaste diante da opinião pública.

José Serra não é uma figura carismática. O candidato à prefeitura de São Paulo nas eleições deste ano fica se justificando, ataca seus adversários de forma grotesca e rabugenta e suas propostas eleitorais são patéticas e meramente paliativas, isso se forem de fato realizadas.

Serra chega mesmo a fazer coisas patéticas como criticar o apoio de Dilma Rousseff ao rival dele, Fernando Haddad, quando faz questão que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso apareça em suas propagandas eleitorais.

O desgaste de José Serra é tanto e motivado não apenas pelo vazio de suas propostas, pela sua antipatia e arrogância, mas também pelo fato de que Serra, nesses últimos dez anos, deixava de completar mandatos eleitorais para concorrer a cargos políticos mais ambiciosos, pensando mais nas urnas do que no povo.

Não se sabe o que Serra vai fazer se a derrota eleitoral prevista pelos institutos de pesquisa se confirmar nas urnas, no próximo mês. Ele pretende continuar na política, mas com tantas derrotas eleitorais ele já deve pensar também em suas empresas de consultoria e no seu trabalho de economista pouco destacado, mais um economista a serviço dos tucanos mais frustrados do que para um povo que o ex-presidente da UNE não conhece mais.

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