sábado, 1 de setembro de 2012

A DECADÊNCIA DA REDE TV! E A TELEVISÃO ABERTA NA UTI


Por Alexandre Figueiredo

No últiimo domingo, foi noticiada a aparição das supostas "deusas" do imaginário (ou melhor, da falta dele) "popular", Solange Gomes e Andressa Soares, a Mulher Melancia, para a única finalidade de "medição de bumbum" para agradar o público machista que em boa parte se encoraja em ver o programa.

Nos 62 anos de história da televisão, o programa Sábado Total, apresentado por Gilberto Barros, o "Leão", é uma grande perda de tempo. O programa é tão ruim que tem tudo a ver a exibição de glúteos siliconados, de intérpretes brega-popularescos, de atrações pitorescas e tudo o mais.

Sabemos que falar nisso é chover no molhado. Até o apresentador Gilberto Barros é um "genérico" do Carlos "Ratinho" Massa na sua contribuição às baixarias televisivas. Só que, antes que algum "etnólogo" de plantão venha a fazer uma monografia ou documentário tentando transformar o horrendo programa em "preciosidade cult das periferias", temos que apontar seus malefícios.

A Rede TV! está em crise e isso é fato. Funcionários estão à espera de pagamentos salariais atrasados e cumprimento de encargos trabalhistas pendentes. Até as primeiras-damas da rede, as apresentadoras Daniela Albuquerque e Luciana Gimenez, casadas com os dois sócios da empresa, respectivamente Amilcar Dallevo e Marcelo de Carvalho, também não estão satisfeitas com a emissora.

A crise é de tal forma tão grande que nem a apresentadora mais prestigiada, Hebe Camargo, remanescente dos primeiros dias da televisão brasileira, está satisfeita. Tudo indica que, cedo ou tarde, Hebe se mudará para outra emissora, talvez a Rede Record, que já abrigou a apresentadora em outros tempos.

Numa época em que a mediocrização cultural na televisão atinge até mesmo canais pagos e emissoras educativas como uma onda gigante que derruba muros de contenção nos litorais, a Rede TV!, que tanto no Rio de Janeiro quanto em São Paulo parece sofrer da "maldição" dos canais falidos.

Nas duas cidades, a Rede TV! surgiu como sucessora direta da TV Manchete. Mas, antes, o canal 9 paulistano havia abrigado a TV Excelsior, emissora que havia transformado a linguagem televisiva na primeira metade dos anos 60. E o canal 6 carioca havia abrigado a TV Tupi, que teria sido a primeira emissora de TV do país não fossem os problemas com a instalação de antenas de transmissão, o que deu a façanha para a TV Tupi paulista (canal 4, atual SBT).

Embora a Rede TV! tenha surgido mantendo algumas virtudes da antes relativamente sofisticada Rede Manchete, como o seu telejornalismo, a emissora não tardou a ser uma seguidora dos vícios popularescos que há muito contaminam a Record, o SBT e a TV Bandeirantes e, num contexto mais light, a Rede Globo.

E são esses vícios popularescos que, de tão repetitivos, andam cansando a televisão aberta, embora sejam apreciados por uma população desprovida de boa escolaridade e de uma mídia de qualidade. O "popular" virou pretexto para empurrar tudo de ruim, desde cantores medíocres - que, se foram amestrados pela Rede Globo, poderão ao menos fazer uma "MPB de mentirinha" para boi dormir - até famosas hasbeen, como Solange Gomes e a Mulher Melancia, para medir o tamanho de seus glúteos.

E, dessa forma, o país necessita de uma regulação midiática ampla e corajosa, que não signifique tão somente a domação de jornalistas políticos reacionários. Até porque a "urubologia" envolve não somente comentaristas políticos ranzinzas, mas também "musas" calipígias temperamentais, ídolos cafonas posando de "vítimas de preconceito" e noticiários popularescos baseados no sensacionalismo mais grosseiro.

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