quarta-feira, 15 de agosto de 2012

ZIRALDO: "MUITOS PAIS NÃO PERCEBEM, MAS SEUS FILHOS SE TORNARAM IDIOTAS"


COMENTÁRIO DESTE BLOGUE: Ziraldo Alves Pinto, o cartunista mineiro de muitos anos de carreira - é um dos remanescentes da geração de intelectuais que brilhou nos anos 60, e havia perdido três amigos quase que de uma vez, Millôr Fernandes, Chico Anysio e Ivan Lessa - , é um dos defensores do hábito de leitura de livros.

E, numa época em que a trolagem revela a falta de educação de muitos jovens, ler um livro seria uma forma de diminuir essa estupidez digital, desde que, claro, um livro de boa qualidade, porque há livros ruins, e não poucos.

Mas quem conhece e admira Ziraldo sabe que a literatura que ele defende é uma literatura de qualidade, comprometida com o verdadeiro conhecimento e o verdadeiro desenvolvimento da cidadania.

Ziraldo: “Muitos pais não percebem, mas seus filhos se tornaram idiotas”

Por Guilherme Solari - UOL, reproduzido no blogue Viomundo

Uma breve conversa de 15 minutos com Ziraldo na Bienal Internacional do Livro de São Paulo acaba passando por temas como literatura, colonização brasileira, marketing, UFC, novas tecnologias, casos de família e até mesmo um pouco sobre os seus lançamentos na feira.

Aos 80 anos e em sua 16ª Bienal, o pai do Menino Maluquinho não cessa de enfatizar a importância de feiras literárias e do próprio livro para enfrentar o que ele considera em “emburrecimento” endêmico da sociedade.

“A família brasileira não lê. Nós temos a internet que pode ser a fonte da vida e do conhecimento, mas o computador é usado como brinquedo. Muitos pais não percebem, mas seus filhos se tornaram idiotas”, disse Ziraldo ao UOL. “Bote um livro na mão do seu filho e ensine o domínio da leitura. Se ele não dominar isso, só vai dar certo se souber jogar futebol ou dar porrada muito bem para entrar nesse UFC”.


Ziraldo mostra não aprovar o sucesso das competições de artes marciais mistas. “Liguei a TV de madrugada outro dia e vi dois seres se esfregando. Achei que fosse pornografia. E aí o chão começou a se encher de sangue como se tivesse rompido o hímen. Só depois percebi que era essas lutas”, contou Ziraldo.

Apesar de ser autor de obras que marcaram seguidas gerações de crianças brasileiras, Ziraldo diz que não se considera um narrador. “Não tenho um talento como o de Thalita Rebouças ou da autora do Harry Potter”, falou. “Eu parto de uma ideia simples como uma ilustração e tento fechá-la com chave de ouro, como fazia quando trabalhava no marketing”.

“O livro é o objeto mais perfeito da história da humanidade”, defendeu Ziraldo. “Você carrega a história em suas mãos, sente o cheiro do papel, o tempo que você vira uma página é um tempo que percorre na história. O livro contém vida e isso não pode ser substituído por algo frio e digital”.

Quando perguntado sobre o que mudou em sua comunicação com as crianças em todos os anos de literatura infantil, Ziraldo responde: “Não mudou nada. Os tempos e as tecnologias podem mudar, mas a criança não muda nunca”. Ziraldo lança na feira “O Grande Livro das Tias” (Melhoramentos), homenagem às tias e sua importância na infância.

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