quarta-feira, 22 de agosto de 2012

R7 E SUA OBSESSÃO AO BREGA-POPULARESCO


Por Alexandre Figueiredo

Sabemos que a Rede Record de hoje não é a nova TV Excelsior, e nem mesmo dá para comparar com a TV Record de outrora.

Em que pese uma boa equipe de jornalistas, alguns deles blogueiros notáveis, a Rede Record sofre um violento ranço brega-popularesco, em que o termo "popular" soa mofado com tanta associação à mediocridade cultural dominante em nosso país.

Depois que este blogue passou a questionar o brega-popularesco com mais frequência, não é mais possível associar a breguice dominante a uma hipotética rebelião popular, retórica difundida nos meios intelectuais e jornalísticos mais influentes nos últimos dez anos.

Isso porque essa "cultura de massa", em que pese o sentido mágico que causa o termo "popular" até para intelectuais e artistas ansiosos em disfarçar seus preconceitos elitistas com o paternalismo popularesco e a glamourização da pobreza e da breguice cultural, se alimentou, durante décadas, pelo coronelismo político e midiático e pelos subornos nos meios de comunicação conhecidos vulgarmente como "jabaculê".

O que se vê no portal R7 é essa "avalanche" de ídolos brega-popularescos, sobretudo popozudas (as supostas "musas muito sensuais"), breganejos (os supostos "sertanejos") e os sambregas (os supostos "pagodeiros"). No caso das popozudas - uma multidão de "musas" que vai das "musas do Paulistão" às "mulheres-frutas", passando por paniquetes, ring girls e ex-BBBs, entre outras - , a divulgação maciça delas compete de cabeça a cabeça com o portal Ego, das Organizações Globo.

Compare esse "universo popular" com o que havia há cerca de 50, 55 anos atrás. Em 1960, tínhamos sambistas artisticamente vibrantes, de personalidade firme e criatividade admirável, artistas caipiras também criativos e, mesmo alguns já influenciados por mariachis e boleros, ainda assim não descaraterizaram suas canções caipiras em prol de uma breguice tendenciosamente sofisticada.

E as "musas"? As vedetes podem não terem sido um primor de intelectualidade, mas também estavam longe da estupidez das famosas que hoje vivem de "mostrar demais". A sensualidade das vedetes era feita conforme o contexto, e, se elas quiserem, poderiam adotar sem problema uma elegância vista, na época, por mulheres como Audrey Hepburn e Sophia Loren.

As vedetes, na vida real, eram até mais discretas e dedicadas do que se imagina. E adorariam conversar sobre política e outros assuntos de interesse com os homens, mas o machismo ainda explícito de então - o machismo ainda não havia chegado ao demagógico estágio do "machismo-uia", espécie de machismo-emo dos punheteiros frustrados e troleiros - não deixava. Nessa época, Leila Diniz era uma adolescente e longe ainda da atriz famosa que rompeu com muitos paradigmas machistas em seu tempo.

E hoje? Vemos no R7 sambregas e breganejos se aproveitando que são celebridades para lançar qualquer coisa como notícia. Daniel, Thiaguinho, Chitãozinho & Xororó, Mr. Catra (se bem que ele é mais querido da Globo), Latino, Belo, É O Tchan, Tchakabum, Aviões do Forró, todo mundo se beneficiando com factoides ou com matérias pagas do tipo "fulano incendeia (sic) plateia no evento de tal cidade".

É um brega atrás de outro. Tanta coisa supérflua que se pretende "duradoura" às custas de factoides, matérias pagas e outros recursos publicitários. Afinal, as músicas deles, tão medíocres, não falam por si mesmas.

Aliás, que "músicas deles" se, no caso de Daniel e Chitãozinho & Xororó, eles sempre se marcaram pelos covers de MPB que tão tendenciosamente se apropriaram (embora eles tenham gravado também canções de outros compositores bregas, como Luís Ayrão e José Augusto)? Sem falar da dupla César Menotti & Fabiano, que só grava disco ao vivo, sempre com os mesmos sucessos?

Nem precisamos nos ater dos factoides que envolvem sambregas, breganejos, axézeiros, funqueiros etc. E das frescuras das "boazudas" que "mostram demais" até cansar. Tudo fica banal, repetitivo. O que Luan Santana inventou há dois anos, Michel Teló repete hoje e Gusttavo Lima repetirá no próximo ano. O que Geisy Arruda faz hoje Nana Gouveia fez três anos atrás. A ex-dançarina do Tchan, namoradeira na vida real, reclamando de "encalhe amoroso", de três anos atrás, tem o mesmo truque feito pela "musa do Paulistão" de hoje, e será pela "musa do MMA" do ano seguinte.

Não há promoção de valores sociais, transmissão de conhecimento, dignidade arística e sócio-cultural. Todo mundo cometendo gafes, frivolidades, tolices. Mas isso é "popular", pouco importa se é o popular falsificado, o popular postiço, promovido por executivos do mercado "popular" de entretenimento.

Um cheiro artificial de "povo" que é bem do agrado de intelectuais influentes, complexados com a sua formação e vocação elitistas. Eles precisam defender o brega-popularesco para dizer que estão "do lado do povo". No fundo eles devem ter alguma dívida trabalhista com suas empregadas domésticas. Mas isso é outra história.

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