domingo, 12 de agosto de 2012

PORQUE A SELEÇÃO LEVA TODAS NA COPA E NUNCA LEVA O OURO OLÍMPICO?


Por Alexandre Figueiredo

A seleção brasileira, que aparentemente vence com mais facilidade uma copa do mundo, nunca consegue obter o ouro nos jogos olímpicos de verão.

Pode ser a mesma equipe, a mesma escalação, mas o que pode ser uma tarefa muito fácil em certas copas do mundo, soa praticamente impossível quando se trata de uma olimpíada.

A dois anos da copa do mundo da Fifa Brasil 2014, a seleção brasileira não conseguiu vencer a seleção do México, na partida de ontem, em Londres. Era a final do campeonato de futebol masculino no evento olímpico, e o técnico Mano Menezes havia acreditado que a sua seleção levaria o ouro olímpico, como disse em uma entrevista recente.

O ouro acabou sendo para a seleção mexicana, que levou mais vantagens nos jogos e nas oportunidades de gol. Foram dois gols da seleção mexicana, e apenas um da seleção brasileira. E a seleção contava com Neymar, o arroz-de-festa do momento, e Alexandre Pato, o ex-marido da belíssima Stephany Brito.

A princípio, não dá para entender por que a seleção brasileira que ganha fácil numa copa dificilmente vence numa olimpíada. Mas, analisando melhor as coisas, dá para perceber que, numa olimpíada, a influência dos "cartolas" da Fifa e da CBF é bem menor que a de uma copa do mundo, porque, é óbvio, neste último caso eles são os chefões do espetáculo.

Desde os anos 90 a seleção brasileira nunca consegue fazer jogadas confiáveis, manter um time coeso, com jogadas velozes e uma capacidade estável de fazer dribles admiráveis. E isso vale até mesmo em copas onde a seleção, aparentemente, saiu vitoriosa, como em 1994 e na desastrosa e corrupta copa de 2002.

Em 2002, então, o jogo Brasil X Inglaterra, se fosse realizado não na copa da Fifa, mas numa olimpíada, teria dado na derrota fatal da seleção brasileira. Os jogadores ingleses jogaram melhor, estavam com muita fome de bola, os brasileiros, por outro lado, estavam nervosos e Ronaldinho Gaúcho perdeu a cabeça e foi expulso.

Mas, como numa encenação, os jogadores ingleses "liberaram" o campo de defesa e a seleção brasileira, que havia jogado mal na partida, "venceu" por 2 a 1. As aspas mostram que a vitória foi muito estranha, porque todos os times sempre vencem ou perdem partidas num dia, mas a tendência natural era que a seleção inglesa vencesse, porque estava em condições semelhantes à da seleção mexicana na partida que deu a medalha de prata para os brasileiros.

NÃO FOI 1958

Em relação aos dez anos do "penta", a grande mídia até tentou fazer uma comemoração. Fora o hype habitual da Rede Globo, a comemoração tinha que ser mesmo tímida e pouco marcante. Não havia muita coisa para se dizer sobre a copa do Japão e Coreia do Sul de 2002, porque ela foi tomada pela mediocridade e pela estranha derrota de seleções boas.

A copa de 2002 nem de longe pode se comparar com a da Suécia, em 1958, quando a seleção brasileira se destacou, pela primeira vez, pelas suas jogadas admiráveis, pela cumplicidade dos jogadores e pelos gols que garantiram a vitória de então.

Ano que vem serão os 55 anos desta vitória e até mesmo a mais tendenciosa cobertura midiática fará diferença ao falar e escrever sobre 1958 em relação ao que fez sobre 2002. Seria, mais ou menos, como falar do "sucesso mundial" de Michel Teló e depois celebrar o sucesso mundial verdadeiro de João Gilberto.

A mediocridade pode ser exaltada pela mídia, pela intelectualidade e até ter a defesa violenta da trolagem na Internet. Mas ela não tem qualidades suficientes para que se faça uma defesa substancial, ou, quando ela se torna coisa do passado, uma recordação realmente saudosa.

A copa de 2002 cairá no esquecimento. Foi a copa da mediocridade, a seleção brasileira que lá jogou foi a seleção de Ricardo Teixeira e Galvão Bueno. Não foi a seleção do povo brasileiro. Tudo foi tendencioso, artificial, até as jogadas eram muito iguais para que se levasse o evento esportivo a sério.

A copa de 1994, nos Estados Unidos, pelo menos foi uma piada. A de 2002, não. Foi o espetáculo da corrupção mais escancarada, fruto da indústria de "resultados" que movimenta empresas anunciantes no futebol e mobiliza todo um mercado legal e até mesmo clandestino para pressionar a "vitória" de uns privilegiados.

Podemos dizer que a seleção brasileira de 2002 foi também a seleção da Nike. E que, mudados os jogadores mas mantida a "filosofia de trabalho", deu conta de seu verdadeiro recado ao deixar a medalha de ouro para o time mexicano. Um verdadeiro "Brasil X Inglaterra 2002", sem a "ajudinha amiga" de Ricardo Teixeira, da Globo e da Nike.

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