quarta-feira, 29 de agosto de 2012

POR QUE A VULGARIDADE FEMININA É TÃO INSISTENTE?


Por Alexandre Figueiredo

A inflação de "mulheres-objeto", em pleno primeiro quartel do século XXI, num Brasil que promete ser a nova potência da humanidade planetária, é preocupante.

O mercado editorial e midiático que se alimenta nessas "acidentais" e "despretensiosas" exibições de corpos "avantajados" torna-se tão insistente que existem "musas" de "todo tipo": de ex-BBBs a paniquetes, passando pelas funqueiras "mulheres-frutas", pelas "garotas da laje", "miss bumbum", "musas do MMA", "musas do Brasileirão" e o que vier.

Numa época em que precisa-se promover a emancipação feminina, não somente no mercado de trabalho ou na vida amorosa, mas numa série de valores morais, culturais e outros, é preocupante que nada menos do que 50 "boazudas", aproximadamente, figuram nos sítios de celebridades mostrando apenas sua única e exclusiva qualidade: os corpos que excitam um público machista e sexualmente obsediado.

As notas já são mais que repetitivas que até se duvida, e muito, das ocorrências "acidentais" de fulana que "paga calcinha", da sicrana que "paga cofrinho", da beltrana que "deixa o sutiã cair por ação do vento (sic)". Mas os empresários, produtores e editores que investem nesse hiperespetáculo machista não estão aí. As apelações das "musas" podem enfurecer até budista que eles continuarão insistindo.

Recentemente, temos o caso da anunciada "aparição" de Solange Gomes e de Andressa Soares, a Mulher Melancia, num decadente programa popularesco de TV. As duas, aliás, já fizeram juntas uma pose com seus glúteos em close, investindo fundo na baixaria televisiva que ainda irá ao ar em breve.

Enquanto isso, a ex-integrante do Big Brother Brasil, Maíra Cardi, esquecendo que deveria manter a compostura num aeroporto do Rio de Janeiro, cheio de passageiros, transeuntes e turistas, preferiu investir no exibicionismo, fazendo caras e bocas e "apertando" o decote, insinuando uma pseudo-sensualidade vulgar e desesperada. Tudo pela fama a qualquer preço.

"PRISIONEIRAS" DE SEU CORPO

Esse sensacionalismo anda preocupando bastante, porque não é isso que fortalecerá o feminismo, não é isso que expressa a liberdade do corpo da mulher. Pelo contrário, não se pode definir como liberdade do corpo o fato dessas "musas" serem prisioneiras e escravas do culto ao corpo, da obsessão pretensamente sensual que nada diz e nada contribui em coisa alguma na vida.

Fazendo uma comparação com outras mulheres famosas, como atrizes e modelos, nota-se que as mulheres que não vivem da vulgaridade pseudo-sensual adotam uma postura discreta e sóbria. Brasileiras como Deborah Secco, só para citar uma mulher considerada símbolo sexual de muitos homens, simplesmente passeiam pelo saguão dos aeroportos sem muito exibicionismo, sem bancarem as "gostosas" a qualquer custo, sem apelar para "mostrar demais" seus "dotes" físicos.

No exterior, então, musas como a modelo Cindy Crawford e as atrizes Emma Watson, Natalie Portman e Salma Hayek - esta famosa pelo protótipo de morena ultrasensual - aparecem de forma mais discreta, quando muito exibindo uma sensualidade light e menos apelativa possível, através de calças jeans justas ou de decotes discretos. Nada de exibicionismo, nem de caras e bocas.

Dá até para imaginar o tom de promoção que Maíra Cardi arrumou com sua exibição "acidental" do seu decote. A foto resultada aparentemente não indica, mas quem percorreu as proximidades, com atenção, deve imaginar que a ex-BBB e o fotógrafo combinaram a pose previamente, tudo pelo sensacionalismo barato na mídia nacional.

Essa insistência de prevalecer a vulgaridade feminina constrange e humilha a mulher brasileira. Não se trata de sermos contra a sensualidade. Mas a verdadeira sensualidade possui contextos, situações certas, e uma certa sutileza. E isso as "musas populares" não sabem fazer, e acham que estão sendo modernas com isso. Não estão. Elas estão, isso sim, sendo grotescas, antiquadas e um tanto caricatas quando "se mostram demais".

Solange e Andressa demonstram extremamente grotescas na sua "medição de bumbum" e Maíra parece alguém traumatizado com o risco de ostracismo, daí a apelação da pseudo-sensualidade. Outras musas do gênero, seguindo o mesmo "descaminho" - sobretudo uma Geisy Arruda que também "deixou escapar" um dos seios - , apenas se tornam constrangedoras e grosseiras nos seus atos.

E isso não as faz mais desejadas. Elas só são desejadas para um público machista, grosseiro e sem capacidade intelectual de traçar sequer uma fantasia sexual. As "boazudas", neste caso, vem com o produto pronto, "mulheres-objetos" que já chegam com a "fantasia" pré-fabricada pela mídia das celebridades e pelo mercado de revistas "sensuais". O machismo agradece com isso. Mas a sociedade em geral fica envergonhada com todo esse "espetáculo".

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