terça-feira, 28 de agosto de 2012

"POPOZUDAS" GERAM MACHISMO, RACISMO E EXCLUSÃO SOCIAL


 Por Alexandre Figueiredo

Bia Abramo acabou furando o lacre do alarme de emergência. Sob o pretexto de criticar o "horror moralista" contra tudo que é associado ao rótulo "popular", ela se lançou contra as mulheres trabalhadoras, na medida em que ridicularizou a campanha destas contra a exploração pornográfica de suas profissões através da tal "Proibida do Funk".

A "Proibida do Funk" era uma daquelas "musas" que antecipou as atuais "popozudas" com seu corpo exageradamente siliconado e um perfil extremamente vulgar e intelectualmente oco.

Mas é tudo pelo "popular". No discurso intelectual mais influente, até uma mãe favelada que reclama da poluição sonora de "bailes funk" é enquadrada nos "insuportáveis elitistas que evocam a alta sociedade do século XIX (?!)". "Urubologia" pouca é bobagem.

Mas Bia Abramo, colega do "caetucano" Pedro Alexandre Sanches, se "lacerdizou" ao trocar as lições do pai Perseu Abramo e do tio Cláudio Abramo - que, anos depois de morto, "perdeu" o filho Cláudio Weber para os braços do Instituto Millenium - pelos "ensinamentos" de Otávio Frias Filho no Projeto Folha, os mesmos que criaram as bases ideológicas de Sanches.

Hoje, vemos o mercado todo saturado, repetitivo e inútil das chamadas "boazudas" ou "popozudas". Paniquetes, "mulheres-frutas", ex-BBBs, "musas do Brasileirão", "musas do UFC", "garotas da laje", "miss bumbum", etc, etc, etc. E elas não fazem outra coisa senão "mostrar demais" os corpos, isso quando elas não cometem gafes em declarações na imprensa ou exibem seu "admirável" gosto musical da mais escancarada música brega.

Isso é "liberdade do corpo"? Não, porque não é liberdade de coisa alguma. O espírito não tem serventia, o corpo é que, com sua "liberdade", aprisiona o espírito. As "musas populares" não têm o que dizer, não têm o que fazer, só "mostram o corpo". Que geralmente é "turbinado" com generosas doses de silicone, até sem a menor necessidade.

Só que elas, que também são anabolizadas e algumas mentem quanto ao estado civil - algumas funqueiras casadas andaram se passando por "solteiras" - , acabam causando efeitos nocivos que conduzem à degradação mais cruel da mulher brasileira, principalmente mulheres trabalhadoras, negras e pobres.

A BANALIZAÇÃO DOS GLÚTEOS ENORMES

Pessoas diferentes possuem diversas estaturas físicas. Diversas cores de pele, diversos tipos de rosto. Nas classes populares, a diversidade étnica é notável, e isso é que irrita certas elites reacionárias, principalmente quando existe a livre miscigenação racial onde prevalece a afinidade natural das pessoas.

A exploração comercial de mulheres com corpos "avantajados" acaba criando um estereótipo supostamente "popular" da mulher brasileira que, em vez de enobrecê-la, a degrada violentamente. E, vendo muitos internautas, que, troleiros, escreveram mensagens agressivas para mim defendendo as tais "mulheres-frutas", dá para perceber que existem até mesmo conotações racistas e outros motivos pejorativos nisso.

Afinal, a "mulher brasileira" defendida por esses "machistas-uia" é um estereótipo de clara apelação pornográfica, que acaba criando uma imagem fútil da mulher das classes populares, porque, infelizmente, as chamadas "popozudas" são promovidas pela mídia como se fossem o "tipo ideal de mulher" a ser seguido sobretudo pelas jovens da periferia.

Com a exploração pornográfica e claramente anti-intelectual - sim, os "machistas-uia" veem até um certo charme na burrice de muitas "popozudas" e se ofendem quando alguém cobra o mínimo de inteligência delas - dessas "musas", isso cria problemas até no mercado de trabalho, porque a "sensualidade" grotesca e alienante cria uma imagem preconceituosa das mulheres que não têm a forma light das modelos, mas o corpo que coincide, em volume e formas, aos corpos "sarados" das "popozudas".

Imagine, por exemplo, uma negra da favela, do tipo plus size, jovem e faceira, mas que, coerente, se recusa a fazer o papel da "popozuda" ou da "boladona", preferindo estudar para um concurso público para ser técnica administrativa. Por ter um físico que "coincide", ainda que sem silicone, com o das musas "populares" como a Mulher Melancia, ela não poderá entrar no mercado de trabalho por conta da forma "avantajada"?

A exploração grosseiramente "sensual" também cria diversos problemas. Além do racismo contra negros, índios e caboclos, ou mesmo de mestiças de pele mais clara, por conta da infeliz associação, há também a visão equivocada da "fome sexual" que atinge as classes trabalhadoras, acostuma muito mal os homens trabalhadores e promove negativamente o povo pobre como se fosse um "bando de tarados selvagens".

A exploração do brega-popularesco esconde muita crueldade na visão deturpada das classes populares, que em diversos aspectos é vista de forma caricata, patética e domesticada. A "inocente" e "despretensiosa" grande mídia - que aos olhos dos intelectuais "deixa de ser" grande mídia pelos "grandes serviços" à promoção do "popular" - acaba, sim, fazendo um péssimo serviço à promoção da cultura popular, preferindo investir num modelo estereotipado, que transforma o povo pobre em caricatura de si mesmo.

Mas sabe-se muito bem que nem todos os pobres compartilham dessa visão. Há muita gente pobre, que, mesmo analfabeta, sabe o que é dignidade, e quem está desprovido de televisão, jornal e rádio não deixa de ter sua vantagem de pelo menos não se influenciar pela degradação midiática que, sobre o rótulo "popular", comete as mais cruéis "urubologias" contra o povo, sem que soe "negativa" aos olhos da opinião pública média.

Muitos pobres vão de carona nos "sucessos populares" da mídia porque viraram escravos do rádio e TV, que, não devemos esquecer, são controlados por oligarquias nacionais e regionais. Há muito nos acostumamos com o "popular" caricato do brega-popularesco, mas isso não dá direito aos intelectuais mais festejados de dizer que isso é a "verdadeira cultura popular".

E, no caso das "popozudas", a coisa é grave. O mercado tenta saturar do maior número possível de "musas" do gênero, sem medir escrúpulos em saturar e tornar o "universo" repetitivo e cansativo com tantas moças que "mostram demais" aqui e ali. E isso deturpa a imagem das classes populares, criando uma imagem pejorativa que esconde valores racistas e machistas de muita gravidade.

Convém romper com tudo isso, e até seria melhor evitar comprar essas revistas com "popozudas", evitar visitar os portais que as glorificam - como o portal Ego, das Organizações Globo - e coisa e tal. Por trás desse "maravilhoso" mercado "popular" de moças "muito sensuais" (sic), há todo um sistema machista e elitista perverso, de empresários que querem ficar ricos às custas da exploração abjeta dos instintos que o povo pobre, desprovido de uma boa escolaridade, acabam desenvolvendo para se distraírem da miséria e da exclusão social. Só que isso nem de longe é "felicidade". Isso é alienação.

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