quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O MACHISMO-UIA


Por Alexandre Figueiredo

Recentemente, nos meus textos criticando a vulgaridade das "mulheres-frutas", tive uma polêmica séria com um blogueiro que cismou que sentia "nojo de pobre".

Burguesinho, o rapaz, talvez um daqueles roqueirinhos de araque que passaram a se simpatizar com o "funk carioca", mostrava seu direitismo dente-de-leite de forma convicta e insistente, na sua obsessão politicamente correta de que, defendendo os funqueiros, ele dê a impressão de que "entende verdadeiramente a cultura das periferias".

A polêmica se arrefeceu porque, no meio do caminho, anti-funqueiros o "capturaram" no Twitter e fizeram críticas tão duras que ele foi incapaz de continuar argumentando, envergonhado com as réplicas que recebeu.

Mas nesse caminho todo, outro carinha apoiava o outro nas defesas às "mulheres-frutas" e, quando eu escrevi que eles eram machistas, esse outro cara logo reagiu com o comentário "Uia!". Talvez outras pessoas reagiriam com o antipático e famoso "Huahuahuahuah" dos tempos "áureos" do Orkut, que é aquela ironia em que fulano graceja diante das acusações, mas é incapaz de desmenti-las com convicção.

Pois o "Uia" tem esse sentido mesmo. E aí surgiu o nome do machismo-uia, esse machismo envergonhado que é uma novidade num Brasil onde o maior símbolo do machismo, o empresário Doca Street, se encontra no final de sua vida de álcool, tabagismo, drogas e um feminicídio (num país em que Chico Anysio morreu aos 80 por consequência do cigarro, Doca tem 78).

Pois é um novo machismo, meio festivo, meio envergonhado, falsamente feminista, altamente punheteiro. Um machismo dentro das perspectivas da "ideologia emo" cruzada com a obsessão das elites juvenis com o brega-popularesco mais aberto.

Esse "machismo-emo" de jovens troleiros, solitários defensores das "musas populares", é até um fenômeno sociológico, na medida em que é resultante de uma onda de elitismo envergonhado que faz com que intelectuais, internautas, jornalistas e celebridades celebrem a cafonice cultural como se fosse a "salvação para o povo".

E nada como esses "machistas-uia", jovens elitistas, para evocar as "musas populares" através do pretexto de louvar a palavra "popular". E chegam mesmo a inverter as coisas, chamando de "machistas" aqueles que falam mal das "musas populares", o que é uma incoerência.

Afinal, as "musas populares" seguem fielmente a cartilha do machismo. Elas só aparentemente se sustentam nas carreiras sem a dependência de cônjuges. E, para reforçar a imagem de mulheres-objeto, elas são siliconadas, anabolizadas e bastante temperamentais. Até mais do que os troleiros que chamam de "machistas" aqueles que falam mal dessas verdadeiras serviçais do machismo lúdico brasileiro.

Os "machistas-uia" são frustrados. Talvez fossem "pegadores" fracassados, ou seja, conquistadores que perdem logo na primeira cantada. E isso nos eventos mais fuleiros do brega-popularesco, onde as mulheres também se envolvem numa aura machista de submissão ao entretenimento imposto por rádios e TVs, consumindo a breguice mais escancarada, sobretudo "sertanejos", "pagodeiros" e funqueiros, mas também com forró-brega e axé-music adoidados.

Se essas moças não se sentem seguras em aceitar os assédios dos "machistas-uia" - meio playboys, às vezes meio junkies, noutas meio mauricinhos - , então eles terão que se contentar com suas "deusas" que eles veem na Internet nas páginas "populares".

Como crianças que não podem brincar com balões de aniversário o tempo todo, eles precisam compensar isso com mulheres cujos bustos e glúteos lembram o formato redondo dos balões. O "machismo-uia' também vive de "criancices". Uia!

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