terça-feira, 21 de agosto de 2012

O ESCÂNDALO DOS BUSÓLOGOS REACIONÁRIOS


Por Alexandre Figueiredo

Palavrões, ofensas e xingações nas redes sociais. Apelos de censura na Internet em mensagens de fóruns e e-mails na Internet. Blogues de calúnias e difamação. Até ameaças de atos violentos.

Essa realidade lamentável tornou-se um grave escândalo nos bastidores da busologia fluminense, fazendo com que um simples hobby de admirar ônibus escondesse disputas de poder e abusos cometidos por alguns membros dotados de visibilidade e prestígio.

Depois que um grupo apareceu num programa de TV paga, a busologia, hobby que está crescendo nos últimos anos, virou uma fogueira das vaidades que, por parte de uma elite, se manifestou através de uma campanha de intolerância, como se fosse para a implantação de um "pensamento único" entre seus adeptos.

São uma pequena parte de busólogos que haviam publicado fotos em portais de transporte coletivo, como Railbuss e Portal Interbuss, que passou a apoiar projetos políticos para o transporte coletivo lançados por figuras como o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e o arquiteto Jaime Lerner, mas que por outro lado viram que o hobby contava com um grande número de pessoas que não pensava igual a essa minoria.

Sem poder agir contra aqueles que mantém a mesma visibilidade, esses poucos busólogos - incluindo um que apareceu no tal especial de TV paga e é conhecido por arrumar confusão na Internet, tendo se envolvido até em blogue de calúnias - iniciaram uma campanha de "limpeza ideológica" agindo de diversas formas contra busólogos emergentes que não compartilham seu pensamento "chapa branca".

São uns cinco ou seis busólogos, aproximadamente, envolvidos em ataques que chocaram a opinião pública e impulsionaram até denúncias à Polícia Federal e à Justiça. Não podemos citar os nomes deles, porque eles, ainda confiantes na impunidade, se acham os donos das ruas, indo para qualquer lugar fotografar os ônibus, arrumando pretexto até para violentar quem estiver delatando eles de forma escancarada.

Mas, nos bastidores e no ambiente privativo das redes sociais (as comunidades "Busologia do RJ" do Orkut e Facebook e os fóruns do portal Ônibus Brasil), eles já dão conta de seu lamentável recado. Há desde palavrões até mesmo apelos de censura na Internet dignos das campanhas internacionais SOPA e PIPA, embora, a princípio, esses busólogos desconheçam até mesmo a existência dessas iniciativas.

Os escândalos passaram a envergonhar sobretudo os busólogos emergentes, e mesmo aqueles busólogos iniciantes que, conquistando a visibilidade desejada, são bajulados pelos busólogos encrenqueiros, cujo cinismo em expulsar os busólogos "incômodos" é o mesmo que tenta conquistar a confiança de outros emergentes, provavelmente para construir uma base de apoio para o "pensamento único" que levará a meia-dúzia de busólogos encrenqueiros para cargos funcionais ou políticos.

POLITICAGEM - Pois é a politicagem anunciada por Eduardo Paes que fez ferver as mentes dessa minoria busóloga. E fez chamar a atenção de autoridades e advogados para o teor das mensagens publicadas nas redes sociais, o que passou a "manchar" a imagem de certos busólogos antes admiráveis por suas fotos mas tomados de total senso de desrespeito humano.

A situação chegou a tal ponto que não se pode criticar a padronização visual nos ônibus do Rio de Janeiro, as irregularidades da Transmil, a valorização excessiva dos BRTs e outros problemas sem receber alguma xingação ou comentário agressivo de um busólogo mais "estrela".

Nota-se que o modelo de transporte coletivo imposto por Eduardo Paes demonstra um sério processo de decadência, o que causa pânico entre seus adeptos que querem apresentar o "modelo" para autoridades estrangeiras nos eventos esportivos de 2014 e 2016. E a decadência pode representar o fim da ascensão política de certos busólogos. Daí a campanha violenta que eles fazem.

Essa campanha chega ao ponto do mais cego desprezo ao interesse público. A padronização visual, por exemplo, traz uma série de desvantagens, transtornos e prejuízos que nenhum ônibus mais especial (como os de piso baixo, articulados e motores de marcas suecas) e nenhum recurso de identificação tecnológica de cada ônibus circulando, como por satélite e Internet, consegue resolver.

Pouco importa se o povo sofre transtornos, se gestantes, idosos, pobre e até trabalhadores e estudantes estão pegando ônibus errado, se os ônibus estão enguiçando com mais frequência - só entre março e abril passado, foram 643 ônibus segundo a SET-Rio, cerca de 10 por dia)  - se os acidentes matam mais gente.

Os busólogos mais violentos desprezam tudo isso, para eles o povo não passa de um mero gado a aplaudir tudo que Eduardo Paes, Alexandre Sansão e companhia impõem para a população. E que está sendo copiado em Niterói, que sofrerá os mesmos transtornos, até mais graves, apesar da pinturinha padronizada mais atraente, porque as frotas de ônibus serão reduzidas até pela metade numa cidade onde novos prédios atrairão um gigantesco aumento de usuários de automóveis, influindo nos congestionamentos que poderão piorar em breve.

A confiança excessiva aos políticos, os mesmos que cometem descaso na Saúde e na Educação, mas se acham os "chefões" do transporte público, e a ânsia de estar ao lado de dirigentes esportivos e autoridades estrangeiros em 2014 e 2016, faz com que esses poucos busólogos ajam assim dessa forma irresponsável, desmoralizando discordantes mas tentando atrair outros busólogos para os apoiarem nesse bullying automotivo.


Da mesma forma, o não cumprimento de promessas de emprego no gabinete de Alexandre Sansão, no DETRO ou em outro órgão, assim como nenhuma indicação de busólogos de elite para disputar cargos de vereadores nas próximas eleições está enfurecendo essa elite. Daí os comentários ofensivos de diversos modos que desmoralizam quem não compartilha do "pensamento único" da elite busóloga.

Ultimamente, denúncias diversas "mancham" a imagem dessa elite, por conta de seus excessos. O blogue caluniador foi denunciado à Polícia Federal e ao Ministério Público. As denúncias partem de diversas fontes, sejam de busólogos lesados pela campanha desmoralizadora, sejam de pessoas solidárias, mesmo fora da busologia.

O escândalo fez até mesmo com que recentemente houvesse não um encontro unificado de busólogos fluminenses, mas dois encontros, o que mostra a dissidência causada em relação aos encrenqueiros. E a repercussão negativa que estes recebem também se volta contra eles, na medida em que eles já começam a discutir até com aliados e a receber advertências sérias de provedores de blogues e de editores de portais de ônibus.

E, com toda a politicagem que Eduardo Paes e companhia simbolizam, nem eles querem contratar os busólogos encrenqueiros, porque pegará mal para a propaganda. Até porque esses poucos busólogos, pelo seu apetite em censurar a Internet, estão mais próximos de outro Eduardo, o Eduardo Azeredo, o reacionário da Internet que é amigo de Marcos Valério. Censurar nem sempre é defender a ética.

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