quinta-feira, 16 de agosto de 2012

"FUNK" E SEU DESESPERO EM SER MAIS QUE MERA MERCADORIA

CRIANÇAS BALANÇANDO O "POPOZÃO": AO LADO, FILHOS DE MR. CATRA DANÇAM O "FUNK CARIOCA".

Por Alexandre Figueiredo

"Funk carioca" é mercadoria, jabaculê, politicagem, pretensiosismo. Do contrário da verdadeira arte, que nos últimos anos é condenada a ser mercadoria, o popularmente chamado "pancadão" ou "batidão", que já nasceu mercadoria, vive seu complexo em querer ser o que não é, uma arte.

Sem ter o que dizer e já tomado de sucessos cada vez mais repetitivos, o "funk carioca" vive da choradeira feita na mídia ou nos circuitos intelectuais. Cria-se um discurso lacrimoso que convence até mesmo as pessoas abastadas a aderirem ao consumismo funqueiro achando que isso é "ativismo social".

No Profissão Repórter (Rede Globo) de anteontem, foi feita mais uma das reportagens que integram a mesmíssima campanha da intelligentzia brasileira de promover o "funk" como se fosse grande coisa. Tudo dentro dos padrões de jornalismo investigativo que encheriam de orgulho o neoliberal Rosenthal Calmon Alves, do Jornalismo nas Américas, a mais nova campanha da supremacia dos EUA na América Latina.

Assim como o antropólogo Hermano Vianna, é uma parte da campanha que se assume dentro dos quintais da velha grande mídia. Mas há gente que tenta fazer isso na mídia esquerdista, no desespero do proselitismo mais totalitário.

A choradeira deu certo, já que, como o programa mostra, há muita "gente bonita" nos "bailes funk". Sobretudo entre as chamadas "periguetes", um tipo de mulheres vulgares que primeiro se envolvem com namorados durões para depois assediar homens pacatos para criarem ciúmes nos outros. Moças sem a menor confiança para o envolvimento com os chamados caras legais.

Há também a citação do mega-sucesso do gênero, Mr. Catra, que uma repórter desavisada de Caros Amigos achou que ele estava fora da mídia, sem observar a aparição dele justamente nos vários veículos das Organizações Globo, sobretudo a Rede Globo, só faltando o funqueiro ensinar uns passos para o "imortal" Merval Pereira (estava perto disso, porque outro colunista do Jornal da Globo, Nelson Motta, sempre elogiava o gênero).

Mr. Carta chega a se apresentar em eventos caríssimos, cujo camarote pode custar até R$ 2.500, e ganha muito dinheiro com isso. Mas se até um "modesto" MC Sapão ganha, por cada apresentação, dez vezes mais o que um servidor público ganha por um mês inteiro, já dá para perceber que o "funk carioca" não é tão "pobrezinho" assim. Dizem rumores que alguns DJs de "funk" estão até virando latifundiários...

Não há o que dizer da "música" em si. Ultimamente, o "funk carioca", depois do "tamborzão" (bateria eletrônica que imita batuques de umbanda) e dos sons de sirenes em batida "pocotó" (feita com scratch de DJs), agora voltou à batida do "pum" que havia no dito "funk de raiz", agora acompanhado de um MC de apoio fazendo "tchuscudá-tchuscu-tchuscudá", também conhecido como o "tchu-tchá" lembrado pelos breganejos João Lucas & Marcelo.

Mas essas "variações" não acrescentam muita coisa ao gênero, de seriíssimas limitações de expressão. Junta-se a isso as baixarias "cantadas", a coreografia, claramente inspirada na "dança da boquinha da garrafa" dos anos 90, mas reconduzida num contexto "etnográfico" (num processo inverso ao da "dança do tamanduá africano" do filme Namorada de Aluguel, com Patrick Dempsey).

O "funk carioca" não fala por si mesmo. Precisa de marketing, sobretudo quando feito sob uma roupagem pretensamente intelectual ou jornalística, e de muita choradeira às custas de chavões como "cultura das periferias", "vítimas de preconceitos" etc.

E, nos últimos anos, o "funk carioca" que tanto esnobou e desprezou o funk autêntico (James Brown, Tim Maia etc), agora tenta se apoiar nele na desesperada tentativa de evitar seu desgaste. Nem que seja feito um "pancadocentrismo" como no discurso ideológico de MC Leonardo, para o qual o "funk carioca" é o centro e a medida de todas as coisas, os outros ritmos só têm valor quando submetidos a apoiar o "funk".

Não fosse essa campanha, que, de uma forma exagerada e surreal, tenta promover o "funk carioca" como algo "melhor" do que a realidade mostra, o ritmo teria caído no ostracismo. Como mera mercadoria, o "funk carioca" não se sustenta culturalmente. É apenas um produto da "cultura de massa" que precisa ser sustentado por campanhas de defesa cada vez mais sutis, ainda que mentirosas.

E, como algo que nasceu mercadoria, o "funk carioca" quer ser "arte". Impossível. Mesmo todo o discurso intelectual em volta só o faz prolongar seu sucesso nos circuitos comerciais, e até o rótulo de "patrimônio cultural" foi obtido pela via politiqueira, sem qualquer competência técnica.

O "funk carioca" só serve para o entretenimento vazio, superficial e efêmero. Até para ouvir seus sucessos é preciso muita bebedeira, para não dizer outros "estimulantes". Por si só, o "pancadão" e o "batidão" entediam, irritam e chateiam. E falar assim não é uma questão de higienismo social nem de moralismo, e muito menos de preconceito.

Por isso é que toda a choradeira intelectual não conseguiu até agora afastar toda a reação da sociedade - inclusive muita gente das periferias! - contra os funqueiros. Coisa que, aliás, anda aumentando consideravelmente em todo o país.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...