quarta-feira, 8 de agosto de 2012

EDUARDO PAES E SÉRGIO CABRAL FILHO QUISERAM DESTRUIR A BUSOLOGIA


Por Alexandre Figueiredo

A série de episódios desagradáveis envolvendo a busologia fluminense, incluindo uma luta "fratricida" feita por uma elite de busólogos reflete uma situação delicada que esconde interesses políticos diversos.

Sabemos que a luta "fratricida", feita sobretudo nas chamadas redes sociais, tem por objetivo criar uma "panelinha" de busólogos que pensam "padronizado", enquanto que aqueles que discordam dessa implantação do "pensamento único" na busologia são gratuitamente desmoralizados.

Até mesmo um blogue de ofensas gratuitas foi criado para "lavar roupa suja no esgoto", o tal Comentários Críticos, cujo autor, "crítico", teria sido provavelmente um conhecidíssimo busólogo famoso por arrumar confusão, desde que apareceu num canal de TV paga. E que prometia derrubar não só eu ou meu irmão, mas qualquer um que representasse barreira para a ascensão política dele, até mesmo seus aliados de ocasião.

Só que, embora a impunidade muitas vezes garanta e até proteja a prepotência dessa minoria barulhenta de busólogos, que disparam ameaças, ofensas e ironias, expulsam discordantes das comunidades "Busólogos do RJ" como quem enxota um vira-lata a pedradas, esse reacionarismo todo já começa a preocupar os busólogos de outros estados, além de intimidar não somente aqueles que são desmoralizados pela "panelinha", mas os novos busólogos que já estão com medo de assumir o hobby.

A coisa chega ao ponto de certos busólogos adotarem uma postura contrária à livre reprodução de fotos na Internet, semelhante ao de campanhas reacionárias como SOPA, PIPA, ACTA e a do senador mineiro Eduardo Azeredo. Ou seja, em nome dos tais "direitos autorais", não se pode reproduzir fotos, nem sequer de forma responsável (com o devido crédito de autoria) nem a título de informação.

Só essa postura - que abraça causas mundialmente combatidas por multidões e pelos mais conceituados ativistas sociais de todo mundo - faz a elite de busólogos reacionários (animados pelo "crítico" e seus "fakes do bem") intimidar os novos simpatizantes, assustados com a agressividade dessa elite busóloga, expressa claramente no fórum do Ônibus Brasil (acessível somente por login e senha), no Facebook e no Orkut, incluindo a censura defendida sem escrúpulos.

Mas isso tudo tem uma razão que, por incrível que pareça, não é de responsabilidade direta desses busólogos, a promover essa campanha "higienista" para se transformar num grupo fechado para abocanhar cargos políticos ou funcionais na Secretaria Municipal de Transportes (Prefeitura do Rio), no DETRO, na ALERJ e na Fetranspor.

A culpa direta deve ser dada, é claro, para o grupo político de Eduardo Paes e Sérgio Cabral Filho, respectivamente prefeito do Rio de Janeiro e governador do Estado do Rio, que prometeram dar cargos para busólogos que apoiarem seus projetos, de caráter antipopular, para o transporte coletivo.

A ORIGEM DISSO TUDO

Quando a medida foi anunciada, em 06 de dezembro de 2009, todos os busólogos foram contra medidas como a padronização visual dos ônibus. Todos eles, até o "crítico". A postura permaneceu firme até março de 2010, quando estranhamente alguns busólogos mudaram a postura da noite para o dia, uns até de forma radicalmente oposta a que expressaram meses antes.

Tudo soou estranho, mas o que ocorreu é a promessa de Eduardo Paes e seu secretário Alexandre Sansão de dar emprego a busólogos mais destacados, e é essa promessa de emprego, até hoje nunca realizada, que fez "rachar" a busologia, a ponto de, em maio passado, ter havido não mais um grande encontro de busólogos, mas dois.

A promessa de oferta de cargos de comissão ou mesmo a possibilidade de eleição para cargos políticos fez com que certos busólogos se iludissem e embarcassem no "BRT" furado dos políticos, que implantaram no Rio de Janeiro um projeto criado por Jaime Lerner que já perdeu sua razão de ser até na sua cidade de origem, Curitiba, já vivendo um violento colapso no transporte coletivo.

Até hoje, no entanto, esses empregos não vieram. Nenhum busólogo até agora foi designado por partidos políticos para se candidatar a vereador, e nenhum deles foi jogado para o gabinete de Alexandre Sansão ou para a ALERJ, DETRO e Fetranspor.

No caso do DETRO, a "moeda de troca" foi a defesa da sucateada empresa Turismo Trans1000, de Mesquita, na Baixada Fluminense, de péssimo serviço e frota muito velha e mal conservada, mas cujos donos são ligados a grupos poderosos ligados à política e ao Poder Judiciário fluminenses. O lado sombrio disso tudo é que um sócio da Transmil foi assassinado em 2009 porque iria fazer revelações sobre a empresa.

Só que a promessa não cumprida irritou a elite busóloga. Ela achou que "havia busólogos demais" e resolveu tirar aqueles que não tinham visibilidade suficiente para a busologia "profissional" (como é conhecida a busologia que se vale da publicação constante de fotos e do contato de seus membros com empresários de ônibus e autoridades), a ponto mesmo das ofensas mais gratuitas, como o simples preconceito contra homens solteiros.

A luta "fratricida" era uma forma de, segundo o raciocínio da elite, "enxugar" a busologia e transformá-la numa "panelinha" onde só permanecem os que concordam de alguma forma com as autoridades. Só que o tiro saiu pela culatra e a onda de ofensas que se resultou faz a busologia fluminense entrar numa séria crise.

DESENTENDIMENTOS

Em certo momento, até a própria elite sai brigando. Se o tal programa da TV paga já criou uma animosidade entre dois grandes grupos busólogos, os desententimentos se estendem até no próprio grupo que "aceita" o projeto de Eduardo Paes e Alexandre Sansão, na medida em que alguns mais exaltados e reacionários recebem uma bronca feia daqueles mais cordatos e democráticos.

Isso porque a intolerância não atinge somente os discordantes. Chega a um ponto em que mesmo um só grupo de busólogos passa a ter divergências internas, como o tal grupo do "crítico", cujo reacionarismo extremo (e de extrema-direita) preocupa seus antigos amigos e parceiros.

E quem imagina que a defesa deles da antipopular padronização visual nos ônibus cariocas - medida a ser imitada em Niterói, pelo mesmo fisiologismo político - faz o secretário Alexandre Sansão cair de amores com os busólogos, é um grande engano. Incomodado com as bajulações, Sansão não quer que sua secretaria se transforme num BRT político e não parece querer escolher um busólogo para ser seu assistente de qualquer coisa.

Só isso desperta a fúria da elite busóloga, que desconta nos seus discordantes com ameaças, ironias e ofensas. Só que isso expõe mal a busologia fluminense, que nos bastidores já faz seus desententimentos se desdobrarem entre aliados e até mesmo no afastamento de busólogos de outros Estados, constrangidos com as desavenças pessoais e pela agressividade da elite busóloga.

O CASO BAIANO - Há cinco anos atrás, também houve uma onda de reacionarismo e agressividade entre busólogos baianos. Eles também disparavam sua fúria nos espaços fechados das redes sociais - na época, o Orkut era o principal espaço virtual - , e a confusão acabou gerando uma crise, que forçou a "aposentadoria" do hobby de muitos integrantes.

Já em 2008, começaram a surgir outros busólogos baianos, bem mais coerentes e objetivos, que tão logo foram substituir os outros, que, quase todos, "desapareceram". E hoje uma nova geração de busólogos baianos se tornou mais realista e democrática, num exemplo que serve de lição para os cariocas.

OS ÔNIBUS DO RIO DE JANEIRO E NITERÓI

A falência do projeto de transporte coletivo implantado no Rio de Janeiro é evidente. A padronização visual pode não ser a causa de tudo, evidentemente, mas a medida é claramente antipopular, só serve para propaganda política (através do logotipo da prefeitura, no caso) e complica as atenções dos passageiros, além de não permitir a identificação visual da empresa que serve uma linha, que nem para se apresentar para os passageiros pode mais.

Mas o sistema tem outros aspectos, como o poder concentrado da Secretaria de Transportes, a rotina opressiva de trabalho imposta aos rodoviários e a falta de autonomia das empresas de ônibus, que deveriam ser as beneficiárias de uma licitação que, na prática, não existe, sendo o processo não mais do que uma terceirização de uma mal disfarçada INTERVENÇÃO ESTATAL no transporte coletivo.

O resultado são ônibus enguiçando constantemente, vários outros sucateados, e muitos acidentados. Dos acidentes envolvendo ônibus cariocas nos últimos seis meses, já são sete mortos e mais de 50 feridos. E, só em março e abril passados, já foram 643 ônibus enguiçados, o equivalente a cerca de 10 ônibus por dia.

A situação tragicômica, cheia de absurdos e suplícios, envolve até mesmo ônibus mais novos e sofisticados, como o Neobus Mega BRS da Transportes Litorânea, que já começam a parecer velhos e sujos. Um carro já foi queimado num incêndio, outros circulam com latarias amassadas ou pára-choques rachados, não bastando certos problemas graves como na porta de saída de um dos seus carros.

Na última segunda-feira (06/08), no final da tarde, o carro C21044 da linha 308 (Central / Alvorada - Via Copacabana) teve a porta de desembarque danificada, apresentando problemas de movimentação para abrir e fechar. O motorista e a cobradora reclamaram do problema e alertaram os passageiros sobre a situação. O motorista até perguntava se alguém ia saltar num determinado ponto, até que, chegando à Av. Pres. Antônio Carlos, determinou que só abriria a porta de desembarque no Terminal da Central.

Já dá para perceber o que esperarão os niteroienses. Mesmo com uma estampa mais bonita que a dos cariocas, com os "alegres" tons de verde limão e carmim dos dois consórcios, Transnit e Transoceânico, que irão "amarrar" as empresas existentes na "camisa de força" do "novo" sistema municipal, é a mesma medida retrógrada que põe Curitiba em falência, "queima" a imagem de São Paulo e já mostra sua decadência no Rio de Janeiro.

O que imaginar, de um grupo político que deixou acontecer a tragédia no Morro do Bumba, com esse "novo" sistema de ônibus, sobretudo quando a especulação imobiliária multiplica prédios para moradores que encherão as ruas de mais carros? Serão mais engarrafamentos, mais demoras nas esperas de ônibus, mais motoristas estressados "correndo" para cumprir horários, mais acidentes, mais ônibus enguiçados e muita gente pegando ônibus errado, indo para Várzea das Moças achando que vai para Jurujuba.

E a gente tem que aguentar tudo isso por uns 20 anos ou mais, a pretexto de melhorias que nunca virão? Enquanto isso, o "filhote da ditadura" Jaime Lerner garante sua volumosa aposentadoria...

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