segunda-feira, 27 de agosto de 2012

A PREOCUPANTE "TROLAGEM" NA BUSOLOGIA


Por Alexandre Figueiredo

Anda preocupando o festival de baixarias e arrogâncias que envolve a busologia no Brasil, sobretudo no Rio de Janeiro.

A chamada "trolagem" já foi assunto de notas no portal Ônibus Brasil e de um longo texto no portal Interbuss, um dos principais de ônibus no país, manifestando grave preocupação com o que ocorrem nas redes sociais da Internet.

Mas o que chama a atenção é que essas mensagens grosseiras na Internet não partem apenas de "moleques" que querem "bagunçar". É claro que, nestes casos, preocupa ler mensagens de gente defendendo, por exemplo, empresas sucateadas - como a Turismo Trans1000, de Mesquita (RJ) - como se fossem "boas", mas o mais grave é que as grosserias diversas também partem de busólogos mais experientes, uma minoria pequena, mas tão barulhenta a ponto de um deles se envolver com um blogue caluniador de "comentários críticos".

A situação é preocupante e mostra a reação da elite busóloga em relação ao crescimento que o hobby teve nos últimos anos. É estarrecedor que busólogos que ganhem fama com fotos que, de fato, são admiráveis, apareçam escrevendo ofensas, muitas delas com palavrões e xingações gratuitas, contra outros busólogos, ou o tal busólogo mais encrenqueiro perder tempo com um blogue de calúnias.

No Rio de Janeiro, o sistema de ônibus como um todo está sendo entregue à incompetência política mais pedante, lançando tardiamente um modelo que, tido como "moderno", é hoje ultrapassado, que é o de Jaime Lerner. A uniformização das pinturas de ônibus, o poder centralizado dos secretários de transporte, a exploração escravista dos rodoviários, todas essas medidas retóricas e antipopulares impostas como se fossem "novidades" causam a dor de cabeça não só dos passageiros mas de quem quer denunciar essas arbitrariedades.

Que as autoridades e os tecnocratas que impõem essas medidas antipopulares não andam de ônibus, isso é fato. Eles não andam de ônibus mesmo, a não ser para fazer propaganda. Mas até mesmo os busólogos envolvidos em grosserias, pasmem, demonstram que também não são muito de andar de ônibus, a não ser, da mesma forma, por pura propaganda, só para tirar foto e mostrar na Internet.

A recente onda de reacionarismo busólogo - que, apesar de denúncias no portal Ônibus Brasil e advertências dadas a busólogos encrenqueiros, continua ocorrendo - tem dois motivos bastante prováveis.

Um é o desejo desse pequeno grupo de busólogos - uma meia-dúzia, da qual se destaca o tal busólogo dos "comentários críticos", o mais agressivo deles - de "fechar" a busologia para um "seleto" grupo. Temendo perder os privilégios que tinham há cerca de seis anos atrás, quando somente eles detinham o poder na busologia do Rio de Janeiro, eles decidiram criar uma campanha "higienista" para evitar que eles sejam ofuscados por uma nova geração de busólogos.

Para disfarçar essa intenção, esses busólogos encrenqueiros e caluniadores - que chegam ao ponto de defender abertamente a censura na Internet, exceto para eles dizerem suas baixarias, é claro - tentam bajular alguns outros busólogos emergentes que ganham destaque nos portais de ônibus na Internet, tanto para dar a falsa impressão de que são "receptivos" aos mais novos quanto para tentar cooptar alguns busólogos para apoiar a campanha que lançam contra outros busólogos.

Outro motivo é que, desde que o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, adotou o "novo modelo" de transporte coletivo, com as citadas medidas antipopulares (em especial a tal "padronização visual" da pintura uniformizada nos ônibus), ele prometeu oferecer cargos funcionais e políticos para busólogos mais destacados. Isso "rachou" a busologia fluminense e abriu espaço para uns poucos reagirem com baixarias.

Essas baixarias se tornaram graves quando essas promessas não foram cumpridas. Aparentemente, o prometido cabide de emprego não se consolidou e nenhum busólogo se candidatou a vereador. Isso irritou a meia-dúzia de busólogos que passou a liderar campanhas para expulsar discordantes das redes sociais (comunidades BUSÓLOGOS DO RJ no Facebook e Orkut).

Ou seja, para se vingarem de não terem sido chamados para ocupar cargos importantes nos gabinetes do secretário de Paes, Alexandre Sansão, ou do DETRO (órgão que cuida das linhas intermunicipais de ônibus), eles tentam afastar do hobby alguns membros que consideram "incômodos", preferindo manter apenas o grupo capaz de expressar um "pensamento único" na busologia mais condescendente com imposições político-tecnocráticas.

São esses motivos que fazem com que o hobby da busologia, no Rio de Janeiro, entre na sua grave crise, dentro de um contexto em que se confrontam dois extremos antagônicos na democracia na Internet, que é a proibição de publicação livre e responsável de fotos de busólogos por outros que não sejam da "panela" - mesmo a título de informação ou mesmo de homenagem - e a publicação gratuita de calúnias para desmoralizar busólogos independentes.

Enquanto isso, os passageiros de ônibus dão continuidade ao seu sofrimento do dia-a-dia.

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