quarta-feira, 29 de agosto de 2012

A POLÍTICA, A BREGUICE E A EMBRIAGUEZ


Por Alexandre Figueiredo

Um vídeo vaza na Internet mostrando um homem parecido com o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) indo, embriagado, para um balcão de um boteco para pedir mais um copo de bebida.

Embora não seja 100% comprovado que o ébrio em questão seja o galântico político mineiro, embora ele tenha se encrencado, certa vez, num teste de bafômetro, o incidente causou uma grande polêmica mesmo dentro dos círculos esquerdistas.

A polêmica envolveu simpatizantes do PSOL, para os quais a acusação não passa de uma hipocrisia petista - há também as acusações de alcoolismo contra Lula, exploradas até mesmo pela mídia golpista - , numa atitude revanchista contra as acusações que simpatizantes do PT fazem do PSOL adotar posturas semelhantes ao PSDB.

Política e embriaguez são tão comuns na espécie humana. A politicagem do fisiologismo das autoridades, junto à poligamia e a embriaguez, já fizeram a história de muitas personalidades. Mas o vídeo do suposto alcoolismo de Aécio Neves - vídeo que não tem boa resolução de imagem - serviu para discussões um tanto politicamente corretas, um tanto oportunistas.

E o que dizer de intelectuais tão "santificados" pelo uso do termo "popular" mesmo em contextos demagógicos, que também decidem "tomar umas"? Claro, eles, "sendo humanos", são ainda mais "santificados" por isso, não bastasse a ampla visibilidade de suas plateias lotadas de desavisados.

De repente, também o "popular" virou pretexto para qualquer oportunista bancar o "santo". E haja "dois chopes com um pastel", haja buchada de bode, haja churrasco de gato! Mas, como se trata da apropriação do termo "popular", sem qualquer critério de verificação, vale tudo.

E aí eu me lembro das acusações de Vicente Celestino de ser o "pai dos bregas", quando ele era apenas um cantor de serestas, que viveu um contexto sócio-cultural diferente do atual, e o exagero da letra de "O Ébrio" era um exagero dramático. Vicente era dos primórdios das gravações em disco, tinha que cantar de costas por conta do seu vocal operístico.

Ele não era brega porque sua música refletia o contexto da época, anos 20, 30 e 40. O problema é que os apologistas do brega querem misturar contextos de épocas diferentes, jogando o passado no presente, jogando o presente no passado. Faz parte do discurso: afinal, o brega é marcado pela falta de contextos para qualquer coisa, e isso contamina até seus adeptos e defensores mais radicais.

Se reprovamos as baixarias do "funk carioca", eles nos atribuem um suposto moralismo de 100 anos atrás. Enquanto isso, a cafonice dos ídolos breganejos e sambregas de hoje passa recibo para nomes nada bregas como Nelson Gonçalves e Lupicínio Rodrigues. E os apologistas do brega fazem isso para confundir as coisas e fazer valer seu discurso a todo custo.

E a embriaguez torna-se então a "sina" da "cultura popular". Os apologistas do brega acham o máximo ver homens "se divertindo" nas mesas de bar, enchendo a cara, se um mendigo se embriaga e depois vaga pela rua balbuciando e rebolando, a intelligentzia cai em delírio, achando que isso é "sabedoria pop". "Veja como até os mendigos estão hiperconectados (?!) com as novidades pop! Isso é a nossa cultura pop, que torçam os narizes os críticos de plantão!", declaram.

São demagogias, oportunismos, confusões. Tudo numa embriaguez de romper a lógica. No fim, os envolvidos nas bebedeiras líquidas, ideológicas e intelectuais acabam vendo postes andando pelas ruas. E nenhum problema se revolve.

Eu, pelo menos, não me interesso por bebidas alcoólicas. Fico na minha, quem gosta de bebê-las que fique na sua. Mas não fico divagando desaforos ideológicos nem delírios intelectualoides em torno de aventuras etílicas que terminarão na ressaca das discussões e confusões sem sentido.

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